DelírioPerturbações Mentais

Atualizado em: Segunda, 18 de Maio de 2015 | 61 Visualizações

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O delírio caracteriza-se pela presença de uma ou mais crenças falsas que persistem pelo menos um mês.  

Ao contrário da esquizofrenia, o delírio é relativamente pouco frequente e o funcionamento da pessoa está menos alterado. A perturbação afecta pela primeira vez as pessoas geralmente na meia-idade ou em idade avançada.   Os delírios tendem a incluir situações que poderiam ocorrer na vida real, como ser perseguido, envenenado, infectado, amado à distância ou enganado por uma esposa ou amante. Reconhecem-se vários subtipos de perturbação delirante.  

No subtipo erotomaníaco, o tema central do delírio é que outra pessoa está enamorada pelo doente. Costumam ser correntes os esforços por contactar com a pessoa objecto do delírio através de chamadas telefónicas, cartas e inclusive vigiá-la e estar à espreita. O comportamento em relação ao delírio pode criar conflitos com a lei.  

No subtipo grandioso, a pessoa está convencida de que tem algum grande talento ou de que fez alguma descoberta importante.  

No subtipo de ciúmes, a pessoa está convencida de que o cônjuge ou o amante lhe são infiéis. Esta crença é baseada em interpretações incorrectas apoiadas em «evidências» duvidosas. Em tais circunstâncias, a agressão física pode representar um perigo real.   No subtipo persecutório, a pessoa crê que é objecto de uma conspiração, espiada, difamada ou hostilizada. A pessoa pode efectuar repetidas tentativas para obter justiça, apelando para os tribunais e para outras instâncias públicas. Pode surgir a violência como vingança à perseguição imaginária.   O subtipo somático implica uma preocupação pela função do corpo ou de certos atributos, como imaginar uma deformação física, um odor ou uma parasitose.

Um delírio pode surgir a partir de uma perturbação paranóide da personalidade preexistente. Começando nos primeiros tempos da idade adulta, as pessoas com uma perturbação paranóide da personalidade mostram-se impregnadas de uma desconfiança e de uma suspeita dos outros e das suas motivações. Os primeiros sintomas incluem o sentir-se explorado, estar preocupado com a lealdade ou a confiança dos amigos, ver ameaças em acontecimentos ou comentários bem intencionados, manter rancores durante muito tempo e responder asperamente ao que é interpretado como desprezo.

Depois de ter excluído outras condições específicas associadas, o médico baseia o diagnóstico de delírio, principalmente, na história pessoal. É particularmente importante para o médico estabelecer o nível de perigosidade, particularmente a determinação da pessoa em passar à acção nos seus delírios.

O delírio não conduz, geralmente, a uma incapacidade ou a alterações graves na personalidade. Contudo, as pessoas podem integrar-se cada vez mais no seu delírio. A maioria das pessoa pode continuar a trabalhar.

No tratamento da perturbação delirante, a boa relação médico-doente ajuda. Poderá ser necessária a hospitalização se o médico considerar que o doente é perigoso. Geralmente, não se utilizam os fármacos antipsicóticos, mas por vezes são eficazes para suprimir os sintomas. Um objectivo de tratamento a longo prazo é desviar o foco de atenção do delírio para uma área mais construtiva e gratificante, embora isso seja, frequentemente, difícil de conseguir.

Os medicamentos antipsicóticos parecem ser os mais eficazes para tratar as alucinações, os delírios, o pensamento desorganizado e a agressividade. Embora este fármacos sejam prescritos, mais comummente, para a esquizofrenia, da demência ou da intoxicação aguda com algumas substâncias, como as anfetaminas.

O primeiro medicamente antipsicótico eficaz, a clorpromazina, obteve a sua patente em 1955. Desde então, desenvolveram-se mais de uma dúzia de fármacos antipsicóticos similares (flufenazina, haloperidol, perfenazina e tioridazina, para citar alguns). Sob a denominação de fármacos antipsicóticos convencionais, todos funcionam essencialmente do mesmo modo: bloqueiam os receptores de dopamina no cérebro. A dopamina é um neurotransmissor, uma substância química que ajuda a veicular os impulsos eléctricos através das vias nervosas e entre os nervos. Uma actividade excessiva da dopamina associa-se às alucinações e delírios. O bloqueio dos receptores de dopamina pode aliviar estes sintomas.

Os medicamentos antipsicóticos convencionais diferem entre eles em relação à sua potência (alta ou baixa), aos efeitos secundários (tendência para a sedação contra a tendência para a contracção muscular) e à via de administração (oral ou injectada).

Devido ao facto de todos os medicamentos antipsicóticos convencionais serem igualmente eficazes para controlar os sintomas da esquizofrenia, a escolha de um em particular baseia-se, muitas vezes, nos efeitos secundários e na sua tolerância pelo doente em concreto.

Um tipo de medicamentos antipsicóticos relativamente novos parece funcionar bloqueando os receptores da dopamina como de serotonina (outro neurotransmissor) no cérebro. A clozapina é um exemplo deste tipo de medicamentos. Esta tem maior eficázia do que os medicamentes antipsicóticos convencionais no tratamento dos sintomas da esquizofrenia. No entanto, dado que tem efeitos secundários muito graves, como uma descida na contagem de células sanguíneas brancas, usa-se somente para pessoas que não respondem aos fármacos convencionais.

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