CóleraDoenças Infecçiosas

Atualizado em: Sábado, 03 de Março de 2018 | 33 Visualizações

Fonte de imagem: Various Images

A cólera é uma forma de diarreia infeciosa aguda que, se não for tratada, pode causar a morte em poucas horas.

Trata-se de uma infeção do intestino delgado causada por uma bactéria (Vibrio cholerae).

Esta bactéria é capaz de produzir uma toxina que estimula o intestino delgado a segregar grandes quantidades de um líquido rico em sais e minerais, causando diarreias muito graves.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde, estima-se que, em cada ano, ocorram 3 a 5 milhões de casos de cólera, causando entre 100.000 a 120.000 mortes.

A cólera transmite-se através da ingestão de água, mariscos ou outros alimentos contaminados pelos excrementos de pessoas infetadas. Esta doença surge, habitualmente, em determinadas zonas da Ásia, Médio Oriente, África e América Latina, ocorrendo os surtos nos meses de calor. A incidência é mais elevada entre  as crianças.

A infeção pode ser causada por outras espécies da bactéria Vibrio. Nestes casos, a diarreia costuma ser muito menos grave do que a da cólera.

Como se referiu anteriormente, trata-se de uma infeção do intestino delgado causada pela bactéria Vibrio cholerae ou por outras espécies da mesma bactéria.

Como as bactérias são sensíveis ao ácido clorídrico do estômago, as pessoas com deficiência deste ácido são mais suscetíveis à doença.

Aqueles que vivem em zonas onde a cólera é frequente tendem a desenvolver gradualmente uma proteção (imunidade) natural contra a infeção.

Em cerca de 75% a 80% dos casos não ocorrem quaisquer sintomas, embora a bactéria esteja presente nas fezes durante 7 a 14 dias após a infeção. Por esse facto, estas pessoas infetadas e sem sintomas podem ser uma fonte de contágio para outros.

Nos restantes casos, ocorre uma diarreia aquosa aguda e muito intensa que pode causar um quadro grave de desidratação. Esta, sem tratamento, pode ser fatal.

Os sintomas de cólera iniciam-se, em média, um a três dias após a infeção.

A diarreia é habitualmente súbita, indolor e aquosa e pode acompanhar-se de vómitos.

Nos casos mais graves, as perdas de líquidos podem ser de um litro por hora, embora como regra a quantidade perdida seja muito menor.

Em casos mais acentuados, a grande diminuição de água e sal provoca uma desidratação acentuada, com sede intensa, cãibras musculares, debilidade e uma produção mínima de urina.

A perda de líquidos nos tecidos causa um quadro com olhos muito encovados e com a pele das extremidades muito enrugada.

Se este quadro não for tratado, os graves desequilíbrios no volume sanguíneo e a maior concentração de sais podem conduzir a insuficiência renal, choque e coma.

Os sintomas de cólera costumam desaparecer ao fim de 3 a 6 dias.

Os indivíduos afetados libertam-se, geralmente, do microrganismo em duas semanas, mas alguns convertem-se em portadores permanentes.

O diagnóstico de cólera é feito pela história clínica e pelo exame médico, sendo confirmado laboratorialmente pelo isolamento da bactéria em amostras de líquido provenientes do reto ou das fezes.

 

Cerca de 80% dos casos de cólera podem ser tratados de modo eficaz recorrendo apenas à reidratação oral.

Nos doentes gravemente desidratados que não podem beber, recorre-se à administração de líquidos por via endovenosa.

O objetivo principal do tratamento é restituir a quantidade de líquidos perdidos através da diarreia e dos vómitos. Assim que os vómitos cessarem e o apetite voltar, é permitida a ingestão de alimentos sólidos.

O tratamento precoce com tetraciclina ou outro antibiótico elimina as bactérias e costuma interromper a diarreia em 48 horas.

Se estas medidas forem rapidamente instituídas, a mortalidade é inferior a  1%. Caso contrário, esta pode ultrapassar os 50%.

O fornecimento de água potável e um correto saneamento básico são essenciais para prevenir a cólera e outras doenças que sejam transmitidas pela água.

As vacinas orais são uma medida adicional de controlo mas não devem substituir as medidas referidas.

A purificação dos abastecimentos de água e a correta eliminação dos excrementos humanos revelam-se essenciais para controlar a cólera.

Outras precauções devem incluir a utilização de água fervida e a não ingestão de legumes crus ou peixe e mariscos mal cozinhados. É igualmente importante a lavagem frequente das mãos, o consumo de água engarrafada e preferir fruta descascada.

  • Manual Merck Online, 2014
  • Organização Mundial da Saúde, Fevereiro de 2014
  • Mayo Foundation for Medical Education and Research, Abril de 2014
  • Centers for Disease Control and Prevention, Julho de 2013
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Referência

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