A aspirina não reduz a ateroscleroseNotícias de Saúde

Quinta, 08 de Junho de 2017 | 186 Visualizações

Fonte de imagem: Dr. Weil

Um novo estudo sugere que a aspirina, usada globalmente para reduzir o risco de doenças cardiovasculares, não exerce qualquer efeito, ou muito pouco, sobre certos pacientes com aterosclerose.
 
A aspirina faz reduzir os coágulos sanguíneos, sendo assim eficaz no tratamento de acidentes vasculares cerebrais e de ataques agudos do miocárdio.
 
O estudo conduzido por investigadores da Faculdade de Medicina da Universidade da Flórida, analisou o historial clínico de mais de 33.000 pacientes com aterosclerose, que consiste no endurecimento e estreitamento das artérias.
 
Os pacientes foram divididos em dois grupos: um com 21.724 pacientes com aterosclerose que tinham sofrido um evento isquémico (acidente vascular cerebral (AVC) ou enfarte agudo do miocárdio), e o outro de 11.872 pacientes com aterosclerose estável e que não tinham historial de evento isquémico. 
 
Foi apurado que nos pacientes com aterosclerose que tinham um historial de evento isquémico a aspirina exerceu um benefício marginal. 
 
No entanto, nos pacientes com aterosclerose e sem historial de ataque agudo de miocárdio ou AVC não foram encontrados benefícios evidentes com a toma da aspirina. O risco de morte cardiovascular, AVC e ataque cardíaco era de 10,7% nos pacientes deste grupo que tomavam aspirina e de 10,5% nos que não tomavam aquele fármaco. 
 
Os investigadores detetaram, contudo, um grupo que beneficiava com o tratamento com aspirina: os pacientes com bypass coronário ou stent, mas sem historial de AVC, enfarte de miocárdio ou outro problema arterial.
 
Anthony Bavry, docente na Faculdade de Medicina, cardiologista e um dos investigadores neste estudo, ressalvou que os achados são de natureza observacional e que, portanto, são necessários mais estudos e ensaios clínicos antes de se declarar que a aspirina não produz efeito ou muito pouco sobre alguns pacientes com aterosclerose. 
 
No entanto, o especialista argumentou que estes achados não retiram o papel vital da aspirina em situações mais imediatas como a suspeita ou início de ataque de miocárdio ou AVC, em que se deve dar este fármaco ao paciente. 
 
“O benefício da aspirina continua a manter-se em eventos agudos como um ataque de coração ou AVC”, explicou o médico. É importante distinguir os pacientes que não necessitam de aspirina pois este fármaco pode causa hemorragias gastrointestinais e (embora menos) no cérebro.

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Referência
Estudo publicado na revista “Cardiology”

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