Doença de Paget do mamiloSaúde Feminina

Atualizado em: Quinta, 09 de Julho de 2015 | 1840 Visualizações

A doença de Paget do mamilo é uma forma rara de cancro da mama que começa a manifestarse com alterações no mamilo. Este corresponde a menos de 5% de todos os casos de cancro da mama nas mulheres. Também pode aparecer nos homens, mas esta situação é muito rara

O sinal mais comum desta doença é uma erupção escamosa avermelhada no mamilo que depois se pode espalhar à aréola.

A erupção pode dar comichão ou uma sensação de ardor. O mamilo pode estar invertido (metido para dentro) e pode haver corrimento.

Os sintomas da doença de Paget do mamilo podem ser semelhantes a outras doenças da pele, como o eczema ou a psoríase. Há, contudo, algumas diferenças, nomeadamente, a doença de Paget do mamilo afecta o mamilo desde o início, enquanto o eczema afecta inicialmente a aréola e raramente passa para o mamilo.

A doença de Paget do mamilo afecta normalmente só uma mama, enquanto outras condições da pele afectam normalmente as duas mamas.

Aproximadamente metade dos doentes com a doença de Paget do mamilo têm também um nódulo / inchaço na mama.

A maior parte destes casos são cancros invasores, isto é, podem espalhar-se para outras partes do corpo. Quando não existe nódulo / inchaço na mama trata-se normalmente de um cancro não invasor, ou seja, cancro “in situ”. Isto quer dizer que as células cancerígenas se encontram dentro dos ductos do leite e não desenvolveram a capacidade para se espalharem para fora. 

Uma vez que a sintomatologia da doença de Paget do mamilo é semelhante à de uma doença da pele, o seu diagnóstico é por vezes difícil.

O seu médico especialista irá pedir-lhe para fazer alguns exames que podem incluir:

  • Mamografia. A mamografia (raio X à mama) permite identificar se há tecido cancerígeno na mama.
  • Citologia com raspagem. Consiste em retirar com raspagem algumas células do mamilo que depois são colocadas numa lamela e analisadas ao microscópio.
  • Citologia de impressão. Neste caso a zona afectada do mamilo é pressionada contra uma lamela. As células passam para a lamela e posteriormente são analisadas ao microscópio.
  • Biopsia. Normalmente são pedidas biopsias para confirmar o diagnóstico. Isto implica retirar uma pequena quantidade de tecido da mama para que depois possa ser visto ao microscópio. Este tipo de biopsia (incisional) pode ser feita com anestesia local. 

Cirurgia

Tal como para a maior parte dos diferentes tipos de cancro da mama, a cirurgia é o primeiro tratamento.

O tipo de cirurgia dependerá da dimensão do cancro e do facto de ter ou não a protuberância na mama. Se tiver um nódulo ou a dimensão do cancro for muito grande é possível que lhe façam uma mastectomia.

Se não tiver inchaço e se as células cancerígenas se confinarem a uma pequena área, então é possível que faça uma pequena excisão local que inclua o mamilo, seguida de radioterapia.

Por vezes o cirurgião pode dar-lhe a opção de escolher entre estas duas cirurgias por pensar que os benefícios de ambas são idênticos.

É importante identificar se as células cancerígenas se espalharam aos gânglios linfáticos que se situam nas axilas. Isto determinará se é necessário algum tratamento adicional como, por exemplo, a quimioterapia.

Podem ser retirados alguns gânglios linfáticos, todos os gânglios linfáticos das axilas ou pode ainda ser feita uma biopsia do gânglio sentinela.

Tratamento Adjuvante 

Estes são tratamentos que se oferecem após a cirurgia e que podem ser quimioterapia, radioterapia, terapia hormonal ou terapia dirigida. O objectivo destes tratamentos é reduzir a probabilidade que o tumor volte a aparecer na mesma mama, na outra mama ou noutra parte do corpo.

Se fez uma excisão local, é provável que faça posteriormente radioterapia de forma a reduzir a probabilidade de que o cancro volte na mesma mama. Se fez uma mastectomia é possível que não precise de radioterapia.

Dependendo de algumas características do cancro, a quimioterapia pode ser recomendada, nomeadamente se se espalhou para os gânglios linfáticos.

Pode ser que lhe seja oferecida terapia hormonal se o seu cancro for receptor positivo ao estrogénio, isto é, se utiliza esta hormona para crescer.

Terapias dirigidas como o Herceptin podem ser oferecidas a pessoas que são positivas ao HER2.

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