O cancro da pele não-melanomaCancro

Atualizado em: Segunda, 18 de Maio de 2015 | 481 Visualizações

O cancro de pele tem origem nas células, a unidade básica do organismo. Normalmente, as células da pele crescem e dividem-se para dar lugar a novas células. Diariamente, as células da pele envelhecem e morrem e são substituídas por novas células. Por vezes, este processo sistemático corre mal, formando-se novas células sem que a pele tenha necessidade delas, e sem que as células envelhecidas morram quando deviam. Este excesso de células pode formar uma massa de tecido designada por neoplasia ou tumor.

As neoplasias ou tumores podem ser benignas ou malignas:

  • As neoplasias benignas não são cancro:
    • As neoplasias benignas raramente põem a vida em risco.
    • Geralmente, as neoplasias benignas podem ser removidas e não costumam voltar a crescer.
    • As células das neoplasias benignas não invadem os tecidos adjacentes.
    • As células das neoplasias benignas não se espalham para outras partes do organismo
  • As neoplasias malignas são cancro:
    • As neoplasias malignas são geralmente de maior gravidade do que as neoplasias benignas e podem ser fatais. Contudo, os dois tipos de cancro de pele mais comuns provocam apenas uma em cada mil mortes por cancro.
    • Regra geral, as neoplasias malignas podem ser removidas, embora possam voltar a crescer.
    • As células das neoplasias malignas podem invadir e danificar os tecidos e órgãos adjacentes.
    • As células das neoplasias malignas podem alastrar para outras partes do corpo. À disseminação do cancro dá-se o nome de metastização.

O seu médico pode descrever-lhe as suas opções de tratamento e os resultados esperados para cada uma delas. O doente e o seu médico podem trabalhar juntos para elaborar um plano de tratamento adaptado às suas necessidades.

A cirurgia é o tratamento habitual em pessoas com cancro de pele. Em alguns casos, o médico pode sugerir quimioterapia tópica, terapia fotodinâmica ou radioterapia.

Uma vez que os tratamentos do cancro de pele podem danificar células e tecidos saudáveis, poderão ocorrer efeitos secundários indesejáveis. Estes efeitos dependem sobretudo do tipo e extensão do tratamento. Os efeitos secundários podem variar de pessoa para pessoa.

Antes de iniciar o tratamento, o seu médico irá explicar-lhe quais são os possíveis efeitos secundários e sugerir-lhe formas para lidar com eles.

Muitos cancros de pele podem ser facilmente removidos. No entanto, os doentes podem necessitar de cuidados de suporte para controlar a dor e outros sintomas, aliviar os efeitos secundários do tratamento e atenuar os problemas emocionais.

Poderá falar com o seu médico sobre a participação num ensaio clínico, um estudo de pesquisa de novos métodos para tratar a neoplasia ou impedir a sua recorrência.

Cirurgia

A cirurgia para tratar o cancro de pele pode ser realizada de várias formas. O método utilizado pelo médico depende do tamanho e do local onde se encontra a neoplasia, assim como de outros factores.

O médico pode descrever mais detalhadamente estes tipos de cirurgia:

