Xeroderma PigmentosaDoenças da Pele

Atualizado em: Terça, 06 de Outubro de 2015 | 222 Visualizações

Fonte de imagem: asmego

Trata-se de uma dermatose fotossensível hereditária

A transmissão é autossómica recessiva, devida a um de dois mecanismos patogénicos: defeito congénito enzimático, intervindo no sistema de excisão-reparação das alterações do ADN induzidas pela radiação ultra-violeta B, por ausência mais ou menos marcada da enzima endonuclease; alterações do sistema de reparação pós-replicativa, por ausência da enzima ADN-polimerase.

Estes defeitos enzimáticos originam frequentes aberrações cromossómicas e numerosas mutações somáticas, associadas a elevada prevalência de tumores cutâneos benignos e malignos.

De um modo geral os sintomas iniciam-se nos primeiros meses de vida, em ambos os sexos, caracterizados por fotossensibilidade, eritema solar intenso nas áreas expostas e secura da pele. Progressivamente surgem múltiplas lesões pigmentadas do tipo efélide (”sardas”) e lentigos, queratoses actínicas, telangiectasias finas, pequenos angiomas e manchas atróficas hipocrómicas de formato irregular, por vezes precedidas de vesículas ou bolhas.

Localizam-se principalmente nas zonas expostas ou seja na face e pescoço, dorso das mãos, membros e, por vezes, nas mucosas labial e conjuntiva ocular. A pele afectada torna-se atrófica e seca, evidenciando um envelhecimento precoce.

A menor ou maior intensidade dos defeitos enzimáticos condiciona de igual modo a intensidade das manifestações clínicas. Assim, consideram-se actualmente 10 sub-tipos da doença, correspondendo 9 a alterações enzimáticas relacionadas com as endonucleases e um por ausência da ADN-polimerase.

A forma mais grave constitui a Síndrome de Sanctis-Cacchione, em que se associam lesões cutâneas e mucosas graves e precoces (em 75% dos casos pelo 6º mês) a manifestações neurológicas e endócrinas (microcefalia, atraso mental, hipogonadismo e nanismo).

A forma mais benigna constitui o denominado xerodermóide pigmentoso (20% dos doentes), de início mais tardio, em geral no adulto jovem, com lesões circunscritas às áreas expostas, do tipo de pele senil, em que o aparecimento de carcinomas é mais tardio e menos frequente, sem perturbações endócrinas ou neurológicas. As alterações oculares são frequentes (80% dos casos), com xeroftalmia, fotofobia, úlceras de córnea, blefarites, ectropion e tumores.

A evolução da xeroderma pigmentosa é progressiva e dominada pelo aparecimento de sucessivos tumores cutâneos malignos: basaliomas, carcinomas espinocelulares e, mais raramente por sarcomas e melanomas. A morte sobrevém nas formas graves antes dos 20 anos, por infecções intercorrentes ou devido a caquexia neoplásica em consequência de metástases de carcinomas espinocelulares, em regra múltiplos.

 

O diagnóstico é acessível mediante a exploração clínica. O diagnóstico pré-natal pode fazer-se mediante amniocentese, através da identificação do defeito enzimático de reparação do ADN das células do líquido amniótico, que envolve o feto, após irradiação com luz ultra-violeta B artificial.

 

Não existe tratamento eficaz, estando recomendada a protecção solar, mediante o uso de vestuário de cor clara e aplicação sistemática de filtros solares, com índice de protecção elevado (SPF ³50), evitando a exposição á rediação solar, especialmente na montanha e na praia.

As lesões oculares podem ser prevenidas ou corrigidas mediante o uso de lágrimas artificiais ou transplantes de córnea. Estes doentes deverão ser periodicamente examinados por um médico dermatologista, a fim de se efectuar o rastreio precoce de eventuais lesões malignas ou pré-malignas.

As lesões malignas devem ser prontamente excisadas cirurgicamente e as pré-malignas tratadas através de electrocoagulação, crioterapia com azoto líquido, ou aplicação tópica de 5-fluouracilo. Como abordagem profiláctica tem sido utilizada a administração oral de retinóides – acitretina – de modo contínuo ou intermitente, bem como de b-caroteno, com resultados favoráveis.

Dado o tipo de hereditariedade, estão desaconselhados os casamentos consanguíneos entre familiares de doentes com xeroderma pigmentosa.

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Referência
Dr. Miguel Taveira - Dermatologista

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