Lúpus EritematosoOssos, Articulações e Músculos

Atualizado em: Segunda, 18 de Maio de 2015 | 1534 Visualizações

0 Lúpus não é contagioso, aparecendo sob uma de duas formas:  

1 - Na pele LÚPUS DISCÓIDE (LD)  

2 - Nos órgãos internos LÚPUS ERITEMATOSO SISTÉMICO (LES)   Nota: por vezes é denominado LÚPUS ERITEMATOSO DISSEMINADO (LED)

A causa do lúpus é desconhecida.

Algumas teorias admitem que uma combinação de factores genéticos, hormonais e ambientais (tais como certos medicamentos, infecções e excesso de exposição solar) pode ser determinante no aparecimento da doença. Verificou-se que, nas famílias de doentes com lúpus, há uma frequência maior que o normal de artrite reumatóide e outras doenças auto-imunes.

Muitos dos familiares têm anticorpos no sangue, embora possam não ter qualquer sintoma da doença. Outras teorias focam um tipo especial de reacção alérgica. Um doente desenvolve anticorpos contra os seus próprios tecidos, como se fosse alérgico a si próprio.

Contudo, a questão básica continua por responder: o que é que faz com que um doente produza estes anticorpos contra os seus próprios tecidos? Determinar a causa desta doença será um passo importante na prevenção e cura da mesma.

Em menos de 10% de doentes com LES, a doença pode ter sido causada por um medicamento. É essencial que o seu médico saiba todos os medicamentos que está a tomar, incluindo vitaminas, remédios para as dores de cabeça, etc.

Os sintomas são variados e não há dois doentes que tenham o mesmo quadro clínico. Qualquer parte do organismo pode ser atingido e, assim, os sintomas podem ser vários e várias as combinações: febre, aumento da fadiga, queda do cabelo, úlceras orais, precordialgia persistente, rash cutâneo, dispneia, dores abdominais, cefaleias persistentes ou recorrentes, paralisias, convulsões ou alucinações. As dores articulares no LES não deixam sequelas como na Artrite Reumatóide.

O doente com LES pode ter períodos críticos, com queixas intensas, alternados com períodos leves e sem sintomas, a que se chama "remissão". As crises vão e vêm tão imprevisivelmente, que não há dois casos iguais.

Algumas causas desencadeadoras de crise são a exposição excessiva ao sol, acidentes, trabalho em demasia, paragem da medicação com que o doente tem estado a controlar a doença, hábitos irregulares de vida e causas emocionais.

Muitas vezes, o prenúncio de uma crise pode ser detectado e tratado, ante; de o doente ter uma crise intensa.

Geralmente são necessários medicamentos para tratar uma crise, embora algumas possam ter uma remissão espontânea.

Nunca nos podemos esquecer de que a paragem brusca da medicação, particularmente doses grandes de derivados de de cortisona, pode levar a uma crise da doença, por vezes fatal.

Durante os períodos em que os sintomas da doença não se manifestam, diz-se que os doentes estão em "remissão". Os médicos utilizam o termo "remissão" ou "doença controlada" para designar estes períodos livre: sintomas, e não "cura". Mas, tanto os médicos como os doentes devem permanecer atentos a uma recorrência dos sintomas, o que pode ser causado por alguns factores, tais como um aumento do stress, infecções, excesso de exercício físico, etc.

No Lúpus Discóide, a irritação da pele é tão típica que um médico experimentado pode fazer o diagnóstico pela história e o aspecto do rash cutâneo facial. Em caso de dúvida, faz-se uma biopsia da pele. É essencial que cada doente com Lúpus Discóide tenha um exame físico completo, incluindo testes laboratoriais para verificar a possibilidade de um LES.

O diagnóstico do LES é, por vezes, difícil. Implica meses de observação e vários exames laboratoriais. Devido aos diferentes sintomas, muitos doentes pensam ter outra doença, antes de ser feito o diagnóstico correcto. Frequentemente, o LES começa como uma doença reumática comum, com tumefacção de algumas ou muitas articulações das mãos, dos pés, dos joelhos ou dos punhos. Se houver lesões típicas da pele, tornar-se-á mais fácil o diagnóstico. Outros sintomas como a fadiga, a pleurisia ou a doença renal são mais típicos do LES. Para além de uma história clínica completa e do exame físico, são necessários outros exames.

Faz parte da avaliação inicial do doente com lúpus análises ao sangue e urina, uma radiografia de tórax e um ecocardiograma. São determinados os Anticorpos Antinucleares (ANA) e outros auto-anticorpos característicos do lúpus e doseadas fracções do complemento sérico (uma proteína que está diminuída durante as fases activas da doença). Há outras análises e exames que poderão ser feitos, dependendo do caso concreto.

Em 10% dos doentes, os exames laboratoriais podem não revelar alterações, apesar da evidência clínica de sinais característicos do LES. Os exames laboratoriais de rotina devem ser repetidos em intervalos regulares. Assim, pode-se saber se o doente está em remissão ou se a doença está activa. Nem todos os doentes com LES apresentam Anticorpos Antinucleares (ANA), mas a grande maioria terá este teste positivo no decurso da doença. Os ANA podem estar positivos noutras doenças e também numa pequena percentagem de pessoas saudáveis. Nenhum teste isolado, quer seja positivo quer negativo, permite estabelecer o diagnóstico de lúpus.

(Tradução e adaptação do folheto da "American Lupus Society")

O LÚPUS DISCÓIDE apresenta um tipo particular de lesões na pele: erupções com escamas, principalmente nas zonas mais expostas à luz. Estes doentes sentem, por vezes, dores nas articulações e fadiga.
 
O LÚPUS ERITEMATOSO SISTÉMICO é uma doença auto-imune. É considerado uma doença crónica, sistémica, do tecido conjuntivo, envolvendo o sistema imunitário do corpo.
 
CRÓNICA porque é uma condição que dura um largo período de tempo, não tendo cura.
 
SISTÉMICA porque pode atingir múltiplos órgãos ou sistemas.
 
No LES surgem alterações nos vasos sanguíneos e no tecido conjuntivo, o qual suporta as células do corpo da mesma maneira que a argamassa une e suporta os tijolos de uma casa. Por vezes, há irritação da pele, como no LÚPUS DISCÓIDE, mas na maior parte das vezes a pele tem um aspecto normal.
 
O LES pode manifestar-se com várias intensidades. Pode ser uma doença ligeira, mas pode também atingir órgãos vitais.
 
O mesmo doente pode, em diferentes crises, ter queixas de intensidad variável, sem relação entre si. Um grande número de pessoas com LES te poucos sintomas, podendo fazer uma vida relativamente normal.
 
O lúpus varia de ligeiro a ameaçador de vida. Mesmo num caso ligeiro, pode tornar-se muito severo se não for devidamente tratado. Os resultados do tratamento são geralmente bons, graças aos medicamentos recentemente descobertos. A gravidade de cada caso de LES deve ser discutida cor médico.
 
O LÚPUS NÃO É INFECCIOSO, NEM CONTAGIOSO, NEM É UM TIPO DE CANCRO.

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Autor
Sociedade Portuguesa de Reumatologia
Referência

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