  • remoção cirúrgica da pele afectada (excisão ou exérese) é um tratamento comum para remover o cancro de pele. Após limpar e desinfectar a área, o cirurgião remove a neoplasia e a zona circundante com um bisturi. A pele desta zona e as margens serão analisadas ao microscópio para garantir que todas as células cancerígenas foram removidas. A dimensão da margem depende do tamanho da neoplasia.
  • A cirurgia de Mohs (também designada por cirurgia micrográfica de Mohs) é utilizada em alguns tipos de cancro de pele. A área da neoplasia é anestesiada, sendo em seguida cortadas pequenas camadas da margem da neoplasia que são imediatamente observadas ao microscópio. O cirurgião repete este procedimento até deixar de visualizar células cancerígenas. Deste modo, o cirurgião pode remover a totalidade do cancro e apenas uma pequena porção de tecido saudável.
  • electrocoagulação e a curetagem são frequentemente utilizadas para remover pequenos basaliomas. O médico anestesia a área a ser tratada e o cancro é removido com um dispositivo afiado com a forma de uma colher, denominado cureta. A área tratada é submetida a uma corrente eléctrica que controla a hemorragia e destrói qualquer célula cancerígena que possa ter permanecido naquela área. A electrocoagulação e a curetagem são procedimentos rápidos e simples.
  • criocirurgia é mais utilizada em pessoas que não podem submeter-se a outros tipos de cirurgia. Este tratamento pode causar edema (inchaço) e lesar certos nervos, cujo resultado é a perda de sensibilidade na área afectada.
  • cirurgia laser utiliza um feixe fino e côncavo de luz para remover ou destruir células cancerígenas. É utilizada sobretudo em neoplasias localizadas apenas na camada exterior da pele.
  • São por vezes necessários enxertos para fechar os orifícios provocados pela cirurgia. Em primeiro lugar, o cirurgião anestesia uma porção de pele saudável de outra região do corpo (p.ex. parte de cima da coxa) removendo-a em seguida. O enxerto é usado para cobrir a área de onde foi retirado o tumor. Os doentes com enxertos de pele, devem ter cuidados especiais com a área do enxerto até à sua cicatrização.

O tempo de cicatrização após a cirurgia varia de caso para caso. É normal sentir algum desconforto durante os primeiros dias. Contudo, existem medicamentos que ajudam a aliviar a dor. Antes da cirurgia, o médico, ou um enfermeiro, falará consigo sobre o plano estabelecido para aliviar a dor. Depois da cirurgia, esse plano pode ser ajustado em função da necessidade

A cirurgia deixa sempre uma cicatriz, cujo tamanho e cor depende da dimensão do tumor, do tipo de cirurgia e do modo como a sua pele cicatriza.

Para qualquer tipo de cirurgia, incluindo enxertos de pele ou cirurgia reconstrutiva, é importante seguir os conselhos do seu médico relativamente à higiene, prática de exercício físico ou outras actividades.

Poderá querer colocar ao seu médico as seguintes questões sobre a cirurgia:

  • A que tipo de cirurgia irei ser submetido?
  • Irei necessitar de um enxerto de pele?
  • Qual será o aspecto da minha cicatriz? Poderá ser feita alguma coisa de modo a reduzir o tamanho da cicatriz? Necessitarei de cirurgia plástica ou reconstrutiva?
  • Como me sentirei depois da operação?
  • Se tiver dores, como serão controladas?
  • Terei necessidade de ficar no hospital?
  • No local onde o cancro foi removido será mais provável ter uma infecção, edema ou ficar com uma cicatriz?

Terapia fotodinâmica

A terapia fotodinâmica (PDT) utiliza uma substância química (um agente fotossensibilizador) e uma fonte especial de luz (como a luz de um laser) para matar as células cancerígenas. Esta substância é aplicada directamente na pele ou injectada de forma a permanecer mais tempo nas células cancerígenas do que nas células normais. Horas ou dias depois, esta luz especial irá incidir na neoplasia. O agente químico é activado e destrói as células cancerígenas em redor.

A PDT é utilizada para tratar tumores que se encontram na superfície da pele ou em zonas muito próximas.

Em geral, os efeitos secundários da PDT são moderados. A PDT pode provocar queimaduras ou sensação de formigueiro, edema ou vermelhidão. Pode deixar uma cicatriz nos tecidos saudáveis em redor da neoplasia. Se for submetido a PDT, deverá evitar a exposição directa ao sol e a luzes durante pelo menos 6 meses após o tratamento.

Poderá querer colocar ao médico as seguintes questões sobre PDT:

  • Terei de permanecer no hospital enquanto o agente químico estiver no meu corpo?
  • Terei necessidade de ser submetido ao tratamento mais do que uma vez?

