Vírus do NiloSaúde do Viajante

Atualizado em: Terça, 01 de Setembro de 2015 | 111 Visualizações

O vírus do Nilo Ocidental é transmitido através da picada de mosquito. Ao contrário da maioria das infecções deste tipo, em que há uma ou duas espécies de mosquito envolvidas, aquele pode ser transmitido por mais de 50 espécies diferentes.    

O reservatório da infecção é composto por aves, sobretudo migratórias. Os mamíferos (incluindo o homem) são habitualmente hospedeiros acidentais do vírus.

Isto quer dizer que aquele se sente mais «confortável» em aves, mas que, na falta delas, haverá uma maior probabilidade de infecção humana.  

O período de incubação da doença é de três a 14 dias e, em cerca de 80 por cento dos casos, a infecção não apresenta sintomas.

Nos restantes 20 por cento pode haver um quadro febril ligeiro a moderado (febre, dores articulares e musculares, dores de cabeça, por vezes náuseas e vómitos) e que desaparece ao fim de uma semana.  

A maioria das pessoas ou não valoriza os sintomas, ou pensa que teve uma gripe. Apenas um por cento dos doentes terá os sintomas neurológicos que caracterizam os quadros graves (meningites e encefalites) e cerca de dez por cento acaba por falecer. As características epidemiológicas da febre do Nilo Ocidental mudaram no final dos anos 90. Embora existissem casos em África, na Ásia e na Europa, os surtos eram limitados e com baixa mortalidade.  

No início do séc. XXI, a América do Norte foi atingida pela doença e, em três anos, quase todos os estados dos EUA tiveram casos com uma taxa de mortalidade elevada. Até ao final dos anos 90, Portugal teve dois casos diagnosticados, outros dois em 2004 e, já este ano, um novo caso. Não existe tratamento antiviral específico para a febre do Nilo Ocidental. As pessoas diagnosticadas com esta infecção são habitualmente tratadas com medicação de suporte (antiálgicos, hidratação, antipiréticos).

Não existe vacina contra este vírus, nem prevenção com medicamentos.

Assim, deve evitar as picadas, com a utilização de roupas frescas, leves, mas que cubram o corpo, e de repelentes na pele exposta.

Este tipo de medidas, com um carácter protector mais imperioso, apenas se aplica a zonas onde existe transmissão conhecida, com casos de doença humana. 

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Referência
Jorge Atouguia ( Médico Infecciologista)