13% dos idosos foi vítima de violência psicológicaNotícias de Saúde

Domingo, 24 de Junho de 2018 | 32 Visualizações

Fonte de imagem: Flanders Today

Um estudo sobre violência psicológica contra pessoas idosas desenvolvido por Ana João Santos, bolseira de investigação no Departamento de Epidemiologia do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (Insa), concluiu que 13% já sofreu ameaças, agressões verbais ou insultos e humilhações, pelo menos uma vez no último ano.

Desenvolvido no âmbito do Programa Doutoral em Gerontologia e Geriatria da Universidade do Porto (Instituto de Ciências Biomédicas de Abel Salazar) e da Universidade de Aveiro, os resultados deste trabalho indicam que os perpetradores indicados pelas vítimas de violência mais frequente são principalmente os cônjuges ou companheiros (54%), informa o Insa num comunicado.

No entanto, 32% dos agressores esporádicos ou menos frequentes (uma a dez vezes nos últimos 12 meses) são filhos ou netos.

Quando a violência consiste em ignorar ou deixar de falar, surgem também outros membros da família na lista, como irmãos, cunhados, sobrinhos ou primos, assim como a rede social informal (vizinhos, por exemplo).
Entre os indivíduos mais velhos que sofreram pelo menos um ato de violência, cerca de 60% disseram ter sido ignorados e cerca de metade disse ter sido vítima de agressão verbal mais de dez vezes nos últimos 12 meses.

Com o título «Violence against older adults: multidimensional perspective», a tese de Ana João Santos é realizada a partir dos dados recolhidos pelo projeto «Envelhecimento e violência», coordenado pelo Insa, entre 2011 e 2014, tendo em conta duas medidas: qualquer ato de violência psicológica praticado uma única vez contra uma pessoa idosa nos 12 meses anteriores à entrevista e qualquer ato de violência praticado mais de 10 vezes contra uma pessoa idosa nos 12 meses anteriores à entrevista.

Este estudo tem como coautores Baltazar Nunes e Irina Kislaya, do Instituto Ricardo Jorge, e Ana Paula Gil (Universidade Nova de Lisboa).

Além de determinarem a prevalência de violência psicológica sobre os mais velhos, o estudo pretendeu também saber o perfil dos perpetradores e o perfil das próprias vítimas.

Neste âmbito, conclui-se que «as mulheres entre os 60 e os 69 anos de idade, com pouco suporte social e a residir nas próprias casas com o cônjuge ou companheiro e com os filhos são as que reportam violência psicológica de forma mais frequente (mais de dez vezes no último ano)», salienta a informação à Imprensa.

O trabalho analisou a violência psicológica contra as pessoas idosas num total de 1123 adultos com mais de 60 anos de idade, residentes em Portugal, sendo que mais de metade (66,8%) eram mulheres, 48% tinham entre 60 e 69 anos e 60% tinham menos de cinco anos de escolaridade. 

Um estudo sobre violência psicológica contra pessoas idosas concluiu que 13% já sofreu ameaças, agressões verbais ou insultos e humilhações, pelo menos uma vez no último ano 

A violência psicológica, que inclui insultos, ameaças, intimidação, humilhação, entre outros comportamentos abusivos, é considerada de mais difícil deteção porque pode não ser tangível, mas também devido a especificidades culturais, variações das próprias dinâmicas familiares e a diferentes formas de medir a violência.

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Referência
Estudo «Violence against older adults: multidimensional perspective»

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