Cálculos RenaisSistema Urinário

Atualizado em: Sábado, 09 de Dezembro de 2017 | 59 Visualizações

Fonte de imagem: Blog Fisio

Os cálculos renais, habitualmente designados por litíase urinária ou urolitíase, correspondem a uma doença na qual ocorre formação de cálculos, ("pedras") no aparelho urinário.

Os cálculos renais são estruturas sólidas que resultam da aglomeração de cristais que se formam devido a uma alteração metabólica do organismo.

Essa alteração determina um aumento da excreção urinária de substâncias que favorecem a formação de cálculos, como o cálcio, o ácido úrico, o oxalato e o fosfato e/ou uma diminuição da excreção de substâncias que inibem essa formação (citrato e magnésio, entre outas).

A composição química dos cristais determina o tipo de cálculo formado. Assim, existem vários tipos de cálculos, como os de oxalato de cálcio (60%), de oxalato de cálcio associado a fosfato de cálcio (20%), ácido úrico (8%), estruvite (8%), fosfato de cálcio (2%) e cistina e outros componentes (2%).

Aproximadamente uma em cada 100 pessoas desenvolve cálculos urinários ao longo da vida.

Cerca de 80% destas pessoas eliminam a pedra espontaneamente, juntamente com a urina. A eliminação dos cálculos pode ser muito dolorosa mas, de um modo geral, os cálculos renais não causam danos permanentes.

Os 20% restantes irão necessitar de algum tipo de tratamento.

As alterações metabólicas mais frequentes que podem criar condições para a formação de cálculos são o aumento da excreção urinária de cálcio, ácido úrico e oxalato, bem como a diminuição da excreção urinária de citrato e, menos frequentemente, de magnésio.

As infeções urinárias de repetição originam um tipo específico de cálculos. Nesse caso, o tratamento e prevenção poderão passar pela utilização prolongada de antibióticos que permitam manter a urina sem bactérias.

O risco é mais elevado quando existe uma história familiar desta condição, para idades superiores a 40 anos, no género masculino, em pessoas que ingerem poucos líquidos e/ou que vivem em climas quentes e nas dietas muito ricas em proteínas, sódio e açúcar.

A obesidade é outro fator de risco bem como algumas doenças ou cirurgias digestivas.

A acidose tubular renal, a cistinúria, o hiperparatiroidismo e o uso de alguns medicamentos são outros fatores de risco para a formação de cálculos renais.

A permanência de cálculos no aparelho urinário pode não causar qualquer sintoma ou desencadear sintomas muito intensos, nomeadamente a cólica renal e complicações clínicas graves, que podem terminar em insuficiência renal crónica.

Quando um cálculo renal se desloca do rim e passa para o ureter ocorrem sintomas como dor intensa na região lombar do mesmo lado, abaixo da inserção das costelas. Essa dor tende a difundir para a região inferior do abdómen e para a virilha e tende a ocorrer em ondas que variam de intensidade.

Ocorre ainda dor ao urinar e a urina tende a ficar rosada, vermelha ou castanha, como consequência do trauma causado pelo cálculo sobre a parede do ureter.

A dor associa-se frequentemente a náuseas e vómitos e a uma vontade persistente de urinar. Pode, ainda, ocorrer febre e calafrios.

Como regra, à medida que o cálculo se vai deslocando, a dor varia de local e de intensidade.

Após o primeiro diagnóstico de litíase urinária, é importante consultar um médico urologista que irá conduzir todo o processo de diagnóstico e irá tentar determinar qual o tipo de cálculo e qual a alteração metabólica associada.

O diagnóstico passa pela observação clínica complementada por exames ao sangue e à urina.

A constituição química do cálculo só pode ser definida mediante a análise bioquímica do cálculo urinário.

Assim, se o cálculo foi removido deverá ser enviado para análise. Se não foi removido, o doente deverá ser instruído sobre as técnicas para recuperação do cálculo que eventualmente eliminará, como, por exemplo, urinar para um filtro de papel. Quando for recuperado, o cálculo deve ser guardado num frasco seco.

O estudo por imagem é importante para determinar a localização do cálculo renal. Dependendo dos casos, pode recorrer-se à radiografia, ecografia ou tomografia computorizada.

O tratamento da litíase urinária passa por diversas fases.

Na fase inicial, durante a cólica renal, o alívio da dor é essencial. Aqui, os analgésicos e anti-inflamatórios são muito importantes.

Numa segunda fase, se necessário, dever-se-á remover ou fragmentar os cálculos.

A fragmentação dos cálculos pode ser realizada através de ultrassons.

A remoção de cálculos poderá ser feita através da uretra ou mediante a realização de uma pequena incisão na região dorsal.

A fase final passa pela prevenção da formação de novos cálculos. Essa prevenção é feita através da dieta e, quando necessário, mediante o recurso a medicamentos apropriados.

De facto, e uma vez que a formação de cálculos urinários resulta de uma alteração metabólica crónica, uma vez formado um primeiro cálculo, o doente estará sempre suscetível à formação de novos cálculos.

Estima-se que cerca de 50% dos doentes não tratados irá desenvolver um novo cálculo nos próximos 5 a 10 anos.

Importa também considerar no tratamento da litíase urinária, a abordagem das alterações metabólicas responsáveis pela sua formação.

A prevenção passa por medidas gerais, como o aumento da ingestão de líquidos e alterações gerais na alimentação.

É importante que os doentes bebam cerca de 2 litros de líquidos por dia (3 litros nos dias mais quentes) de modo a tornarem a urina menos concentrada e dificultar a formação de novos cálculos. Esta medida preventiva é muito importante já que, na ausência de qualquer outro tratamento, pode diminuir a formação de litíase em cerca de 60% dos casos.

Recomenda-se a ingestão de água, sumo de laranja, limão ou maçã.

Chá preto, café e refrigerantes à base de cola devem ser evitados.

As alterações alimentares podem ser feitas pelo médico urologista, podendo ser, se necessário, complementadas por um nutricionista.

De um modo geral, a ingestão de leite e derivados é permitida, em quantidades moderadas, geralmente duas vezes ao dia.

Deve dar-se preferência a carnes magras em quantidades moderadas, para reduzir a ingestão de proteínas.

É importante diminuir a quantidade de sal na preparação dos alimentos e evitar alimentos salgados.

Do mesmo modo, a ingestão de gorduras e de açúcar deve ser moderada.

Para cada caso individual poderão ser adotadas outras medidas dietéticas específicas. De facto, consoante a composição dos cálculos, importa selecionar a dieta mais adequada.

Estas medidas de prevenção permitem reduzir, em mais de 80% dos casos, o crescimento de cálculos já existentes, e a formação de novos cálculos.

  • J. Gomes e col., Urolitíase e Cólica Renal, Perspectiva terapêutica em Urologia, Acta Médica Portuguesa 2002; 15:369-380
  • Mayo Foundation for Medical Education and Research, Maio 2012
  • C. Turk e co., Guía Clínica sobre la Urolitiasis, European Association of Urology, 2010
  • National Kidney and Urologic Diseases Information Clearinghouse, Janeiro de 2013
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