GlaucomaVisão

Atualizado em: Quinta, 09 de Julho de 2015 | 497 Visualizações

O glaucoma é uma perturbação na qual aumenta a pressão dentro do globo ocular, danificando o nervo óptico e causando perda de visão.

Tanto a câmara frontal (anterior) como a traseira (posterior) do olho estão cheias de um líquido fino chamado humor aquoso. Normalmente, o líquido é produzido na câmara posterior, passa pela pupila para a câmara anterior e depois sai do olho através de uns canais específicos (canais de saída). Se a corrente de fluido for interrompida, geralmente devido a uma obstrução que evita que o fluido saia da câmara anterior, a pressão aumenta.

Em geral, o glaucoma não tem uma causa conhecida. No entanto, por vezes afecta membros de uma mesma família. Se os canais de saída estiverem abertos, a doença denomina-se glaucoma de ângulo aberto. Se os canais estiverem bloqueados pela íris, a doença denomina-se glaucoma de ângulo fechado.

O oftalmologista ou o optometrista podem medir a pressão na câmara anterior, chamada pressão ou tensão intra-ocular, utilizando um procedimento simples e indolor chamado tonometria. Normalmente, as medições que ultrapassam os 20 mm a 22 mm, indicam uma pressão elevada. Em alguns casos, o glaucoma surge mesmo quando as pressões são normais. Por vezes, devem ser feitas várias medições com o passar do tempo, para confirmar que se trata de um problema de glaucoma. Um exame com um oftalmoscópio (um instrumento utilizado para ver dentro do olho) pode revelar alterações visíveis no nervo óptico causadas pelo glaucoma. Por vezes, o especialista usa uma lente especial para observar os canais de saída; este procedimento denomina-se gonioscopia.

O glaucoma provoca a perda da visão periférica ou pontos cegos no campo visual. Para determinar se esses pontos cegos existem, o especialista pede à pessoa que olhe em frente, para um ponto central, e que lhe diga quando consegue ver luz. O teste pode ser feito usando tanto um ecrã e um ponteiro como um instrumento automático que usa pontos de luz

O glaucoma secundário surge porque o olho foi danificado por uma infecção, uma inflamação, um tumor, uma grande catarata ou qualquer doença ocular que interfira com a drenagem de líquido a partir da câmara anterior. As doenças inflamatórias, como a uveíte, encontram-se entre as doenças mais comuns. Outras causas frequentes incluem a obstrução da veia oftálmica, as lesões oculares, a cirurgia ocular e as hemorragias dentro do olho. Alguns medicamentos, como os corticosteróides, também podem aumentar a pressão no olho.

O tratamento do glaucoma secundário depende da sua causa. Por exemplo, quando a causa é a inflamação, costuma recorrer-se aos corticosteróides para a reduzir, bem como a outros medicamentos que mantenham a pupila aberta. Por vezes, é necessário recorrer-se à cirurgia.

O glaucoma de ângulo fechado provoca ataques súbitos de aumento de pressão, em geral num só olho. Nas pessoas que sofrem desta doença, o espaço entre a córnea e a íris (por onde sai o líquido para fora do olho) é mais estreito do que o normal.

Qualquer factor que provoque a dilatação da pupila (uma escassa iluminação, as gotas oftálmicas indicadas para dilatar a pupila antes de um exame ocular ou certos medicamentos orais ou injectados) pode fazer com que a íris bloqueie a drenagem do fluido. Quando tal acontece, a pressão intra-ocular aumenta de repente.

Sintomas

Uma crise de glaucoma de ângulo fechado agudo provoca sintomas súbitos. Pode provocar um ligeiro agravamento da visão, halos de cor à volta das luzes e dor no olho e na cabeça. Estes sintomas podem durar só algumas horas antes que haja um ataque mais grave. Este provoca uma perda rápida da visão e uma dor pulsátil no olho, aguda e repentina. As náuseas e os vómitos são comuns e podem fazer com que o médico pense que o problema reside no aparelho digestivo. A pálpebra incha e o olho fica lacrimoso e vermelho. A pupila dilata-se e não se contrai normalmente em resposta à luz intensa.

Apesar de a maioria dos sintomas desaparecer com uma medicação adequada, os ataques podem repetir-se. Cada ataque reduz cada vez mais o campo visual.