Radioterapia

A radioterapia (também designada por terapia de radiação) utiliza raios altamente energéticos para matar células cancerígenas. Os raios são emitidos a partir de um grande aparelho e dirigem-se apenas às células afectadas. Este tratamento é administrado num hospital ou clínica, numa única dose ou em várias doses durante algumas semanas.

Não é muito comum recorrer à radioterapia no tratamento do cancro de pele, a não ser em tumores localizados em zonas de difícil acesso ou para que o doente não fique com cicatrizes muito profundas. O mesmo poderá acontecer se a neoplasia estiver localizada nas pálpebras, nas orelhas ou no nariz. Outro motivo para o seu uso é o reaparecimento do tumor após cirurgia.

Os efeitos secundários dependem sobretudo da dose de radiação e da região tratada. Durante o tratamento a pele da área tratada pode ficar avermelhada, seca e delicada. O médico poderá sugerir formas de aliviar os efeitos secundários da radioterapia.

Poderá querer colocar ao seu médico as seguintes questões sobre a radioterapia:

  • Como me irei sentir depois da radiação?
  • No local onde o cancro foi removido terei maior probabilidade de infecção, de edema, de ter uma hemorragia ou de ficar com uma cicatriz?
  • Que cuidados deverei ter com a zona submetida ao tratamento?

Por vezes, durante a biópsia, é removida a totalidade do tumor. Nestes casos, pode não ser necessário mais tratamento. Caso necessite de mais tratamento, o seu médico falará consigo sobre as opções existentes.

O tratamento do cancro de pele depende do tipo de tumor, do seu estadio de evolução, do seu tamanho e da sua localização, bem como do seu estado geral de saúde e antecedentes clínicos. Na maioria dos casos, o objectivo do tratamento é remover ou destruir completamente o tumor.

Antes da consulta, é útil fazer uma lista das perguntas que quer fazer. Para ser mais fácil lembrar-se do que o médico disse, pode tomar notas ou utilizar um gravador. Alguns doentes preferem estar acompanhados por um familiar ou amigo  quando falam com o médico.

O médico pode encaminhar o doente para um especialista ou o próprio doente pode pedir-lhe que o faça. Os especialistas que tratam o cancro de pele são os dermatologistas, os cirurgiões e os radioterapeutas.

Obter uma Segunda Opinião

Antes de iniciar o tratamento, o doente pode querer ouvir uma segunda opinião acerca do diagnóstico, do estadio da doença e do plano de tratamento. Reunir os resultados dos exames médicos e preparar-se para consultar outro médico pode demorar algum tempo. Na maioria dos casos, um breve atraso não diminui a eficácia do tratamento. Para ter a certeza, deve falar com o seu médico sobre este atraso no início do tratamento. Algumas pessoas com cancro de pele necessitam de tratamento imediato.

Existem várias formas de encontrar um médico para obter uma segunda opinião:

  • O seu médico pode encaminhá-lo para um ou mais especialistas. Nos centros de oncologia, é prática comum os diferentes especialistas trabalharem em equipa.

Poderá querer colocar ao médico as seguintes questões antes de iniciar o tratamento:

  • Qual é o estadio de evolução da doença?
  • Quais são as minhas opções de tratamento? Qual é que me recomenda? Porquê?
  • Quais são os benefícios esperados para cada tipo de tratamento?
  • Quais são os riscos e os possíveis efeitos secundários de cada tratamento? O que podemos fazer para controlar os efeitos secundários?
  • O tratamento irá afectar a minha aparência? Se o tratamento afectar a minha aparência, um cirurgião plástico ou reconstrutivo pode ajudar-me?
  • De que modo o tratamento irá afectar a minha actividade normal? Em caso afirmativo, durante quanto tempo?
  • Qual é o custo estimado do tratamento? Este tratamento é comparticipado pelo meu seguro?
  • Com que frequência irei necessitar de realizar consultas de revisão?
  • Um ensaio clínico (estudo de pesquisa) será apropriado para mim?

Se a biópsia revelar a presença de cancro, o seu médico necessita saber a extensão da doença (determinar qual o estadio em que se encontra). Em alguns casos, o médico poderá ter que avaliar os seus gânglios linfáticos para definir o estadio em que se encontra o tumor.

