Lesões musculares da tíbiaOssos, Articulações e Músculos

Atualizado em: Segunda, 18 de Maio de 2015 | 4394 Visualizações

A dor muscular na tíbia deve-se à lesão dos músculos da mesma.

A causa habitual é um esforço prolongado e repetido sobre a parte inferior da perna. Dois grupos musculares da tíbia são propensos a este tipo de dor. A localização da mesma depende do grupo afectado.  

A dor ântero-lateral afecta os músculos da parte frontal (anterior) e externa (lateral) da tíbia. Este tipo de lesão é o resultado de um desequilíbrio natural no tamanho dos músculos opostos. Os músculos anteriores da perna mantêm a ponta do pé subida e os músculos mais compridos e mais fortes da barriga da perna (posteriores) baixam o pé sempre que o calcanhar toca no chão ao andar ou correr. Os músculos da barriga da perna exercem tanta força que podem lesar os músculos da parte anterior da perna.  

O sintoma principal da cãibra ântero-lateral é a dor na face anterior e externa da tíbia. No princípio, a dor sente-se apenas imediatamente a seguir ao calcanhar ter tocado com força no chão durante a corrida. Se a corrida continuar, a dor aparece a cada passo, tornando-se por fim constante. Em geral, no momento em que a pessoa recorre ao médico, a tíbia já dói ao tacto. Para que estas queixas desapareçam, o corredor deve deixar de correr temporariamente e praticar outro tipo de exercícios. São úteis os exercícios para esticar os músculos da tíbia. Quando os músculos anteriores da perna começam a sarar, os exercícios de estiramento e os exercícios com um balde com pega podem realizar-se em 3 séries de 10 movimentos em dias alternados.

As dores póstero-mediais afectam os músculos da face posterior e interna (medial) da tíbia (os responsáveis pela elevação do calcanhar mesmo antes de os dedos do pé se afastarem do chão). Este tipo de afecção costuma ser o resultado da corrida sobre pistas inclinadas ou ruas com desníveis e pode agravar-se devido à rotação excessiva do pé para dentro, ou pelo uso de sapatilhas de desporto inadequadas para prevenir essa rotação durante a corrida.  

A dor produzida por este tipo de lesão começa habitualmente no lado interno da parte inferior da perna, aproximadamente entre 1 cm e 20 cm acima do tornozelo, e piora quando o corredor pára sobre os dedos ou roda o tornozelo para dentro. Se a pessoa continuar a correr, a dor chega inclusive à parte interna do tornozelo, podendo estender-se pela tíbia até cerca de 5 cm ou 10 cm da rótula. A gravidade da dor aumenta à medida que a lesão vai afectando os músculos da tíbia. Ao princípio, só ficam inflamados e doem os tendões do músculo, mas se a pessoa continuar a correr, podem ver-se afectados inclusive os músculos. Finalmente, a tensão sobre o tendão inflamado pode fazer com que se rasgue ao nível da sua união com o osso, causando hemorragia e maior inflamação. Por vezes, também se rompe a parte da tíbia que está ligada ao tendão.  

O tratamento principal consiste em deixar de correr e fazer outro tipo de exercícios até que a dor passe. As sapatilhas de desporto com calcanhar rígido (a parte posterior do calçado) e os suportes especiais para o arco podem resguardar o pé de uma rotação excessiva. Evitar correr sobre superfícies inclinadas pode ajudar a prevenir a recidiva das dores. Recomenda-se a prática de exercícios de estiramento dos músculos lesionados. Em casos mais graves, nos quais se parte um fragmento do osso da tíbia, pode estar indicada uma intervenção cirúrgica para o fixar. Depois da cirurgia, o paciente deve evitar correr durante muito tempo. Alguns casos que não respondiam a outros tratamentos curaram--se com uma terapia experimental, que consiste na injecção diária de calcitonina (uma hormona que forma o tecido ósseo) ou alendronato (um medicamento que atrasa a perda óssea) administrado por via oral. Por vezes, nenhum dos tratamentos disponíveis é eficaz e o corredor deve abandonar este desporto definitivamente.    

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