Falta de arSistema Respiratório

Atualizado em: Segunda, 18 de Maio de 2015 | 35 Visualizações

A falta de ar (dispneia) é uma sensação incómoda de dificuldade respiratória.  

A frequência respiratória aumenta durante o exercício numa pessoa sã; o mesmo lhe acontece quando se encontra a uma altitude elevada. Embora a respiração rápida raramente cause incómodo, pode limitar a quantidade de exercícios que se pratique. A respiração acelerada numa pessoa com dispneia costuma ser acompanhada com suficiente rapidez ou profundidade de uma sensação de falta de ar e de dificuldade respiratória. A dispneia limita também a quantidade de exercício que se possa realizar.

Outras sensações relacionadas com a dispneia incluem: a sensação de necessitar de um maior esforço muscular para expandir a cavidade torácica durante a inspiração assim como para esvaziar o ar dos pulmões, a sensação de que o ar demora mais tempo a sair dos pulmões durante a expiração, a necessidade imperiosa de voltar a inspirar antes de terminar a expiração e diversas sensações muitas vezes descritas como opressão no peito.

O tipo mais frequente de dispneia é o que aparece ao realizar um esforço físico. Durante o exercício, o corpo produz mais anidrido carbónico e consome maior quantidade de oxigénio. O centro respiratório do cérebro aumenta a frequência respiratória quando as concentrações de oxigénio no sangue são baixas, ou quando as do anidrido carbónico são altas. Por outro lado, se a função pulmonar e cardíaca são anormais, inclusive um pequeno esforço pode aumentar, de forma alarmante, a frequência respiratória e a dispneia. Na sua forma mais grave, a dispneia pode inclusive manifestar-se durante o repouso.

A dispneia de causa pulmonar pode ser consequência de defeitos restritivos ou obstrutivos. Na dispneia de origem restritiva dificultam-se os movimentos respiratórios porque se restringe a expansão torácica devido a uma lesão ou perda da elasticidade pulmonar, a uma deformidade da parede torácica ou então a um espessamento da pleura. O volume de ar que entra nos pulmões é inferior ao normal, como o indicam os exames da função respiratória. (Ver secção 4, capítulo 32) As pessoas que têm uma dispneia de origem restritiva sentem-se habitualmente bem durante o repouso, mas sentem falta de ar quando realizam alguma actividade, porque os seus pulmões não se expandem o suficiente para conseguir o volume de ar necessário.

A dispneia de origem obstrutiva ocasiona uma maior resistência ao fluxo de ar devido ao estreitamento das vias respiratórias. Assim, geralmente, o ar pode ser inspirado, mas não é expirado de forma normal. A respiração é difícil, especialmente ao expirar. Pode medir-se o grau de obstrução com as provas de função respiratória. Um problema respiratório pode incluir ambos os defeitos, restritivo e obstrutivo.

Dado que o coração impulsiona o sangue através dos pulmões, é fundamental que a função cardíaca seja normal para que o rendimento pulmonar seja adequado. (Ver secção 3, capítulo 17) Se a função cardíaca é anormal, pode acumular-se líquido nos pulmões, originando o chamado edema pulmonar. Este processo provoca dificuldade em respirar, acompanhada com frequência de uma sensação de asfixia ou de peso no peito. A acumulação de líquido nos pulmões pode também provocar um estreitamento das vias respiratórias e sibilos ao expirar, uma afecção denominada asma cardíaca.

As pessoas com uma alteração do ritmo cardíaco podem ter ortopneia, ou seja, uma falta de ar que aparece quando estão deitados e que os obriga a sentar-se. Existe outro tipo de dispneia, chamado dispneia paroxística nocturna, que consite num ataque súbito de falta de ar, frequentemente aterrador, que se produz durante o sono. A pessoa acorda ofegante e tem de se sentar ou levantar para conseguir respirar. Esta perturbação é uma forma de ortopneia e também um sinal de insuficiência cardíaca.

A respiração periódica ou de Cheyne-Stokes caracteriza-se pelos períodos alternantes de respiração rápida (hiperpneia) e lenta (hipopneia) ou sem respiração (apneia). As suas causas possíveis incluem a insuficiência cardíaca e uma perturbação do centro cerebral que controla a respiração.

A dispneia circulatória é uma situação grave que se apresenta de repente. Produz-se quando o sangue não leva oxigénio suficiente aos tecidos, por exemplo, por causa de uma hemorragia abundante ou de uma anemia. A pessoa respira rápida e profundamente, tentando obter oxigénio suficiente.

O aumento da acidez do sangue, como acontece na acidose diabética, pode produzir um modelo de respiração lenta e profunda (respiração de Kussmaul), mas sem falta de ar. Quem sofre de insuficiência renal grave, pode ficar sem respiração e começar a ofegar rapidamente devido a uma combinação de acidose, insuficiência cardíaca e anemia.

Uma respiração intensa e rápida (hiperventilação) pode ser consequência de uma lesão cerebral repentina, provocada por uma hemorragia cerebral, um traumatismo ou outra afecção.

Muitas pessoas têm episódios durante os quais sofrem falta de ar e, em consequência, respiram de maneira pesada e rápida. Estes episódios, denominados síndroma de hiperventilação, surgem mais por ansiedade do que por uma perturbação física. Muitos dos que sofrem esta síndroma alarmam-se, pensando que sofrem um enfarte do miocárdio. Os sintomas são o resultado da hiperventilação, provocada por alterações na concentração dos gases no sangue (sobretudo por um valor de anidrido carbónico inferior ao normal). O indivíduo pode sofrer uma alteração da consciência, habitualmente descrita como uma sensação de que as coisas à sua volta estão muito longe. Sente também uma sensação de formigueiro nas mãos, nos pés e à volta da boca.

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