A determinação do estadio baseia-se nos seguintes factores:

  • Tamanho da neoplasia
  • Que profundidade atingiu sob a camada superior da pele
  • Se atingiu os gânglios linfáticos adjacentes ou outras partes do organismo

Os estadios de evolução do cancro de pele são os seguintes:

  • Estadio 0: O cancro está apenas limitado à camada superior da pele. É um carcinoma in situ.
  • Estadio I: A neoplasia já não está limitada à camada superior da pele, mas não excede os 2 centímetros de maior eixo.
  • Estadio II: A neoplasia já não está limitada à camada superior da pele e tem mais de 2 centímetros de maior eixo.
  • Estadio III: O cancro disseminou-se para estruturas adjacentes como as cartilagens, músculos, ossos ou para gãnglios linfáticos adjacentes. Não atingiu outras partes do organismo.
  • Estadio IV: O cancro disseminou-se para outras partes distantes do organismo.

Se tiver uma alteração da pele, o médico deve procurar saber se se trata de cancro ou se é devida a outra causa. O médico poderá remover a totalidade ou parte da área de aspecto anómalo, que será depois enviada analisada macroscopicamente por um patologista. A este processo dá-se o nome biópsia, que é a única forma segura para diagnosticar o cancro de pele.

A biópsia pode ser feita num consultório médico, numa clínica ou no hospital, em regime ambulatório. A escolha do local depende do tamanho e da localização da área afectada. Em geral, para a realização deste procedimento é administrada anestesia local.

Existem quatro tipos principais de biópsia da pele:

  1. Punção-biópsia: O médico utiliza um dispositivo oco e afiado para remover um círculo de tecido na área afectada.
  2. Biópsia incisional: O médico utiliza um bisturi para remover parte da neoplasia.
  3. Biópsia excisional: O médico utiliza um bisturi para remover a totalidade da neoplasia e algum tecido adjacente.
  4. Excisão tangencial: O médico utiliza uma lâmina fina e afiada para cortar a neoplasia.

Poderá querer colocar ao seu médico as seguintes questões antes de realizar uma biópsia:

  • Que tipo de biópsia me recomenda?
  • Como será realizada a biópsia?
  • Terei necessidade de ir para o hospital?
  • Quanto tempo demorará? Estarei acordado? Vai doer?
  • Existem alguns riscos? Quais são as probabilidades de ocorrer uma infecção ou hemorragia depois da biópsia?
  • Qual será o aspecto da minha cicatriz?
  • Quando saberei os resultados? Quem mos irá explicar?

Grande parte dos carcinomas basocelulares e espinocelulares têm tratamento, especialmente se forem identificados precocemente.

Uma alteração na pele é o indicador mais frequente de cancro de pele. Pode ser uma nova neoplasia, uma ferida que não cicatriza ou uma alteração de uma neoplasia já existente. Nem todos os cancros de pele têm a mesma aparência.

Na maioria dos casos, o cancro de pele não é doloroso.

É importante observar a sua pele e regularmente para garantir que não existem novas neoplasias ou outras alterações. Na área auto exame poderá encontrar as melhores formas de observar a pele. Lembre-se que este tipo de alterações não significa necessariamente que se trata de cancro de pele. Contudo, deve comunicar de imediato estas alterações ao seu médico. Pode necessitar de consultar um dermatologista, médico especializado no diagnóstico e tratamento de problemas de pele.

A melhor forma de prevenir o cancro de pele é proteger-se do sol. As crianças, em particular, devem ser bem protegidas. Os médicos recomendam a todas as pessoas que limitem o tempo de exposição ao sol e evitem outras fontes de radiação UV.

