Tumores do coraçãoSangue e Sistema Cardiovascular

Atualizado em: Segunda, 18 de Maio de 2015 | 3289 Visualizações

Um tumor é qualquer tipo de crescimento anormal, canceroso (maligno) ou não canceroso (benigno). Os tumores que têm origem no coração denominam-se tumores primários e desenvolvem-se em qualquer dos seus tecidos.

Os tumores secundários são os que têm origem em qualquer outra parte do organismo (como pulmões, mamas, sangue ou pele) e que depois se disseminam (metastatisam) para o coração; estes são sempre cancerosos.

Os tumores secundários são entre 30 e 40 vezes mais frequentes que os primários.  

Os tumores cardíacos podem não causar sintomas ou então originar um mau funcionamento do coração, semelhante ao provocado por outras doenças do mesmo. Exemplos de mau funcionamento podem ser uma insuficiência cardíaca súbita, o aparecimento brusco de arritmias e uma queda súbita da pressão arterial por uma hemorragia no pericárdio (a membrana que envolve o coração).

Os tumores cardíacos são difíceis de diagnosticar porque não são frequentes e os seus sintomas parecem-se com os de muitas outras doenças.

Para efectuar o diagnóstico, é necessário que o médico suspeite da existência do tumor por algum motivo.

Por exemplo, se uma pessoa tem um cancro em qualquer parte do organismo e se observam sintomas de mau funcionamento do coração, é possível que o médico suspeite da existência de um tumor cardíaco.

Um mixoma é um tumor não canceroso, geralmente de forma irregular e de consistência gelatinosa.

Metade de todos os tumores primários são mixomas. Três quartos dos mixomas encontram-se na aurícula esquerda, a cavidade do coração que recebe sangue com alto conteúdo de oxigénio dos pulmões.

Geralmente, os mixomas na aurícula esquerda têm um pedículo (são pediculados) e podem mover-se livremente, devido ao fluxo de sangue, tal como um «balão» atado. Ao mover-se, fazem-no para um e outro lado nas proximidades da válvula mitral (que é a passagem da aurícula esquerda para o ventrículo esquerdo). Este movimento pode obstruir e destapar a válvula intermitentemente, de tal modo que o sangue interrompe ou prossegue o seu curso também de forma intermitente. Quando o doente está de pé, podem ocorrer desfalecimentos ou episódios de congestão pulmonar e dispneia, dado que a força da gravidade empurra o tumor para a abertura da válvula e pode chegar a tapá-la; pelo contrário, ao recostar-se verifica-se um alívio dos sintomas.

O tumor pode lesionar a válvula mitral de tal maneira que o sangue se escape por ela e produza um sopro no coração, que se ausculta com um fonendoscópio. A partir do som do sopro, o médico deve considerar se é o efeito de uma fuga de sangue devido às lesões provocadas por um tumor (o que é muito raro) ou então se se trata de uma causa mais frequente, como é o caso de uma doença reumática do coração.

Quando se desprendem fragmentos de um mixoma ou coágulos de sangue que se formam na sua superfície, estes podem trasladar-se para outros órgãos e bloquear os vasos. Os sintomas dependem de qual for o vaso bloqueado. Por exemplo, uma artéria bloqueada no cérebro pode causar um ataque de paralisia, enquanto se o bloqueio for num pulmão, provocará dor e tosse com sangue. Outros sintomas dos mixomas são febre, perda de peso, dedos das mãos e dos pés frios e doridos ao serem expostos ao frio (fenómeno de Raynaud), anemia, baixo número de plaquetas (porque estas intervêm no processo de coagulação) e sintomas que sugerem uma infecção grave.

O mecanismo de obstrução do fluxo sanguíneo do coração por um mixoma

Um mixoma na aurícula esquerda está seguro por um pedículo ou haste e pode mover-se seguindo o sentido do fluxo do sangue. Deste modo, o mixoma entra e sai pela válvula mitral próxima (orifício de passagem da aurícula esquerda para o ventrículo esquerdo).

Outros tumores do coração menos frequentes, como os fibromas e os rabdomiomas, crescem directamente a partir de células de tecido fibroso e do muscular. Os rabdomiomas, o segundo tipo de tumor primário mais importante, desenvolvem-se na infância e associam-se a uma doença rara própria desta idade denominada esclerose tuberosa. Outros tumores primários cardíacos, como os tumores primários cancerosos, são muito pouco frequentes e não existe um bom tratamento para eles. A expectativa de vida para as crianças que deles sofrem é inferior a um ano.

Para diagnosticar os tumores cardíacos recorre-se a muitos exames. Algumas vezes, o ecocardiograma (um exame com ultra-sons que permite delinear as estruturas) pode mostrar uma imagem do contorno dos tumores. Os ultra-sons que esta técnica utiliza podem atravessar a parede do tórax ou então a do esófago a partir do interior do mesmo (ecocardiograma transesofágico). Outro procedimento é a introdução por uma veia de um cateter até ao coração, para injectar substâncias de contraste que permitem desenhar o tumor nas radiografias; no entanto, poucas vezes é necessário recorrer a este procedimento. Utilizam-se também a tomografia axial computadorizada (TAC) e a ressonância magnética (RM). Se se encontrar um tumor, extrai-se uma pequena amostra com um cateter especial; a amostra é utilizada para identificar o tipo de tumor e ajudar a seleccionar o tratamento mais adequado.

A extracção cirúrgica de um tumor primário único não canceroso do coração constitui um tratamento curativo. Quando existem vários tumores primários, só se tratam os que são tão grandes que não podem ser extraídos. Os tumores cancerosos primários e secundários são incuráveis; só se tratam os seus sintomas.

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