CandidíaseSaúde Feminina

Atualizado em: Sábado, 27 de Janeiro de 2018 | 52 Visualizações

Fonte de imagem: Dicas Sobre Saúde

A candidíase é uma infeção causada por um fungo do género Candida. Existem diversas espécies deste fungo mas a mais prevalente é a Candida Albicans.

Estes fungos são dos mais comuns e podem causar infeção em praticamente todos os locais do organismo. As infeções por candidíase podem tanto ser superficiais, afetando a pele e mucosas, como serem invasivas, sendo estas mais comuns em doentes debilitados por outras doenças ou submetidos a tratamentos médicos e cirúrgicos invasivos.

Este fungo está presente na orofaringe de cerca de 30-55% dos adultos jovens saudáveis e pode ser detetado em cerca de 40-65% da flora normal das fezes.

Estes fungos são considerados oportunistas porque, em condições de saúde, não causam doença mas, quando o hospedeiro se encontra diminuído, provocam infeção.

A candidíase genital é uma das formas mais frequentes de infeção e afeta a vagina ou o pénis.

O fungo Candida normalmente reside na pele e nos intestinos. A partir destas zonas pode propagar-se para os órgãos genitais. A Candida não é habitualmente transmitida por via sexual.

A candidíase genital tem-se tornado muito frequente, sobretudo devido ao uso cada vez maior de antibióticos, contracetivos orais e outros medicamentos que modificam as condições da vagina favorecendo o crescimento do fungo. A candidíase é mais frequente entre as mulheres grávidas ou que estão menstruadas e nas diabéticas. Com muito menos frequência, o uso de fármacos (como os corticosteroides ou a quimioterapia contra o cancro) e a presença de doenças que deprimem o sistema imunitário (como a SIDA) podem facilitar a infeção.

Em 90% das mulheres a candidíase vulvovaginal é causada pela Candida albicans. Os outros casos são causados por outras espécies de Candida.

Cerca de 75% das mulheres terão pelo menos um episódio na sua vida e 40-45% terão dois ou mais. Cerca de 10 a 20% das mulheres são portadoras assintomáticas, sendo que na gravidez pode atingir os 40%.

A candidíase invasiva engloba uma grande variedade de doenças invasivas e tende a ocorrer em doentes em estado crítico. A sua incidência tem aumentado de um modo significativo nas últimas décadas, dado o aumento no número de procedimentos invasivos realizados em ambiente hospitalar e dadas as novas formas de imunodeficiência associadas aos transplantes de órgãos a infeções virais, como a infeção pelo vírus VIH/SIDA. Esta forma de doença é uma causa importante de aumento da mortalidade, maior tempo de internamento e maiores custos.

Como se referiu, estes fungos são agentes oportunistas e causam infeção sempre que as defesas do hospedeiro estão diminuídas.

Assim, o uso de medicamentos (antibióticos, contracetivos orais, corticoides, quimioterapia), a gravidez, a diabetes e todas as doenças que afetam o sistema imune (como a infeção pelo VIH/SIDA) aumentam o risco de candidíase.

Os sintomas irão depender do território afetado.

No caso da candidíase genital feminina, ocorre prurido ou irritação na vagina e na vulva e, ocasionalmente, uma secreção vaginal ligeira, espessa e inodora. A vulva pode ficar vermelha, pela inflamação, e a parede vaginal fica coberta por uma substância semelhante a queijo branco, embora possa ter um aspeto normal. As relações sexuais podem tornar-se dolorosas.

Os homens não apresentam habitualmente sintomas, mas a extremidade do pénis (a glande) e o prepúcio podem apresentar sintomas irritativos e dolorosos, sobretudo depois do coito. Por vezes, surge uma pequena secreção proveniente do pénis. A sua extremidade e o prepúcio podem apresentar uma cor avermelhada, com pequenas ulcerações ou vesículas com crosta e estarem cobertos por uma substância semelhante a queijo branco.

As formas cutâneas da candidíase manifestam-se pela presença de uma erupção que causa prurido, com formação de vesículas. Quando essas vesículas infetam ficam preenchidas com pus.

Podem existir formas de infeção gastrintestinal (da orofaringe ao esófago), respiratória, urinária (bexiga e rins), hepática e as formas invasivas onde diversos órgãos podem ser afetados em simultâneo, neles se incluindo o próprio coração, o cérebro, o globo ocular, o osso e articulações.

Cada um destes tipos de infeção irá apresentar um quadro clínico distinto e, do mesmo modo, o diagnóstico e tratamento terão de ser diferenciados.

No caso da candidíase genital, é possível um diagnóstico imediato, colhendo amostras da vagina ou do pénis e examinando-as ao microscópio. Estas também podem ser cultivadas.

O diagnóstico é essencialmente clínico e pode ser confirmado laboratorialmente por exame microscópico a fresco e/ou cultural (em meio de cultura específico para fungos).

É particularmente importante documentar a frequência dos episódios, estabelecer o diagnóstico e confirmar por meio de cultura.

Em função das localizações da candidíase, poderão ser solicitados outros tipos de meios complementares de diagnóstico que permitirão uma melhor caracterização da gravidade da infeção.

O tratamento da candidíase depende da localização da infeção e do estado geral do doente mas baseia-se na utilização de medicamentos antifúngicos.

Como este fungo pode apresentar resistência a alguns desses medicamentos, é importante avaliar primeiro os padrões de resistência de modo a se selecionarem os fármacos mais indicados.

Os antifúngicos podem ser utilizados sob a forma de creme ou pomada, por via oral ou injetável, em função do quadro clínico.

No caso das formas cutâneas, a prevenção passa pela manutenção da pele limpa e seca, pelo uso adequado dos antibióticos, por uma nutrição adequada e por um estilo de vida saudável.

Um adequado tratamento das doenças que aumentam o risco da candidíase, como a diabetes ou a infeção pelo VIH/SIDA, é essencial.

  • Manual Merck, 2009
  • Pereira, JM e col., Tratamento da Candidíase Invasiva no Doente Crítico, Rev Port Med Int 2010; 17(1): 23-30
  • Revisão dos Consensos em Infecções Vulvovaginais, Sociedade Portuguesa de Ginecologia, 2012
  • Jose A Hidalgo, Candidiasis, Medscape Reference, Agosto 2013
     
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Referência

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