Displasia de desenvolvimento da ancaSaúde na Infância - Criança & Bebé

Atualizado em: Terça, 06 de Outubro de 2015 | 226 Visualizações

Fonte de imagem: conteudodeenfermagem

Cerca de 1 em cada 100 recém-nascidos tem uma anca instável ou seja uma articulação da anca que se desloca da sua posição normal (luxação ou subluxação), no entanto apenas 1 em cada 800 a 1000 destes bébés terá uma verdadeira luxação da anca.

O momento exacto em que as luxações ocorrem é desconhecido, no entanto elastendem a surgir frequentemente depois do parto, não sendo geralmente um problema congénito. Por este motivo, actualmente, em vez de luxação congénita da anca utiliza-se mais o termo displasia de desenvolvimento da anca. Existem, contudo, situações em que a luxação faz parte de uma doença neuromuscular, sendo nestes casos uma alteração congénita.

As causas da displasia da anca são várias, desde antecedentes familiares semelhantes a uma maior elasticidade generalizada dos ligamentos.

As meninas são atingidas cerca de 9 vezes mais que os meninos e em aproximadamente 60% dos casos são primeiros filhos. Em 30 a 50% dos casos o bebé está em posição pélvica (sentado), com a anca dobrada e com os movimentos limitados, o que favorece a luxação

O diagnóstico é feito com a realização de testes que provocam a deslocação de uma anca instável ou a redução ("encaixe") de uma anca já deslocada; na prática são aqueles movimentos de abertura das coxas que o pediatra faz ao bebé. Com frequência o médico diz à mãe que o filho tem um clique ou estalido da anca, não sendo estes de uma forma geral uma alteração patológica.

Após o período neonatal a avaliação da anca deve continuar e manifestações como limitação ou assimetria na abertura das coxas ou encurtamento de um membro em relação ao outro podem traduzir doença. Por vezes o diagnóstico é feito só mais tarde, quando a criança tem uma forma esquisita de andar manca ou não consegue iniciar a marcha. Para além da clínica, a ecografia, nos bébés mais pequenos e a radiografia da anca, nos mais velhos, pode ajudar o diagnóstico. Em situações mais complicadas podem ser necessários outros exames como a ressonância magnética.

Relativamente ao tratamento, este deve ser orientado por um ortopedista e deve serindividualizado, dependendo da idade da criança e da gravidade da situação. Muitas vezes quando se detecta uma anca instável ao nascimento é aconselhado, embora controverso, o uso de fraldas duplas ou triplas, que obriga a um posicionamento de normalização da anca.

Quando a luxação é diagnosticada, existem alguns tipos de aparelhos de correcção, que deverão ser prescritos pelo ortopedista que segue a criança. Nas mais velhas geralmente a correcção é cirúrgica, sendo necessário um aparelho gessado por algum tempo e os casos são habitualmente mais complexos quanto mais tardio for o diagnóstico.

Como complicações pode haver mais tarde alterações da marcha, voltar a haver luxação ou problemas relacionados com a cirurgia como por exemplo infecções. Quando diagnosticada e orientada atempadamente, de uma forma global, a displasia de desenvolvimento da anca tem bom prognóstico

 

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Referência
Dra. Elisa Proença Fernandes - Pediatra

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