BronquiectasiasSistema Respiratório

Atualizado em: Segunda, 18 de Maio de 2015 | 359 Visualizações

As bronquiectasias são a dilatação irreversível de um ou de vários brônquios na sequência de lesões na parede brônquica.  

A bronquiectasia não é em si uma doença única, mas ocorre por diversas vias e em consequência de diversos processos que lesam a parede brônquica ao interferir com as suas defesas, de forma directa ou indirecta. A afecção pode ser difusa ou manifestar-se somente numa área ou duas.

É típica a dilatação dos brônquios médios, mas, amiudadamente, os brônquios pequenos apresentam espessamento ou obliteração. Por vezes uma forma de bronquiectasia que afecta os grandes brônquios verifica-se na aspergilose broncopulmonar alérgica, uma afecção causada por uma resposta imune ao fungo Aspergillus.   

Normalmente, a parede brônquica é formada por várias camadas que variam em espessura e em composição segundo as diferentes partes das vias aéreas. O revestimento interno (mucosa) e a camada imediatamente inferior (submucosa) contêm células que ajudam a proteger as vias aéreas inferiores e os pulmões das substâncias potencialmente perigosas. Umas segregam muco, outras são células ciliadas com finas estruturas semelhantes a pêlos, cujos movimentos ajudam a eliminar as partículas e as mucosidades das vias aéreas inferiores. Outras células também desempenham um papel na imunidade e na defesa do organismo contra os microrganismos invasores e as substâncias nocivas. Fibras elásticas e musculares e uma camada cartilaginosa proporcionam estrutura às vias aéreas, permitindo a variação do seu diâmetro segundo as necessidades. Os vasos sanguíneos e o tecido linfático proporcionam os nutrientes e protegem a parede brônquica.  

Nas bronquiectasias encontram-se áreas da parede brônquica destruídas e cronicamente inflamadas; as células ciliadas estão também danificadas ou destruídas e a produção de muco está aumentada. Além disso, perde-se o tónus normal da parede. A área afectada torna-se mais dilatada e flácida, podendo surgir protuberâncias ou bolsas semelhantes a pequenos globos. O aumento do muco promove o crescimento das bactérias, obstrui os brônquios e favorece a estase das secreções infectadas, com lesão ulterior da parede brônquica. A inflamação pode propagar-se aos sacos de ar dos pulmões (alvéolos) e causar uma broncopneumonia, a formação de tecido cicatricial e uma perda de tecido pulmonar são. Nos casos graves, o coração pode, finalmente, esforçar-se excessivamente por causa da cicatrização e da perda de vasos sanguíneos no pulmão. Além disso, a inflamação dos vasos sanguíneos da parede brônquica pode provocar uma expectoração sanguinolenta. A obstrução das vias aéreas inferiores pode levar a valores anormalmente baixos de oxigénio no sangue.  

Muitas afecções podem causar bronquiectasias, sendo a mais frequente a infecção, quer crónica, quer recorrente. A resposta imune anormal, os defeitos congénitos que afectam a estrutura das vias aéreas inferiores ou a capacidade das células ciliadas para expulsar o muco e os factores mecânicos, como a obstrução brônquica, podem predispor às infecções que conduzem às bronquiectasias. Num número reduzido de casos, estas são provavelmente consequência da aspiração de substâncias tóxicas que lesam os brônquios.

 Bronquiectasias As bronquiectasias correspondem à dilatação dos brônquios    

Não se recomendam os fármacos que suprimem a tosse porque podem complicar o processo. No tratamento das bronquiectasias em doentes com grandes quantidades de secreções, é fundamental a drenagem postural e a percussão do tórax várias vezes ao dia.

As infecções tratam-se com antibióticos, os quais, às vezes, se prescrevem durante um longo período para impedir recidivas. Também se podem administrar fármacos anti-inflamatórios como os corticosteróides e os mucolíticos (fármacos que diluem o pus e a mucosidade). Se a concentração de oxigénio no sangue é baixa, a administração de oxigénio ajuda a prevenir complicações como o cor pulmonale (uma afecção cardíaca relacionada com uma doença pulmonar). Se a pessoa sofre de insuficiência cardíaca, os diuréticos podem aliviar o edema. Quando existe falta de ar ou se observam sibilos ao respirar, costumam ser úteis os fármacos broncodilatadores.

Em casos excepcionais, é necessário extirpar cirurgicamente uma parte do pulmão. Este tipo de cirurgia só é opção quando a doença se limita a um pulmão ou de preferência a um lobo ou a um segmento do mesmo. A cirurgia é uma alternativa para as pessoas que sofrem de infecções repetidas apesar do tratamento ou que expectoram grande quantidade de sangue. Em caso de hemorragia, deve-se, às vezes, intervir para obstruir o vaso sangrante.

