Icterícia do recém-nascidoSaúde na Infância - Criança & Bebé

Atualizado em: Quarta, 07 de Outubro de 2015 | 406 Visualizações

Fonte de imagem: saudedicas

A icterícia é a coloração amarelada da pele e mucosas causada pela deposição de um pigmento existente no sangue, chamado bilirrubina. O primeiro local onde se nota o seu aparecimento é geralmente as conjuntivas, sendo também o último sítio onde desaparece.

Quando falamos de icterícia no recém-nascido, temos de considerar a fisiológica e, portanto, normal e a patológica, que traduz doença. A icterícia fisiológica é muito frequente, atingindo aproximadamente dois terços dos recém-nascidos saudáveis (o número entre os bebés prematuros é ainda superior).

Tem como características habituais aparecer pelo 3º ou 4º dia de vida, ser transitória e ter valores pouco elevados de bilirrubina, não sendo geralmente necessário tratamento. O aparecimento de icterícia precoce (até ao 3º dia de vida) ou tardia (após a segunda semana de vida) é motivo para observação por pediatra.

Pensa-se que esta icterícia resulta, por um lado, da maior produção de bilirrubina pela degradação dos glóbulos vermelhos do recém-nascido e, por outro lado, da imaturidade do fígado nesta idade. O facto de o bebé ser alimentado precocemente reduz os níveis de bilirrubina, ao passo que a desidratação, alguns medicamentos, a existência de bossas serossanguíneas ou hematomas e o facto de a mãe ser diabética podem agravar a icterícia.

O aleitamento materno, por si, também é causa de icterícia fisiológica e pode perdurar por algumas semanas, no entanto, isso não é motivo para ser suspenso, salvo se por indicação específica do pediatra.

Existem depois situações em que a icterícia é um sinal de doença, nos quais a bilirrubina atinge geralmente valores mais elevados do que na fisiológica, podendo, nestes casos, surgir nas primeiras 24 horas ou após a primeira semana de vida e com outros sinais e sintomas acompanhantes (alteração do estado geral, alteração da cor da urina e das fezes, aumento do volume do fígado, anemia, etc.).

Algumas causas frequentes de icterícia patológica são, por exemplo, a incompatibilidade sanguínea, as infecções e, após a primeira semana, a atresia das vias biliares.

A presença de coloração amarelada da pele e mucosas pode ser o único sinal clínico

 

É muito importante fazer o diagnóstico diferencial entre estes dois tipos de icterícia, pois, no caso de não se tratar da fisiológica, é preciso tratar a causa subjacente ao aumento da bilirrubina. Para além disso, é necessário distinguir também as falsas icterícias, provocadas pela luz ambiental ou por carotenemia (mais tardia e secundária à ingestão excessiva de cenouras).

Quando se suspeita que um bebé está ictérico, deve fazer-se uma avaliação clínica e também laboratorial para determinar os valores de bilirrubina (bilirrubina total e directa)

 

Na icterícia fisiológica, se não existirem factores de risco não é necessário qualquer tratamento; quando os valores são mais elevados, existe o risco de passar a barreira hematoencefálica e ser tóxica para o cérebro. Assim, existem umas tabelas próprias para este fim, atendendo ao peso de nascimento, aos dias de vida e à existência ou não de doença no bebé que determinam a necessidade de tratamento.

O tratamento baseia-se na exposição a uma alta intensidade de luz no espectro visível, a chamada fototerapia, no entanto, em determinadas situações é necessário proceder-se a uma troca de sangue (exsanguíneo-transfusão).

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Referência
Dra. Elisa Proença Fernandes - Pediatra / Revisto por: Dr. José Matos - Pediatra

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