  • Sempre que possível, deve evitar a exposição sol do meio do dia (do meio da manhã até ao fim da tarde). Também se deve proteger da radiação UV reflectida pela areia, água, neve e gelo. A radiação UV pode atravessar roupas finas, pára-brisas, janelas e nuvens.
  • Procure usar roupa com mangas e pernas compridas de tecido forte, um chapéu de aba larga e óculos de sol que absorvam as radiações UV.
  • Utilize loções com protector solar. Os protectores solares podem ajudar a prevenir o cancro de pele, especialmente os de largo espectro (filtram os raios UVB e UVA), com um factor de protecção solar (FPS) de pelo menos 15. Apesar do uso destes protectores, deve evitar a exposição prolongada ao sol.
  • Não se recomenda o uso de lâmpadas ultravioletas e de solários.

Sabemos que o cancro de pele não é contagioso, ou seja, não pode “apanhá-lo” de outra pessoa.

As investigações têm revelado que as pessoas com determinados factores de risco estão mais predispostas que outras a desenvolver cancro de pele. Um factor de risco é algo que pode aumentar a probabilidade de alguém vir a desenvolver uma doença.

Alguns estudos determinaram os seguintes factores de risco de cancro de pele:

  • Radiação ultravioleta (UV): A radiação UV vem do sol, lâmpadas ultravioleta, solários horizontais ou verticais. O risco de desenvolver cancro de pele está relacionado com a exposição a radiação UV durante a vida. A maioria dos cancros de pele aparece após os 50 anos, embora o sol comece a danificar a pele em idades mais jovens e possam surgir cancros de pele em idades jovens.
    A radiação UV afecta-nos a todos. As pessoas de pele clara que fica facilmente sardenta ou queimada apresentam um risco acrescido. Em geral, estas pessoas também têm cabelo ruivo ou louro e olhos claros. No entanto, as pessoas com tons de pele mais escuros também podem vir a sofrer de cancro de pele.
    As pessoas que vivem em zonas com alto teor de radiação UV apresentam risco acrescido de vir a sofrer de cancro de pele. As populações que vivem nas montanhas também estão expostas a níveis mais elevados de radiação UV.
    A radiação UV está presente mesmo em dias frios ou com nevoeiro.
  • Cicatrizes ou queimaduras na pele
  • Infecção por determinados vírus do papiloma humano (HPV)
  • Exposição a arsénico no local de trabalho
  • Inflamação crónica da pele ou úlceras da pele
  • Doenças que tornam a pele sensível ao sol, como xeroderma pigmentoso, albinismo e síndrome nevo basocelular
  • Radioterapia
  • Estados de saúde ou fármacos que suprimem o sistema imunitário
  • Antecedentes de um ou mais cancros de pele
  • Antecedentes familiares de cancro de pele
  • Queratose actinica: manifesta-se como pápula ou placa vermelha, com uma escama aderente, localizada nas áreas da pele cronicamente expostas ao sol, especialmente a face e as mãos. As neoplasias podem ter um aspecto rugoso e avermelhado ou apresentarem-se sob a forma de manchas castanhas na pele e fissuras ou zonas de descamação no lábio inferior que não cicatrizam.
    Sem tratamento, uma pequena percentagem destas neoplasias pavimentosas pode evoluir para carcinoma pavimentoso ou espinocelular.
  • Doença de Bowen: A doença de Bowen apresenta-se sob a forma de mancha descamativa ou espessa que pode evoluir para carcinoma espinocelular.

Se pensa que pode estar em risco de ter cancro de pele, deve falar com o seu médico, que lhe poderá sugerir formas de reduzir o risco e elaborar um calendário para a realização de consultas de vigilância.

A pele é o órgão mais extenso do corpo. Protege do calor, da luz, dos ferimentos e das infecções e ajuda a controlar a temperatura do corpo, para além de armazenar água e gordura. A pele também produz vitamina D.

