Síndroma de ReiterOssos, Articulações e Músculos

Atualizado em: Segunda, 18 de Maio de 2015 | 191 Visualizações

Fonte de imagem: Centers for Disease Control and Prevention

A síndroma de Reiter é uma inflamação das articulações e das uniões dos tendões às mesmas, acompanhada com frequência de uma inflamação da conjuntiva do olho e das membranas mucosas, como as da boca, do tracto urinário, da vagina e do pénis, e por uma erupção cutânea característica.  

A síndroma de Reiter denomina-se artrite reactiva porque a inflamação articular parece ser uma reacção a uma infecção originada numa zona do corpo diferente das articulações. Esta síndroma é mais frequente em homens de idade compreendida entre os 20 e os 40 anos.   A síndroma de Reiter tem duas formas. Uma delas manifesta-se em caso de infecções de transmissão sexual (como a infecção por clamídias) e é mais frequente nos homens jovens; a outra, em geral, resulta de uma infecção intestinal, como a salmonelose.

As pessoas que desenvolvem a síndroma de Reiter depois da exposição a estas infecções, parecem ter uma predisposição genética para este tipo de reacção, relacionada com o mesmo gene encontrado em pessoas que sofrem de espondilite anquilosante. A maioria das pessoas que têm estas infecções não desenvolvem, contudo, a síndroma de Reiter.

Os sintomas começam entre os 7 e os 14 dias depois da infecção. O primeiro sintoma é, em geral, uma inflamação da uretra (o canal que leva a urina desde a bexiga para o exterior do corpo). Nos homens, esta inflamação causa dor moderada e uma supuração do pénis. A próstata pode inflamar-se e causar dor. Os sintomas genitais e urinários nas mulheres, se os houver, são ligeiros e consistem numa supuração vaginal ligeira ou num incómodo ao urinar.

A conjuntiva (a membrana que reveste a pálpebra e cobre o globo ocular) pode ficar avermelhada e inflamar-se, causando ardor e a produção excessiva de lágrimas. A dor e a inflamação articulares podem ser ligeiras ou graves. Em geral, várias articulações são afectadas ao mesmo tempo, sobretudo os joelhos, as articulações dos dedos do pé e as zonas onde os tendões se unem aos ossos (como os calcanhares). Nos casos mais graves, a coluna vertebral também pode inflamar-se e causar dor.

Aparecem úlceras pequenas e indolores na boca, na língua e na extremidade distal do pénis (glande). Por vezes, pode aparecer uma erupção característica, constituída por grãos duros e densos na pele, especialmente nas palmas das mãos e plantas dos pés. Debaixo das unhas das mãos e dos pés pode observar-se a presença de sedimentos de cor amarela.

Na maior parte dos casos, os sintomas iniciais desaparecem em 3 ou 4 meses; contudo, a artrite ou outros sintomas podem ter recidivas durante vários anos em 50 % dos doentes. Podem desenvolver-se deformações das articulações e da coluna vertebral se os sintomas persistirem ou recorrerem com frequência. Muito poucas pessoas que sofrem da síndroma de Reiter ficam permanentemente incapacitadas.

 

Lesões típicas da síndroma de Reiter

Formação de lesões duras e grossas nas plantas do pés é conhecida como «queratodermia blenorrágica». Outras lesões típicas são a balanite circinada e a conjuntivite. 

 

A combinação de sintomas articulares, genitais, urinários, cutâneos e oculares fazem com que o médico suspeite da presença da síndroma de Reiter. Dado que os diferentes sintomas não se manifestam de maneira simultânea, o diagnóstico pode exigir vários meses. Não se dispõe de análises de laboratório que confirmem o diagnóstico; contudo, pode analisar-se uma amostra da uretra (colhida com uma zaragatoa) ou do líquido articular, ou efectuar uma biopsia (extracção de tecido para exame ao microscópio) da articulação para identificar o organismo infeccioso que desencadeia a síndroma.

Em primeiro lugar, administram-se antibióticos para tratar a infecção, mas o tratamento nem sempre é eficaz e a sua duração óptima é desconhecida. A artrite em geral é tratada com medicamentos anti-inflamatórios não esteróides. A sulfasalazina ou o metotrexato (um medicamento imunossupressor) podem ser utilizados como na artrite reumatóide. Geralmente, os corticosteróides não são administrados por via oral, mas por meio de uma injecção directa dentro da articulação inflamada, o que resulta em alguns casos. A conjuntivite e as úlceras da pele não precisam de tratamento, embora uma inflamação ocular grave possa exigir a aplicação de uma pomada com um corticosteróide ou gotas oculares.

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