FibromialgiaOssos, Articulações e Músculos

Atualizado em: Segunda, 18 de Maio de 2015 | 4329 Visualizações

A Fibromialgia é uma doença crónica ainda que os seus sintomas variem em intensidade e possam mesmo desaparecer ou diminuir temporariamente para reaparecerem mais tarde. Essas variações podem estar relacionadas com mudanças de tempo, ambiente frio, alterações hormonais, stress, depressão, ansiedade ou um esforço maior que o habitual.

A gravidade dos sintomas torna esta entidade clínica não só debilitante como também, frequentemente, incapacitante, embora o doente aparente muitas vezes estar bem. Por falta de divulgação, muitos médicos não reconhecem ainda esta doença, o que implica que muitos doentes não estejam sequer diagnosticados ou estejam mal diagnosticados e sofram, em silêncio, não só os sintomas como também a incompreensão e a discriminação decorrentes da doença.

Até à data não existe cura, mas há medicação que pode aliviar alguns sintomas, como analgésicos, relaxantes musculares, antidepressivos, em alguns casos anti--inflamatórios. Há também uma série de medidas que podem melhorar substancialmente a vida de quem padece desta síndrome.

Para melhorar o estado físico e psíquico, os doentes devem praticar exercício físico, de preferência com um programa adaptado à sua condição física, seja em ginásio ou em piscina, podem receber massagens relaxantes; fazer aplicações de calor; fazer fisioterapia e/ou acupunctura; recorrer à prática de técnicas de relaxação, meditação, yoga, shiatsu, para além da medicação acima referida.

A higiene do sono e uma alimentação equilibrada devem também fazer parte dos hábitos diários. No geral, estas pessoas devem reduzir a sua exposição a situações stressantes, equilibrar a alternância actividade/repouso e, apesar de ser difícil, adoptar um estilo de vida que melhor se adapte às variações de energia e aos sintomas. É fundamental que o doente se sinta apoiado no seu ambiente familiar, social e profissional e que encontre médicos que estejam disponíveis para o apoiar.

Uma pessoa que tenha por mais de 3 meses dores generalizadas, cansaço, perturbações de sono, rigidez matinal, dores de cabeça, em que os seus exames complementares de diagnóstico são normais e nada parece justificar os seus sintomas, deve consultar um reumatologista.

A aproximação à Fibromialgia deve preferencialmente resultar de uma abordagem transdisciplinar e biopsicossocial do doente com vista a uma melhor qualidade de vida.

A par do tratamento farmacológico, o doente deve procurar fazer exercício físico e/ ou terapias complementares.

Evidenciamos a necessidade de procurar um estilo de vida mais saudável para uma melhor convivência com a doença, devendo adoptar uma atitude optimista e pró-activa.

É necessário permanentemente tentar encontrar um equilíbrio, face à instabilidade que marca o dia a dia das pessoas com Fibromialgia.

É importante estar atento à concomitância da Fibromialgia com outras doenças e saber distinguir os sintomas.

Uma vez que a doença pode alterar o ambiente familiar, social e profissional, é importante que haja uma comunicação objectiva e assertiva junto das pessoas que mais directamente lidam com o doente, para que possa haver maior compreensão e se encontrem formas de cooperação.

Aprender a controlar o que se pode controlar: alimentação, exercício físico, etc.

Aprender a viver com o que não se pode controlar: alterações climatéricas, poluição sonora e ambiental, etc.

Caso tenha Fibromialgia, tome conta da doença, não deixe que ela tome conta de si.

 Fibromialgia foi classificada pela Organização Mundial de Saúde em 1990 com o código M79.0 e reconhecida, em 1992, como uma doença reumática.

Estando a Fibromialgia classificada como doença reumática, deve ser um médico reumatologista a confirmar o diagnóstico.
 
O recurso ao especialista poderá ser apenas uma ou duas vezes por ano, excluindo algumas situações excepcionais. Não havendo ainda tratamento específico, após o diagnóstico, o doente deverá ser acompanhado pelo seu médico de família, uma vez que os médicos de Medicina Geral e Familiar estão cada vez mais informados e sensibilizados para acompanhar as pessoas com Fibromialgia.

  • Dores generalizadas
  • Problemas circulatórios
  • Fadiga
  • Sono não reparador
  • Insónia
  • Intolerância ao frio
  • Rigidez matinal
  • Dores de cabeça
  • Cólon irritável
  • Problemas emocionais
  • Infecções do tracto urinário  
  • Dormência e formigueiro nas extremidades
  • Perturbações da atenção, concentração e memória

Em resumo, os critérios de diagnóstico são:

Duração superior a três meses de:

  • dor difusa pelo corpo;
  • dor à palpação de 11 de 18 pontos dolorosos pré-estabelecidos.

E, pelo menos, mais dois dos quatro sintomas seguintes:

  • fadiga;
  • alterações do sono;
  • perturbações emocionais;
  • dores de cabeça.

As causas são desconhecidas, mas parecem relacionadas com a desregulação de determinadas substâncias do sistema nervoso central. O stress, a patologia imunológica e endocrinológica, um trauma físico como uma cirurgia, um acidente de viação, etc., ou um trauma psicológico como uma morte ou um divórcio, parecem contribuir para o desenvolvimento ou manutenção desta situação clínica.

Até à data não há análises ou testes que comprovem a existência desta doença. Individualmente, os sintomas são comuns a outras situações clínicas, mas a conjugação deles, por um período de tempo prolongado, numa pessoa que, anteriormente, não padecia deles e com uma tal gravidade que provoca alteração radical na rotina da pessoa, permite que se faça o diagnóstico.

Os sintomas são variáveis de pessoa para pessoa e, na mesma pessoa, variam ao longo do tempo, o que dificulta o tratamento e a própria adaptação do doente a um novo estilo de vida que lhe permita lidar com a doença. Os doentes de Fibromialgia apresentam queixas de natureza músculo-esquelética, cognitiva, emocional e imunoneuroendócrina.

Entre os principais sintomas assinalam-se a fadiga crónica, dores musculares e articulares, alterações de sono e sono não reparador, alterações psicológicas, às vezes depressão e/ou ansiedade, alergias, perturbações gastrointestinais, tonturas, dores de cabeça e/ou enxaquecas, formigueiro nas mãos e perturbações cognitivas como lapsos de memória e dificuldade de concentração.

Esta patologia atinge homens, mulheres e crianças de todas as idades, etnias e grupos sócio-económicos.

Estima-se que sofram de Fibromialgia entre 2 a 8% da população adulta, dependendo dos países.

Não havendo dados estatísticos em Portugal, por comparação aos dados existentes em Espanha, podemos estimar que existam em Portugal entre 300 e 500 mil doentes.

Da população atingida, entre 80 a 90% serão mulheres entre os 20 e os 50 anos.

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Autor
Sociedade Portuguesa de Reumatologia
Referência