Nefropatia DiabéticaDiabetes

Atualizado em: Segunda, 18 de Maio de 2015 | 440 Visualizações

A Nefropatia Diabética é a doença renal que resulta das lesões provocadas pela Diabetes Mellitus.

Trata-se actualmente da principal causa de doença renal crónica em estádio 5, a necessitar de tratamento de substituição da função renal (diálise ou transplante renal), correspondendo a cerca de um terço de todos os doentes que iniciam diálise regular.

Caracteriza-se por albuminúria (presença de albumina na urina) persistente, evoluindo para proteinúria e síndrome nefrótico (é, de todas, a mais frequente causa de síndrome nefrótico) e insuficiência renal crónica.  

Atinge cerca de 30 a 40% dos doentes na diabetes tipo I e 20 a 25% dos doentes com diabetes tipo II. O facto de haver muito mais diabéticos tipo II em diálise resulta da maior prevalência deste tipo de diabetes.

Todas as causas de síndrome nefrótico devem ser ponderadas, quando esta é a forma de apresentação da doença renal. Pode haver sintomas/sinais localizadores. A hematúria, em princípio, não existe nestes doentes e a sua presença obriga a outras investigações.

Na fase de insuficiência renal, a presença de rins de tamanho normal é característica da nefropatia diabética, constituindo um elemento útil para o diagnóstico diferencial com outras causas de doença renal crónica.

Há evidências de que o mau controlo quer metabólico quer tensional é factor acelerador do agravamento da nefropatia.

Há também uma susceptibilidade ditada pela etnicidade (aumentada nos asiáticos, algumas tribos índias americanas, população afro-americana, mais do que nos caucasianos); pelo género (aumento nos homens); ou pela idade de início da diabetes (quanto mais cedo, mais grave: entre os 11 e os 20 para a diabetes tipo I e, depois dos 50, para a diabetes tipo II), havendo uma fase – a puberdade – em que a progressão da hipertrofia renal é mais notória.

Foram definidas 5 fases:

Fase I - Há uma hipertrofia e hiperfiltração glomerular; é uma fase subclínica.

Fase II -  Ainda clinicamente silenciosa, a taxa de filtração glomerular mantém-se aumentada, histologicamente manifesta-se por um espessamento inespecífico da membrana basal e aparece uma expansão mesangial.

Fase III -  Corresponde ao aparecimento de microalbuminúria, tratando-se da primeira fase com expressão clínica; por vezes, começa a aparecer nesta fase uma ligeira subida da pressão arterial; há também progressão das alterações histológicas com aumento da espessura da membrana basal glomerulare aumento ainda maior da matriz mesangial que estão na origem da formação dos nódulos de Kimmestiel-Wilson.

Fase IV - As alterações histológicas estão estabelecidas e acentuam-se, a hipertensão arterial existe em quase todos os doentes; a albuminúria torna-se manifesta no exame sumário da urina (Combur®), passando a designar-se por macroalbuminúria; aparece proteinúria franca, evoluindo para síndrome nefrótico. Este síndrome, além da proteinúria, caracteriza-se pela presença de hipoproteinemia (baixa de proteínas no sangue); edemas (inchaço) de predomínio matinal e orbitário; dislipidemia (alteração da concentração das gorduras - colesterol e triglicerídeos - do sangue).

Fase V - Desenvolve-se insuficiência renal crónica, que progride para a necessidade de substituição da função renal.

O tratamento da Nefropatia diabética passa pelo controlo estrito da hipertensão arterial e pelo controlo da glicemia. Os fármacos de eleição são os inibidores da enzima de conversão da angiotensina ou os bloqueadores dos receptores da angiotensina, pois promovem a vasodilatação da arteríola eferente, diminuindo a pressão de filtração glomerular.

Na fase de insuficiência renal, a prevenção do seu agravamento passa também por esse controlo. Em fases avançadas, poderá ser necessário o tratamento da anemia com eritropoetina ou darbepoetina, o controlo do metabolismo fosfo-cálcico, da acidose metabólica, a preparação atempada de acesso vascular para hemodiálise e, quando aplicável, a inscrição em lista de espera para transplante renal.

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Autor
Alert Science
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