75,8% dos médicos ponderam abandonar o SNSNotícias de Saúde

Sábado, 14 de Janeiro de 2017 | 14 Visualizações

Fonte de imagem: Huffingtonpost

Os médicos que trabalham no Serviço Nacional de Saúde (SNS) estão cada vez mais insatisfeitos com as condições de trabalho no setor público, sendo que 75,8% consideram mesmo a possibilidade de sair do SNS para o setor privado de saúde.

Esta é uma das conclusões do estudo «A Carreira Médica e os Fatores Determinantes da Saída do SNS», uma investigação sociológica da autoria de Marianela Ferreira (investigadora do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto) promovida em colaboração com o Gabinete de Estudos do Conselho Regional do Norte da Ordem dos Médicos (CRNOM), e que pretendeu estudar e discutir o fenómeno de abandono do SNS.

Foi enviado um questionário online a 13801 médicos especialistas inscritos no CRNOM, tendo sido obtidas 2070 (15,9%) respostas. Destas, foram validadas 1495 (10,8%), correspondentes aos clínicos que trabalham no SNS.

Na análise das várias dimensões que compõem a satisfação profissional, o estudo revela que 76,7% dos médicos estão insatisfeitos com a sua remuneração no SNS (22,7% consideram que os incentivos financeiros são insuficientes para a permanência no SNS); 60,5% estão insatisfeitos com o horário de trabalho no SNS, sendo que 76,1% dos clínicos diz ultrapassar o seu horário de trabalho semanal e 74,1% revelam estar insatisfeitos com o tempo disponível para família, amigos e atividades sociais/lazer. Por fim, 50,7% estão descontentes com a sua participação na tomada de decisão.

Relativamente à carreira profissional, 63,3% dos médicos estão insatisfeitos com as perspetivas de progressão na carreira no SNS, considerando 42,2% que até ao momento não tiveram boas oportunidades de carreira e 62,5% que não existem boas oportunidades de carreira na sua especialidade no SNS.

A expetativa de melhores condições de trabalho, associada a uma maior satisfação profissional e maior remuneração leva a que 75,8% dos médicos considerem sair do SNS para trabalhar no setor privado de saúde, situação que pode ser favorecida pelo facto de mais de metade dos médicos do SNS (54,4%) acumular funções no setor privado de saúde.

A reforma, antecipada ou não, é uma solução em vista para 45,0% dos médicos com 45 ou mais anos, sendo a pressão do trabalho/exaustão o principal motivo de saída antes da idade legal de reforma (39,3%). Já a redução da carga horária é o aspeto mais referido (31,2%) como possível medida de adiamento da saída do SNS por reforma.

Por fim, 33,9% dos médicos até aos 45 anos consideram emigrar para exercer Medicina, sendo a opção pela emigração «estatisticamente significante na sua associação à insatisfação profissional, sobretudo considerando as dimensões remuneração, participação na tomada de decisão, carga de trabalho em horas e perspetivas de carreira», lê-se no estudo apresentado ontem no CRNOM.

O trabalho conclui que «a insatisfação e desmotivação dos médicos, aliada à existência de alternativas potencialmente mais atrativas no setor privado de saúde, o exercício de medicina noutro país ou até a reforma, constituem os fatores mais determinantes para o aumento do risco de abandono do SNS».

Numa segunda fase, já em curso, estão a ser inquiridos médicos que saíram do SNS para perceber o seu grau de satisfação e também os profissionais que estão a fazer o internato de especialidade. Ainda este ano ou no próximo, Marianela Ferreira pretende replicar o estudo nos outros conselhos regionais da OM, no Sul e no Centro.

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