A pele é constituída por duas camadas:

  • Epiderme: A epiderme é a camada superior da pele. É constituída por células planas, as células pavimentosas. Por baixo das células pavimentosas, situadas na parte mais profunda da epiderme, encontram-se umas células de forma arredondada designadas por células basais. O pigmento (cor) da pele é produzido por umas células chamadas melanócitos, que se localizam na parte inferior da epiderme.
  • Derme: A derme está localizada por baixo da epiderme. Contém vasos sanguíneos, vasos linfáticos (por onde circula a linfa) e glândulas. Algumas destas glândulas produzem suor, que ajuda a arrefecer o corpo, outras produzem sebo, uma substância oleosa que ajuda a manter a pele hidratada. O suor e o sebo atingem a superfície da pele através de pequenos orifícios designados por poros.u

O médico, ou enfermeiro, pode recomendar-lhe que examine regularmente a sua pele para verificar se existem potenciais indicadores de cancro de pele, incluindo o melanoma.

A melhor altura para o fazer é depois de tomar duche ou banho. Deverá observar a sua pele num quarto com muita luz, utilizando um espelho grande que lhe permita ver o corpo todo e um espelho de mão. O melhor será começar por saber onde estão localizados os seus sinais, manchas, verrugas e outras marcas (mesmo as que nasceram consigo) e qual é o seu aspecto habitual e a sua sensação ao toque.

Procure algo de novo:

  • Novos sinais (que tenham um aspecto diferente dos outros)
  • Novas manchas avermelhadas ou escuras, descamativas e que possam apresentar algum relevo
  • Uma nova protuberância, sólida e da cor da pele
  • Alterações ao tamanho, formato, cor ou ao toque de sinais já existentes
  • Uma ferida que não cicatriza
  • Observe-se da cabeça aos dedos dos pés, não se esqueça das costas, do couro cabeludo, da região genital e entre as nádegas.
  • Observe a face, o pescoço, as orelhas e o couro cabeludo. Poderá utilizar um pente ou um secador para afastar o cabelo e conseguir ver melhor.
  • Pode também pedir a um familiar ou amigo que o ajude a observar o couro cabeludo, pois pode ser difícil fazê-lo sozinho.
  • Observe a parte da frente e de trás do seu corpo no espelho. Depois levante os braços e observe o lado esquerdo e o lado direito.
  • Dobre os cotovelos. Observe atentamente as unhas, as palmas das mãos, os antebraços (incluindo a parte interna) e os braços.
  • Observe as pernas e a região em redor dos genitais e entre as nádegas, de vários ângulos (trás, frente e de lado).
  • Sente-se e observe de perto os seus pés, incluindo as unhas, a planta do pé e os espaços entre os dedos.

Ao observar a sua pele regularmente fica a conhecer o aspecto normal dos seus sinais ou manchas. Também poderá assentar as datas em que examinou a sua pele, ou até tirar notas sobre o seu aspecto. Se o médico tiver tirado fotografias da sua pele, pode compará-las com a sua própria pele para o ajudar a detectar alterações. Consulte o médico se notar algo fora do normal.

Os cancros de pele são designados de acordo com o tipo de células que se tornam cancerígenas.

Os dois tipos de cancro de pele não-melanoma mais comuns são o carcinoma basocelular e o carcinoma espinocelular ou pavimentoso ou epidermoide. Este tipo de carcinomas tende a aparecer na cabeça, na face, no pescoço, nas mãos e nos braços, as áreas mais expostas ao sol. Porém, o cancro de pele pode surgir em qualquer parte do corpo.

  • carcinoma basocelular ou basalioma cresce lentamente. Aparece com frequência em áreas da pele que estiveram expostas ao sol, sendo mais comum na face. O carcinoma basocelular raramente se espalha para outras partes do organismo.
  • carcinoma pavimentoso ou espinocelular também se desenvolve em áreas da pele que estiveram expostas ao sol. Pode, no entanto, aparecer em locais não expostos ao sol. O carcinoma espinocelular pode atingir os gânglios linfáticos e alguns órgãos.

Se o cancro de pele se disseminar do seu local de origem para outra parte do organismo, a nova neoplasia tem o mesmo tipo de células anormais, sendo designada por metástase do carcinoma da pele que lhe deu origem.

Cancro da Pele - Folheto-1

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Referência

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