7% dos diabéticos desenvolveram úlcera de pé diabéticoNotícias de Saúde

Quarta, 18 de Abril de 2018 | 410 Visualizações

Investigadores do Porto analisaram dados de pacientes seguidos em três unidades de saúde do Norte, concluindo que, ao fim de um ano, 7% dos indivíduos com diabetes do tipo 2 desenvolveram úlcera de pé diabético.
 
Segundo apurou a agência Lusa, este resultado é de um estudo desenvolvido pelo Centro de Investigação em Tecnologias e Serviços de Saúde (Cintesis), no qual foram analisadas 446 pessoas com diabetes e sem úlcera de pé diabético.
 
Desta amostra, "a esmagadora maioria dos pacientes (99%) tinha diabetes tipo 2, sendo que 69% usavam apenas comprimidos para controlar os níveis de açúcar no sangue e 77% tomavam medicação para a hipertensão", disse à agência Lusa a investigadora do Cintesis, Matilde Monteiro Soares.
 
As conclusões deste estudo revelaram que, ao final de um ano, 7% dos indivíduos com diabetes desenvolveram úlcera de pé diabético, 1,6% sofreram uma amputação e 4% acabaram por morrer.
 
A maioria destes eventos, indicou a investigadora, ocorreu em utentes seguidos em ambiente hospitalar, que eram também os que apresentavam maior duração da diabetes e mais complicações decorrentes da doença.
 
Neste projeto, a equipa responsável analisou igualmente as diferentes classificações clínicas utilizadas para identificar o risco de os indivíduos desenvolverem pé diabético, incluindo a utilizada pelo Sistema Nacional de Saúde, e concluiu-se que "são robustas e equiparáveis" e que "para já, são todas úteis".
 
Segundo a investigadora, todas as variáveis das classificações clínicas (problemas de visão ou físicos, deformidade dos pés, onicomicoses, doença arterial periférica, neuropatia diabética periférica, sensibilidade alterada, história de úlcera do pé diabético ou de amputação da extremidade inferior), "estiveram associadas a um maior risco de desenvolvimento de úlcera de pé diabético, a um ano".
 
Contudo, a maior duração da diabetes, o uso de insulina e a presença de mais do que um sintoma da neuropatia diabética periférica e dor em repouso também revelaram uma associação "estatisticamente significativa" com o resultado, acrescentou.
 
A investigadora contou que, através do Observatório Nacional da Diabetes, verificou-se uma "diminuição impressionante" no número de amputações em Portugal ao longo dos anos. Além disso, "embora exista ainda alguma limitação no acesso a consultas especializadas em todo o país", os cuidados "estão ao nível dos cuidados europeias", destacou.

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Referência
Estudo publicado na revista "Diabetes Research and Clinical Practice"

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