SarampoDoenças Infecçiosas

Atualizado em: Terça, 18 de Abril de 2017 | 26 Visualizações

Fonte de imagem: Médicos de Portugal

O sarampo é uma das infeções virais mais contagiosas, transmitindo-se de pessoa a pessoa, por via aérea através de gotículas ou aerossóis.
 
De facto, as pessoas adquirem o sarampo principalmente ao inalar microgotas de uma pessoa infetada que se encontram em suspensão no ar depois de terem sido expelidas pela tosse.

Uma pessoa com o vírus do sarampo é contagiosa entre 2 e 4 dias antes que a erupção apareça e continua a sê-lo até ao seu desaparecimento.
 
É quase sempre uma doença benigna embora, em alguns casos, possa ser grave ou mesmo fatal.
 
As pessoas não vacinadas e que nunca tiveram sarampo têm uma elevada probabilidade de contrair a doença se forem expostas ao vírus.
 
Dada a sua transmissão exclusivamente inter-humana e a existência de uma vacina eficaz e segura faz com que o sarampo seja uma doença passível de ser erradicada, facto que se verificou no Continente americano em 2002.

A Organização Mundial da Saúde definiu o ano de 2007 como meta para a eliminação do sarampo na região europeia.
 
Em 2005 esta meta foi alterada para o ano de 2010 e foi lançado o Programa Europeu de Eliminação do Sarampo e Rubéola e Prevenção da Rubéola Congénita.
 
Apesar desse Programa, a situação do sarampo agravou-se nos últimos anos, ocorrendo surtos na maioria dos 29 países europeus sob vigilância, que somaram, em 2011, mais de 32.000 casos.
 
Atualmente, os surtos de sarampo costumam ocorrer em adolescentes e em adultos jovens previamente imunizados, em crianças que não tenham sido imunizados ou em bebés demasiado pequenos para a vacina (menos de 12 meses de idade).
 
A mulher que tenha tido sarampo ou que tenha sido vacinada transmite essa proteção ao seu filho e ela dura quase todo o primeiro ano de vida. Depois do primeiro ano, a suscetibilidade ao sarampo é alta.
 
A primeira infeção pelo sarampo protege a pessoa para o resto da vida.

O tempo de incubação da doença é de 8 a 13 dias. Assim, é possível ser-se portador do vírus sem saber. O contágio ocorre aproximadamente seis dias antes e quatro dias depois do surgimento das primeiras placas avermelhadas na pele.
 
Os sintomas iniciais do sarampo são:

  • Febre,
  • Congestão nasal,
  • Irritação na garganta,
  • Tosse seca
  • Vermelhidão dos olhos

 
Após 2 a 4 dias surgem minúsculas manchas brancas (manchas de Koplik) na boca, nem sempre detetáveis.
 
Ao fim de 3 a 5 dias, o sarampo causa uma erupção na pele associada a comichão ligeira, sobretudo nas orelhas e no pescoço, com um aspeto de superfícies irregulares, planas e vermelhas que rapidamente vão crescendo. Após um ou dois dias, essa erupção espalha-se para o tronco, braços e pernas, e começa a desaparecer do rosto.
 
No pico do sarampo, o paciente sente-se muito prostrado, a erupção é extensa e a febre pode ultrapassar os 40º C. Ao fim de 3 ou 5 dias, a temperatura diminui, os sintomas aliviam e as manchas restantes desaparecem rapidamente.

Nas crianças saudáveis e bem nutridas, o sarampo raramente é grave.
 
No entanto, pode complicar-se com infeções bacterianas como uma pneumonia (sobretudo nos bebés) ou com uma infeção no ouvido médio.
 
Raramente, o número de plaquetas no sangue pode diminuir, surgindo hematomas e hemorragias.
 
A infeção cerebral (encefalite) é uma complicação grave que ocorre em cerca de 1 em cada 1000 ou 2000 casos, causando febre alta, convulsões e coma, normalmente entre 2 dias e 3 semanas depois de a erupção ter aparecido. Esta encefalite pode ser breve, recuperando ao fim de aproximadamente uma semana, ou pode causar danos cerebrais ou até a morte.

O diagnóstico do sarampo baseia-se nos sintomas típicos e na erupção.
 
Não se fazem exames especiais, a não ser em casos de dúvida, nos quais se pode recorrer a estudos laboratoriais.

Não existem medicamentos específicos para tratar o sarampo. O objetivo do tratamento é proporcionar conforto e alívio até os sintomas desaparecerem, o que demora cerca de 2 a 3 semanas.
 
Assim, é importante controlar a febre e as dores musculares, recorrendo a acetaminofeno, paracetamol ou ibuprofeno, repouso, ingestão de muitos líquidos, uso de humidificadores para alívio da tosse e suplementação em vitamina A.
 
Se surgir uma infeção bacteriana secundária, deverá ser prescrito um antibiótico.

A vacina contra o sarampo é uma das imunizações que se aplicam sistematicamente na infância, geralmente em conjunto com a vacina da papeira e da rubéola.
 
Esta vacina é administrada no músculo da coxa ou na parte superior do braço.
 
Presentemente, recomenda-se a 1ª dose desta vacina aos 12 meses e a 2ª dose aos 5-6 anos, antes da escolaridade obrigatória.

  • Manual Merck online, 2013
  • Programa Nacional de Eliminação do Sarampo, Norma da Direcção Geral da Saúde, Abril de 2013.
  • World Health Organization, 2013
  • Healthline Networks, 2014
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Referência