Doenças do nervo ópticoVisão

Atualizado em: Segunda, 18 de Maio de 2015 | 25500 Visualizações

Os pequenos nervos da retina (a superfície interna da parte posterior do olho) percepcionam a luz e transmitem impulsos para o nervo óptico, que os transporta para o cérebro. Um problema em qualquer ponto do nervo óptico e suas ramificações ou então uma lesão nas áreas posteriores do cérebro que percepcionam os estímulos visuais podem provocar alterações na visão.  

Os nervos ópticos seguem uma rota inabitual desde os olhos até à parte posterior do cérebro. Cada nervo divide-se e metade das suas fibras cruza para o lado oposto numa zona que se denomina quiasma óptico. Devido a esta disposição anatómica, as lesões no trajecto do nervo óptico provocam padrões peculiares de perda da visão. Se o nervo óptico for lesado entre o globo ocular e o quiasma óptico, a pessoa pode ficar cega desse olho. Mas se o problema radicar na parte posterior do percurso do nervo óptico, pode-se perder a visão em apenas metade do campo visual de ambos os olhos, uma doença chamada hemianopsia.

Se ambos os olhos perderem a visão periférica, a causa pode ser uma lesão no quiasma óptico. Se ambos os olhos perderem metade do seu campo visual do mesmo lado (por exemplo, do lado direito) tal é geralmente devido a uma lesão no trajecto do nervo óptico localizada no lado oposto do cérebro (o esquerdo) e provocada por um icto, por uma hemorragia ou por um tumor

A papilite (nevrite óptica) é a inflamação da extremidade do nervo óptico que entra no olho.

A papilite pode ter várias causas, embora a causa exacta quase nunca seja conhecida. Em pessoas com mais de 60 anos, a arterite temporal é uma das causas mais importantes. A papilite também pode dever-se a doenças virais e imunológicas.

Apesar de a papilite normalmente afectar apenas um olho, também se pode apresentar em ambos. O resultado é a perda de visão, que pode oscilar desde um pequeno ponto cego até à cegueira absoluta num prazo de um dia ou dois. Por vezes, a perda é permanente. A pessoa pode sentir dor ou não sentir absolutamente nada.

Para estabelecer o diagnóstico, o médico comprova se a visão é normal em todas as áreas, examina o nervo óptico com um oftalmoscópio (um instrumento utilizado para ver o interior do olho) e verifica se as pupilas reagem normalmente à luz. Em determinados casos, é necessário fazer uma tomografia axial computadorizada (TAC) ou uma ressonância magnética (RM).

O tratamento depende da causa. Em geral, os corticosteróides constituem a primeira opção em termos de terapia.

A nevrite retrobulbar é a inflamação do segmento do nervo óptico localizado por trás do olho. Normalmente afecta só um olho.

Várias doenças podem causar inflamação e, em consequência, danificar a área. A causa é, frequentemente, a esclerose múltipla. Porém, muitas outras doenças podem também provocar nevrite retrobulbar. Por vezes, torna-se impossível descobrir a causa.

A nevrite retrobulbar provoca rapidamente uma perda de visão e, além disso, dor ao mover o olho. O exame com um oftalmoscópio revela alterações subtis ou então nenhuma alteração no segmento do nervo óptico da parte posterior do olho, que é visível com este instrumento.

Aproximadamente metade dos episódios de nevrite retrobulbar melhoram sem tratamento, em geral em 2 a 8 semanas. No entanto, por vezes persiste a falta de nitidez no centro do campo visual e também podem ocorrer recaídas, em especial quando a causa é a esclerose múltipla. Cada recaída pode piorar a perda de visão. O nervo óptico pode ficar danificado para sempre e, em casos muito raros, os ataques repetidos conduzem à cegueira total. O tratamento depende da causa e pode incluir corticosteróides. Às vezes, não se indica nenhum tratamento.

A ambliopia tóxica é uma doença semelhante à nevrite retrobulbar que, em geral, afecta ambos os olhos. Os alcoólicos são particularmente susceptíveis de a sofrer, embora a causa deste processo possa ser mais a desnutrição do que o álcool. Os produtos químicos tóxicos, como os que estão presentes no fumo do cigarro e no chumbo, o metanol, o cloranfenicol, a digitalina e o etambutol, entre muitos outros, também podem provocar a doença.

A ambliopia tóxica provoca uma pequena área de perda de visão no centro do campo visual, que lentamente aumenta de tamanho e que pode chegar a provocar cegueira absoluta. Quando o médico examina o olho com um oftalmoscópio, pode não ver nenhuma alteração ou ver apenas algumas muito escassas.

As pessoas com ambliopia tóxica deverão evitar o tabaco, o álcool ou então o produto químico tóxico responsável. Se o uso de álcool for uma das causas, a pessoa deverá alimentar-se com uma dieta equilibrada e tomar um suplemento de complexo vitamínico B. Se a causa for o chumbo, certos fármacos quelantes ajudam a eliminá-lo do corpo.

Causas da papilite e da nevrite retrobulbar

  • Esclerose múltipla.
  • Doença viral.
  • Arterite temporal e outros tipos de inflamação das artérias (vasculite).
  • Intoxicação com produtos químicos, como o chumbo e o metanol.
  • Tumores que se expandiram para o nervo óptico.
  • Reacções alérgicas às picadas de abelha.
  • Meningite.
  • Sífilis.
  • Uveíte.
  • Arteriosclerose.

O papiledema é uma doença em que a pressão elevada no cérebro faz com que o nervo óptico inche no ponto (a papila óptica) em que entra no olho.

A doença, que quase sempre afecta ambos os olhos, normalmente surge devido a um tumor cerebral ou a um abcesso, a lesões traumáticas na cabeça, a hemorragias no cérebro, a uma infecção do cérebro ou das suas membranas (meninges), a um pseudotumor cerebral, a uma trombose do seio cavernoso ou à tensão arterial muito alta. As doenças pulmonares graves também podem aumentar a pressão no cérebro, provocando o papiledema.

Ao princípio o papiledema pode causar dor de cabeça sem afectar a visão. O tratamento depende daquilo que provoca a pressão alta no cérebro. Pode ser necessário recorrer à medicação ou à cirurgia para aliviar a pressão. Se a tensão alta não baixa rapidamente, o nervo óptico e o cérebro podem ficar lesados de forma permanente.

O percurso da visão

O nervo óptico de cada olho divide-se e metade das fibras nervosas de cada lado cruzam para o lado oposto, no quiasma óptico. Devido a esta disposição, o cérebro recebe a informação tanto do campo visual esquerdo como do direito, através de ambos os nervos ópticos.

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