Doença Óssea de PagetOssos, Articulações e Músculos

Atualizado em: Segunda, 18 de Maio de 2015 | 504 Visualizações

Qual a causa?  

Para além dos factores genéticos atrás referidos, vários estudos têm também apresen-tado fortes indícios de que factores ambientais, como os traumatismos repetidos e infecções virais prévias, estão envolvidos no desenvolvimento de DOP.

A favor desta última hipótese estão a detecção nos osteoclastos de doentes com DOP, de inclusões nucleares e citoplasmáticas de material similar à nucleocápside de paramixovírus, assim como a detecção de proteínas ou mRNA dos vírus do sarampo, da cinomose canina e sincicial respiratório.

A DOP é uma doença metabólica caracterizada pelo aumento focal da actividade de remodelação óssea, embora deficiente, com desarranjo arquitectural e estrutural.

Factores genéticos (gene SQSTM1/p62) e ambientais (traumatismos de repetição e infecções virais) estão associados ao aparecimento de DOP, geralmente nas décadas tardias da vida.

A dor e a deformação óssea são as manifestações clínicas mais frequentes de DOP, e a determinação dos níveis de Fosfatase Alcalina sérica ou de Fosfatase Alcalina de origem óssea, a par da radiologia convencional, os meios complementares de diagnós-tico mais úteis.

O tratamento e controlo da DOP faz-se, actualmente, através da utilização de Bifosfonatos.

A DOP não é uma doença prevenível.

No entanto, a confirmação de agregação familiar da doença deverá conduzir à detec-ção e tratamento precoce dos parentes em 1ª linha dos doentes já diagnosticados.

Também, e de acordo com um estudo recente, o contacto próximo e frequente com animais de criação ou estimação, revelou-se um factor de risco para DOP, independen-temente da presença do geneSQSTM1/p62, pelo que medidas de protecção individual dos indivíduos em risco poderão vir a justificar-se.

O tratamento da DOP baseia-se na utilização de agentes anti-reabsortivos.

Embora com utilização diminuída após o aparecimento dos Bifosfonatos, a Calcitonina, por via sub-cutânea ou nasal, é eficaz no alívio dos sintomas e controlo da actividade da doença, sendo ainda uma opção terapêutica válida, sobretudo em doentes mais idosos.

Os Bifosfonatos, no entanto, são actualmente os fármacos de 1ª linha no tratamento da DOP.

Administrados por via intra-venosa ou por via oral, demonstraram ser eficazes no controlo das manifestações clínicas da DOP e na sua cicatrização, e, dessa forma, na prevenção do aparecimento de complicações. Não é possível, no entanto, falar-se de cura da DOP.

Nas fases tardias da doença, ou devido a complicações, é por vezes necessário o recurso a terapêuticas cirúrgicas.

Para além das manifestações e complicações anteriormente descritas, outras situações clínicas podem estar associadas à DOP, nomeadamente:

1) Insuficiência Cardíaca Congestiva de alto débito  e alterações cardiovasculares associadas a calcificação das paredes arteriais

2) Roturas lineares da membrana de Bruch (estrias angióides) do fundo ocular

3) Alterações do metabolismo do cálcio, associadas a níveis aumentados de parathormona

4) Degenerescência Tumoral do osso pagético: Osteosarcoma (<1% dos casos) e Tumores de Células Gigantes.

Em cerca de 45% dos casos de DOP, os doentes não apresentam qualquer sintoma à data do diagnóstico, sendo este geralmente feito a partir de alterações bioquímicas (aumento da fosfatase alcalina sérica) e/ou radiológicas, em exames realizados por outras razões médicas.

O aumento focal da remodelação óssea, de que resulta, na DOP, a formação de tecido ósseo profundamente alterado e estruturalmente deficiente, é a causa de dor e deformidade ósseas, características desta doença.

As queixas dolorosas de localização ao nível das regiões lombossagrada, da coxa, da perna e do crâneo, associam-se às localizações mais frequentes da DOP, nomeada-mente a pélvis (67%), a coluna lombar (34%), o fémur (32%), a tíbia (25%) e o crâneo (23%). São estas também, as sedes mais frequentes de deformação óssea.

As alterações ósseas descritas podem também provocar fracturas completas, ou ape-nas fissuras corticais (causa de dor), nas regiões atingidas, assim como facilitar o apare-cimento de alterações degenerativas em articulações próximas das áreas afectadas, como por exemplo as da anca e joelho. Mais raramente, podem ocorrer complicações neurológicas tais como a surdez, paralisia de outros pares de nervos craneanos e 

A Radiologia Simples é o método de diagnóstico por imagem mais importante e mais frequentemente utilizado, quer no diagnóstico, quer na vigilância evolutiva da DOP. Por vezes, a Cintigrafia Óssea com Bifosfonato marcado com Tc99 é útil, sobretudo na avaliação da extensão da DOP.

Podem detectar-se três padrões radiográficos na DOP, correspondentes a outros tantos estadios evolutivos da doença: a) inicial/com actividade incipiente, correspon-dendo á fase osteolítica b) misto/ com hiperactividade remodeladora, correspondendo á fase em que co-existem lesões osteolíticas e osteoblásticas/escleróticas e c) tardia/ sem actividade remodeladora, correspondendo à fase osteosclerótica.

A DOP ocorre unicamente em adultos, principalmente com idade superior a 55 anos. Os homens são ligeiramente mais afectados do que as mulheres, na proporção de 1,4:1. Os familiares em 1º grau de indivíduos com DOP têm um risco 7 a 10 vezes superior de vir a apresentar esta doença.compressão da medula espinal.

Laboratorialmente, detectam-se as alterações bioquímicas associadas à remodelação óssea aumentada, tais como níveis aumentados de fosfatase alcalina sérica e fosfatase alcalina específica do osso – a manifestação laboratorial mais importante e frequente de DOP – e de péptidos do procolagéneo tipo I (P1NP e P1CP).

A DOP ocorre unicamente em adultos, principalmente com idade superior a 55 anos. Os homens são ligeiramente mais afectados do que as mulheres, na proporção de 1,4:1. Os familiares em 1º grau de indivíduos com DOP têm um risco 7 a 10 vezes superior de vir a apresentar esta doença.

A DOP está associada a alterações genéticas, a mais importante das quais reside no gene do sequestosoma 1/proteína p62 (SQSTM1/p62). Este traço hereditário transmi-te-se de forma autossómica dominante, embora se possa também encontrar em casos esporádicos de DOP (10-20% dos casos).

A proteína p62 pode ligar-se à ubiquitina e, em conjunto com outras proteínas citoplasmáticas, modula a função do factor de crescimento nuclear kB (NFkB), o qual, por sua vez, é fundamental no recrutamento de pré-osteoclastos e activação osteoclástica.

Os indivíduos com ascendência Caucásica-Europeia são os mais afectados pela DOP, principalmente os Britânicos, os Franceses e os Norte-Americanos.

Em Portugal, a DOP parece ocorrer mais frequentemente em alguns distritos Alente-janos (Portalegre, Évora e Beja).

A DOP é rara na Escandinávia, na Europa Oriental, em África e na Ásia.

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Autor
Sociedade Portuguesa de Reumatologia
Referência