40% dos cuidados de fisioterapia estão a ser mal prestadosNotícias de Saúde

Terça, 17 de Abril de 2018 | 2 Visualizações

Fonte de imagem: Complete Wellness Physiotherapy

A Associação Portuguesa de Fisioterapeutas alerta que 40% dos cuidados de fisioterapia estão a ser prestados por profissionais não habilitados, anunciou a agência Lusa.
 
“O problema mais grave da fisioterapia em Portugal são os atos praticados por não-fisioterapeutas”, afirma em comunicado o presidente da associação, Emanuel Vital, adiantando que o Estado gasta anualmente “mais de 74 milhões de euros em cuidados de medicina física e reabilitação”, que “muitas vezes são praticados por pseudo-fisioterapeutas”.
 
Em declarações à Lusa, Emanuel Vital disse que esta situação se deve essencialmente à ausência de regulação da atividade profissional.
 
Segundo Emanuel Vital, as situações são relatadas à associação por quem está no terreno e revelam que há clínicas por todo o país em que os cuidados de fisioterapia estão a ser desenvolvidos por técnicos auxiliares e massagistas.
 
Os relatos que chegam à associação, por parte dos seus associados, apontam para um aumento dos problemas graves originados por más intervenções anteriores, sobretudo em doentes com AVC, com doenças pulmonares obstrutivas crónicas e lombalgias.
 
Segundo a associação, a maioria desses tratamentos prestados por não-fisioterapeutas é feita com base em “calor húmido”, “ultrassons” e “massagem”, que já são considerados ultrapassados pela comunidade científica.
 
“Em muitas clínicas em Portugal, a maioria dos tratamentos não segue as novas ‘guidelines’ internacionais”, afirma Emanuel Vital. Este é “um problema de saúde pública” que afeta quase quatro milhões de pessoas.
 
Para garantir a qualidade dos serviços de fisioterapia, Emanuel Vital defende a necessidade de regular a profissão e de uma ordem profissional.
 
“Estamos a falar de regular a atividade de mais de 11 mil profissionais vocacionados para o exercício liberal da profissão, dos quais só uns 1.350 estão no Serviço Nacional de Saúde – todos os outros trabalham no privado, boa parte de forma liberal”, afirma a presidente da Comissão Pró-Ordem dos Fisioterapeutas, Isabel de Souza Guerra.

Partilhar esta notícia
Referência
Alerta da Associação Portuguesa de Fisioterapeutas