OsteoartroseOssos, Articulações e Músculos

Atualizado em: Segunda, 18 de Maio de 2015 | 344 Visualizações

A osteoartrose, vulgarmente chamada artrose é uma das múltiplas doenças reumáticas e é, de longe, a mais comum. É uma doença de natureza degenerativa que envolve toda a articulação: a cartilagem que se desgasta e o osso que cresce e fica mais denso, formando os osteófitos, visíveis nas radiografias como “bicos de papagaio”. Nesse processo degenerativo ocorrem frequentemente fenómenos mais ou menos importantes de inflamação articular, que causam dor e muitas vezes aumento de volume da articulação.

  Há articulações em que é mais comum surgir a doença: os joelhos, as mãos, as ancas, a coluna vertebral e os pés. Nas mãos são as articulações dos dedos e no punho na base do polegar as articulações mais comuns. Na Coluna vertebral a região cervical e lombar. Nos pés é a base do primeiro dedo, que quando está deformado é muitas vezes chamado “joanete”.

A osteoartrose é a doença crónica mais frequente do ser humano e pode atingir mais de 20% da população adulta. O envelhecimento e o excesso de peso são factores de risco muito importantes, o que exige uma atenção especial nas sociedades em que é cada vez mais frequente a presença de idosos e de obesos.

A doença caracteriza-se sobretudo por um desgaste da cartilagem articular e pela alteração da estrutura do osso na articulação, o que está na base dos sintomas de dor, rigidez e dificuldade de movimento. Contra esses sintomas podem ser usados agentes físicos como a aplicação de calor (parafinas, borrachas com água quente, ultra-sons) e fármacos analgésicos e anti-inflamatórios. Alguns podem ter contra-indicações, interferir com outros medicamentos ou ter possíveis efeitos secundários graves, pelo que a supervisão médica é fundamental.

Para atrasar a progressão da doença é importante o controlo dos factores de risco quando tal é possível e o uso de fármacos que começam a dar as primeiras provas de eficácia.

Quando a destruição articular é grande e os sintomas intoleráveis, o recurso à substituição doente por uma prótese é uma via geralmente muito eficaz, sobretudo em relação à anca e ao joelho.

Os mais velhos, em particular, correm risco de sofrer de osteoartrose. A doença é rara antes dos 40 anos mas, a partir daí, torna-se cada vez mais frequente. A associação com a idade é muito evidente, em grande parte porque se acumulam os riscos que provocam a doença e, por outro lado, porque as articulações mais idosas terão maior dificuldade em se adaptarem e regenerarem como as mais novas.

Por outro lado, todos aqueles que expõem o seu aparelho locomotor a sobrecargas ou trabalho excessivo, como os desportistas e os obesos, e os que têm malformações das articulações ou dos membros, como deformidades dos joelhos, das ancas ou dos pés, terão propensão para desenvolverem artrose mais precocemente.

As causas de osteoartrose são múltiplas: em geral, podemos dizer que a sobrecarga de uma articulação normal ou o uso normal de uma articulação anormal são as causas de artrose. Assim, é frequente encontrar no passado traumatismos – grandes ou pequenos, este normalmente muito repetidos – como os que resultam de actividades desportivas ou profissionais, o excesso de peso, bem como outras doenças reumáticas ou malformações que deterioraram as articulações previamente. No entanto, existem muitos casos em que nenhuma causa é aparente ou em que apenas a hereditariedade é identificada.

As queixas relativas à osteoartrose evoluem, em geral, muito lentamente e às vezes por surtos. Isto quer dizer que os doentes podem estar longos meses ou anos sem sintomas.

Os sintomas mais comuns são a dor articular durante o uso da articulação, em particular quando há sobrecarga. Também pode ocorrer dor ou rigidez de curta duração quando se inicia o movimento após período de inactividade. A limitação da mobilidade articular vai-se agravando progressivamente ao longo da evolução da doença.

A osteoartrose é uma causa muito importante de invalidez nos idosos e uma das mais frequentes causas de incapacidade definitiva levando à reforma antecipada.

