HematúriaSistema Urinário

Atualizado em: Quinta, 10 de Julho de 2014 | 255 Visualizações

O que é?

Chama-se hematúria ao aparecimento de sangue na urina. Pode ser macroscópica, se for visível a olho nu, sendo normalmente descrita pelo doente como urina vermelha ou da cor da coca-cola, ou microscópica, quando é apenas detectável em exames da urina. A hematúria é indicadora de lesão com hemorragia em algum ponto das vias urinárias: nefrónio, bacinete, ureteres, bexiga ou uretra.

A hematúria pode aparecer isolada, associada a proteinúria ou a clínica de doença sistémica. Pode fazer parte de uma síndrome nefrítica, ou associar-se a uma síndrome nefrótica (embora não faça parte desta síndrome). Associa-se, por vezes, a insuficiência renal rapidamente progressiva.

Faz normalmente parte do quadro clínico de neoplasias, infecções sistémicas, tuberculose, litíase…
 

 

A idade é um importante factor discriminador das causas de hematúria. As causas mais frequentes têm idades de aparecimento distintas: infecção (cistite, pielonefrite, prostatite), cálculos, neoplasias do tracto urinário (em indivíduos mais velhos) e doenças glomerulares (geralmente associadas a outros indicadores de lesão renal).

Na urina podem aparecer dois tipos de eritrócitos: isomórficos e dismórficos. Os primeiros apresentam forma e contornos regulares, ao contrário dos segundos.

Esta divisão é essencial para localizar a origem da hematúria. Quando mais de 80% dos eritrócitos observados são isomórficos, a hematúria é definida como não glomerular.

Os eritrócitos de origem glomerular ficaram deformados na passagem pelas fendas da membrana basal glomerular, ou sofreram agressão físico-química na sua passagem pelos túbulos. Também os túbulos podem deixar a sua marca na hematúria, através da formação de cilindros hemáticos. Os cilindros são um molde dos túbulos, feitos por uma proteína neles produzida, a proteína de Tamm-Horsfall, que aprisiona os eritrócitos que percorrem o trajecto dos túbulos.

A presença de cilindros hemáticos é a prova de que o ponto de partida da hematúria se situa no nefrónio.

Já os eritrócitos isomórficos não sofreram estas agressões, reflectindo o seu menor percurso pelas vias urinárias de maior calibre. Traduzem normalmente causa urológica para a hematúria, ao contrário dos primeiros, que indiciam causa nefrológica para a mesma. Ainda assim um método bastante antigo permite distinguir as hematúrias de origem vesical das de origem uretral.

A esta prova chama-se “a prova dos três vasos de Guyon” e ela requer que o doente urine sucessivamente para três recipientes. Se apenas o primeiro tiver sangue, trata-se de hematúria com origem na uretra.

Se, pelo contrário apenas o terceiro estiver corado, o sangue veio das paredes da bexiga. Se o sangue estiver nos três, a hematúria é provavelmente de origem renal ou do uréter.

A hemoglobina na urina revela-se, normalmente, através do exame sumário de urina, também designado “urina tipo II”.

A fita que se embebe numa amostra de urina ocasional contém uma substância cromogénea que reage com a porção heme da hemoglobina, alterando-se e mostrando pintas verdes, que são devidas a eritrócitos intactos ou um padrão homogéneo difuso, o que ocorre com o aumento de eritrócitos que vão cobrindo completamente a área.

Este padrão difuso também pode ocorrer quando há lise eritrocitária, em urina alcalina, baixa densidade urinária e, ainda, devido à hemoglobinúria liove secundária a hemólise intravascular ou, mesmo, mioglobinúria secundária a rabdomiólise. Por este motivo, o aparecimento de positividade do exame sumário de urina obriga à realização do exame do sedimento urinário, no qual se observa ao microscópio uma amostra do sedimento urinário, depois de centrifugado, na qual se pode confirmar a presença dos elementos figurados na urina, designadamente os eritrócitos.

Note-se que é normal o aparecimento de 0 a 2 eritrócitos por campo de grande ampliação no sedimento urinário. É ainda importante excluir contaminação da vagina ou de lesões da pele.

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