VitíligoDoenças da Pele

Atualizado em: Terça, 06 de Outubro de 2015 | 544 Visualizações

Fonte de imagem: ihavevitiligo

O vitíligo caracteriza-se por manchas hipopigmentadas, geralmente bem delimitadas, envolvendo determinadas regiões do corpo, sobretudo a face, mãos e região ano-genital, podendo em certos casos generalizar-se. As lesões cutâneas tornam-se mais evidentes após exposição ao sol, uma vez que se verifica um reforço da pigmentação na pele circundante, aumentando o contraste com as zonas despigmentadas, sendo por vezes acompanhadas de despigmentação do cabelo.

As manchas de vitíligo surgem em qualquer idade, embora com maior incidência (cerca de 50% dos casos) antes dos 20 anos, com prevalência semelhante em ambos os sexos. São mais frequentes nos locais sujeitos a pressão ou atrito prolongado, como por exemplo por peças de vestuário ou acessórios - cinto, pulseira, etc.

A natureza desta afeccção é controversa, mas evidencia-se a incidência familiar em cerca de 1/3 dos casos, tendo sido proposto um modo de transmissão autossómico dominante.

Existem 3 teorias fundamentais para explicar o vitíligo: A hipótese auto-imune, baseada na associação relativamente entre vitíligo e doenças caracterizadas pela presença de auto-anticorpos dirigidos contra os próprios tecidos humanos – tiroidites, anemia perniciosa, diabetes mellitus e doença de Addison. Estão também em discussão as hipótese neurogénica, e a teoria de auto-destruição dos melanócitos de Lerner.

O diagnóstico das manchas de vitíligo é essencialmente clínico e impõe diagnóstico diferencial cuidadoso com manchas de hipopigmentação provocadas por outras doenças como o eczema atópico, psoríase e pitiríase versicolor, sendo útil a observação com a lâmpada de Wood (comprimento de onda de 365 nm) para establecer o diagnóstico.

A evolução da discromia é errática, com acentuada variação quanto ao número e extensão das lesões. Registe-se porém que em 10 a 20% dos doentes se verifica remissão espontânea da doença, sobretudo nas regiões do corpo mais expostas ao sol.

 

O vitíligo é motivo de ansiedade de pais em relação a filhos pequenos, de jovens e de adultos, sendo o tratamento sempre difícil em qualquer das suas formas. A atitude terapêutica depende da localização e extensão das lesões, da duração da doença, bem como do comportamento e psiquismo do doente.

Se a área despigmentada é muito extensa, envolvendo 30% ou mais da superfície corporal, deve encarar-se a hipótese de despigmentar as regiões não atingidas, com recurso a despigmentantes químicos (derivados da hidroquinona) ou através de LASER.

Pode também recorrer-se á fototerapia, por meio de radiação ultra-violeta B ou ultravioleta A em associação com a administração prévia de uma substância fotossensibilizante – psoraleno – por via tópica ou administração oral. A fototerapia efectua-se 2 a 3 vezes por semana, prolongando-se por 8 a 12 meses, pelo que se torna necessário motivar o doente no sentido da sua adesão ao tratamento. Quando as áreas de despigmentação são de dimensões pequenas ou médias tenta-se a repigmentação, utilizando-se para o efeito a aplicação tópica de corticosteróides durante 4 a 6 meses.

Tem sido também ensaiada com sucesso a técnica de microenxertos cutâneos autólogos nas áreas despigmentadas, havendo embora o risco de recidiva da doença nos tecidos transplantados. Nos casos resistentes ao tratamento e/ou naqueles doentes em que o impacto psico-social da doença é mais relevante, justifica-se o recurso a maquilhagem correctora. Os doentes com maior grau de exposição solar, por razões geográficas ou profissionais, deverão aplicar regularmente um protector solar, com índice de protecção não inferior a 20.

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Referência
Dr. Miguel Taveira - Dermatologista

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