Tratamento

Várias medicações podem ser utilizadas para diminuir rapidamente a pressão ocular durante um ataque agudo de glaucoma de ângulo fechado; por exemplo, beber uma mistura, conforme prescrição, de glicerina e água pode reduzir a pressão elevada e deter um ataque. Tanto os inibidores da anidrase carbónica como a acetazolamida são igualmente úteis se forem tomados no início do ataque. As gotas de pilocarpina contraem a pupila, o que por sua vez distende a íris e, como consequência, os canais de saída são desbloqueados. As gotas betabloqueadoras também são utilizadas para controlar a pressão.

Depois de um ataque, o tratamento normalmente continua quer com gotas para os olhos, quer com várias doses de um inibidor da anidrase carbónica. Em casos graves, é administrado manitol endovenoso para reduzir a pressão.

A terapia com laser, cujo fim é criar um orifício na íris para favorecer a drenagem, ajuda a evitar ataques ulteriores e costuma curar a doença de forma permanente. Se a terapia com laser não resolver o problema, recorre-se à cirurgia para criar um orifício na íris. Se ambos os olhos apresentarem canais de saída estreitos, os dois podem ser tratados, mesmo quando os ataques apenas tenham afectado um deles.

No glaucoma de ângulo aberto, o líquido drena demasiado lentamente a partir da câmara anterior. A pressão aumenta gradualmente (quase sempre em ambos os olhos), lesionando o nervo óptico e provocando uma lenta mas progressiva perda da visão. A perda da visão começa nos extremos do campo visual e, se não for tratada, acaba por se estender por todo o resto do campo visual e, finalmente, provoca cegueira.

A forma mais frequente de glaucoma, o glaucoma de ângulo aberto, é comum depois dos 35 anos, mas, por vezes, aparece em crianças. A doença tem tendência para aparecer em vários membros de uma mesma família e é mais comum entre as pessoas diabéticas ou míopes. O glaucoma de ângulo aberto desenvolve-se com maior frequência e pode ser mais grave nas pessoas de raça negra.

Sintomas e diagnóstico

Ao princípio, a pressão ocular aumentada não provoca nenhum sintoma. Os sintomas posteriores podem incluir uma redução da visão periférica, ligeiras dores de cabeça e subtis perturbações visuais, como ver halos à volta da luz eléctrica ou ter dificuldade para se adaptar à escuridão. Finalmente, a pessoa pode acabar por apresentar visão em túnel (um estreitamento extremo dos campos visuais, que torna difícil ver objectos de ambos os lados quando se olha em frente).

Drenagem normal do líquido

O líquido é produzido na câmara posterior, passa pela pupila até à câmara anterior e depois escoa-se através dos canais de saída.

O glaucoma de ângulo aberto pode não produzir qualquer sintoma enquanto não for provocada uma lesão irreversível. Geralmente, o diagnóstico é feito verificando a pressão intra-ocular. Por isso, qualquer exame ocular de rotina deverá incluir uma medição da pressão intra-ocular.

Tratamento

O tratamento tem mais probabilidades de ter êxito se for começado de imediato. Quando a visão tiver diminuído muito, o tratamento pode evitar novas deteriorações, mas, normalmente, não consegue restabelecer completamente a visão. As gotas para os olhos, segundo prescrição médica, podem em geral controlar o glaucoma de ângulo aberto. Na maioria dos casos, a primeira medicação em forma de gotas que se receita é um betabloqueador (como o timolol, o betaxolol, o carteolol, o levobunolol ou o metipranolol) que, provavelmente, diminuirá a produção de líquido no olho. A pilocarpina, que contrai as pupilas e aumenta a saída de líquido da câmara anterior, também ajuda muito. Outros medicamento úteis (como a adrenalina, a dipivefrina e o carbacol) actuam quer melhorando a saída quer diminuindo a produção de fluido. Um inibidor da anidrase carbónica, como a acetazolamida, pode ser tomado por via oral ou então pode-se recorrer à dorzolamida sob a forma de gotas para os olhos.

Se a medicação não puder controlar a pressão ocular ou se os efeitos secundários forem intoleráveis, o cirurgião oftalmologista pode aumentar a drenagem da câmara anterior, utilizando uma terapia com laser para criar um orifício na íris ou então recorrendo a cirurgia para seccionar parte da íris.

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