Pode haver períodos com inchaço da articulação devido à inflamação. Nos dedos das mãos toma a forma de nódulos e nos joelhos pode-se acumular líquido, o que coincide com um agravamento das queixas.

Durante a evolução da doença a articulação aumenta as suas dimensões, o que é vulgar notar-se nos joelhos ou nos dedos das mãos.

A cartilagem fica desgastada, cada vez mais fina e, aos poucos, cada vez mais destruída. Como ela é essencial para o movimento da articulação, surgem a dor progressivamente mais importante e os movimentos vão ficando cada vez mais comprometidos. A dor impede a mobilidade, pelo que surge atrofia dos músculos. A articulação fica instável, pouco precisa, agravando as lesões. No final, a articulação fica incapaz de exercer a sua função, sem cartilagem e com o osso desenvolvido na periferia. Os doentes ficam cada vez mais limitados, até ao ponto de não conseguirem mover a articulação sem um grande esforço e fortes dores.

O tratamento baseia-se na luta contra a dor e a inflamação, na recuperação do movimento e na tentativa de atrasar a progressão da doença. Nas formas mais avançadas da doença podem ser colocadas, nalgumas localizações, próteses articulares.

O tratamento sintomático baseia-se em medidas gerais de protecção articular – períodos de repouso, regras para levantar e transportar cargas, por exemplo, agentes físicos – gelo, calor através de água quente ou infra-vermelhos e fármacos. Os fármacos para uso sintomático são os analgésicos como o paracetamol e, em casos mais graves, em associação com opióides fracos. Também se utilizam anti-inflamatórios não esteróides que, embora devam ser judiciosamente administrados, na menor dose e no mais curto intervalo de tempo, podem ser muito úteis no controlo dos sintomas associados a inflamação. Além das formas orais, também as tópicas podem ser eficazes, sobretudo se aplicadas repetidamente e em problemas superficiais onde a penetração do fármaco possa estar assegurada.

Por vezes, podem ser úteis injecções intra-articulares de hialorunanos (derivados do ácido hialurónico presente na cartilagem e no líquido sinovial), que muitas vezes aliviam os sintomas por vários meses, e injecções com corticóides de estruturas peri-articulares (tendões, ligamentos, bolsas sinoviais) que muitas vezes se inflamam podendo causar forte sintomatologia

Para além do tratamento sintomático é da maior importância tentar evitar a progressão da doença. Existem fármacos tomados por via oral que, para além de aliviarem os sintomas, têm uma acção comprovada no atraso da progressão da osteoartrose do joelho e que são o sulfato de glucosamina e o sulfato de condroitina. Neste capítulo de atrasar a evolução são fundamentais todas as medidas não farmacológicas que evitem a sobrecarga ou o mau uso da articulação, como emagrecer os obesos ou a inibição de certas actividades profissionais ou recreativas. É provável que o exercício físico controlado, para além de melhorar os sintomas, também facilite a mobilidade ou até atrase o agravamento da doença.

A cirurgia ortopédica, ao corrigir desvios e deformações mas sobretudo realizando artroplastias, isto é, a colocação de próteses articulares em substituição das já muito degradadas, constitui um enorme avanço terapêutico, quase sempre com resultados muito satisfatórios.

O combate à osteoartrose consiste nas medidas gerais que, afinal, são recomendadas para todos os problemas do aparelho locomotor e muitas até são úteis para todo o organismo: identificar precocemente alterações como deformidades dos membros ou um excesso ponderal que, mais tarde ou mais cedo, vão acabar por causar um a sobrecarga e levar ao aparecimento e agravamento da doença. Uma alimentação saudável e exercício físico contribuem para esse fim e promovem um desenvolvimento e a manutenção de todos os constituintes do aparelho locomotor, desde os músculos aos ossos, passando pelas articulações e nestas pela cartilagem.

É fundamental o uso prudente de medicamentos para alívio dos sintomas, de forma a diminuir o risco de eventos adversos – principalmente de natureza digestiva e renal, mas, por outro lado, a toma precoce de medidas, farmacológicas e de outra natureza, que possam fazer atrasar a doença.

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Autor
Sociedade Portuguesa de Reumatologia
Referência

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