 

Causas de bronquiectasias
Infecções respiratóriasSarampo
Tosse convulsiva
Infecção por adenovírus
Infecção bacteriana, por exemplo, por Klebsiella
Staphylococcus (estafilococo) ou Pseudomonas
Gripe
Tuberculose
Infecção por fungos
Infecção por micoplasma
Obstrução brônquicaAspiração de objectos
Gânglios linfáticos aumentados de volume
Tumor pulmonar
Rolhão de muco
Lesões por inalaçãoLesões por vapores nocivos, gases, ou partículas
Aspiração de ácido do estômago e partículas de alimentos
Condições genéticasFibrose quística
Discinesia ciliar, incluindo a síndroma de Kartagener
De ficiência de alfa1-antitripsina
Alterações do sistema imuneSíndroma de deficiência de imunoglobulina
Disfunções dos glóbulos brancos
Deficiências do complemento
Determinadas perturbações auto-imunes ou hiperimunes, como a artrite reumatóide e a colite ulcerosa
Outras situaçõesAbuso de drogas, por exemplo, heroína
Infecção pelo vírus da imunodeficiência humana (VIH)
Síndroma de Young (azoospermia obstrutiva)
Síndroma de Marfan

Apesar de as bronquiectasias poderem ocorrer em qualquer idade, o processo começa com maior frequência na primeira infância. No entanto, os sintomas podem não se manifestar senão muito tarde ou mesmo nunca. Os sintomas começam gradualmente, geralmente depois de uma infecção do tracto respiratório, e tendem a piorar com o passar dos anos. A maioria das pessoas desenvolve uma tosse de longa duração que produz expectoração, cuja quantidade e tipo dependem da extensão que a doença tenha e da presença de complicações por uma infecção associada. Com frequência a pessoa tem acessos de tosse somente pela manhã e pela tarde. A tosse com sangue é algo comum e pode ser o primeiro e único sintoma.

Os episódios frequentes de pneumonia podem indicar também a existência de bronquiectasia. Os indivíduos que sofrem de bronquiectasia muito generalizada podem ter, além disso, sibilos ao respirar ou falta de ar; também podem sofrer de bronquite crónica, enfisema ou asma. Os casos mais graves, que se produzem com maior frequência nos países menos desenvolvidos, podem esforçar o coração excessivamente, ocasionando uma insuficiência cardíaca, uma afecção que pode causar inchaço (edema) dos pés e das pernas, acumulação de líquido no abdómen e maior dificuldade em respirar, especialmente estando deitado.

A bronquiectasia pode diagnosticar-se pelos sintomas ou pela presença de outro processo associado. No entanto, são necessároas radiografias para confirmar o diagnóstico e avaliar a extensão do processo e a localização da doença.

A radiografia do tórax pode estar normal, mas algumas vezes detectam-se as alterações pulmonares causadas pelas bronquiectasias. A tomografia axial computadorizada (TAC) de alta resolução pode, de modo geral, confirmar o diagnóstico e é especialmente útil para determinar a extensão da doença no caso de se admitir um tratamento cirúrgico.

Uma vez que se tenha diagnosticado a bronquiectasia, efectua-se uma série de exames para determinar a doença ou doenças que a causam. Esses exames podem consistir numa análise dos valores das imunoglobulinas no sangue, da concentração do sal no suor (que é anormal na fibrose quística) e no exame de amostras nasais, brônquicas ou de esperma para determinar se as células ciliadas têm defeitos estruturais ou funcionais. Quando as bronquiectasias se limitam a uma zona, por exemplo um lobo pulmonar, costuma efectuar-se uma broncoscopia de fibra óptica (um exame utilizando um tubo de observação que se introduz nos brônquios) para determinar se a causa é um objecto estranho ou um tumor. Podem efectuar-se outros exames para identificar as doenças subjacentes, como a aspergilose broncopulmonar alérgica.

Bronquiectasias

Nas bronquiectasias, algumas zonas da parede brônquica estão destruídas e inflamadas de modo crónico; as células ciliadas estão destruídas ou deterioradas e, como consequência, a produção de muco aumenta.

 

As vacinas infantis contra o sarampo e a tosse convulsa contribuíram para diminuir o risco de contrair bronquiectasias. A vacinação anual contra o vírus da gripe ajuda a prevenir os efeitos nocivos desta doença.

Por um lado, a vacina antipneumónica pode ajudar a evitar os tipos específicos de pneumonia pneumónica com as suas graves complicações. Por outro lado, a administração de antibióticos durante a primeira fase de infecções, como a pneumonia e a tuberculose, pode também prevenir as bronquiectasias ou reduzir a sua gravidade.

A administração de imunoglobulinas na síndroma de deficiência imunoglobulínica pode evitar as infecções recorrentes e as complicações derivadas das mesmas.

O uso adequado de fármacos anti-inflamatórios como os corticosteróides pode prevenir as lesões brônquicas que causam as bronquiectasias, especialmente naqueles indivíduos com aspergilose broncopulmonar alérgica.

Evitar a aspiração de vapores tóxicos, gases, fumo (incluindo o tabaco) e poeiras tóxicas (como o silício ou o talco) contribuem para prevenir a bronquiectasia ou pelo menos para diminuir a sua gravidade.

A aspiração de objectos estranhos para as vias aéreas pode evitar-se controlando o que a criança leva à boca, evitando a hipersedação por fármacos ou álcool e solicitando cuidados médicos no caso de sintomas neurológicos, como a perda de consciência ou problemas gastrointestinais, como a dificuldade em deglutir, a regurgitação ou a tosse depois de comer.

Recomenda-se evitar a instilação de gotas oleosas ou óleos minerais na boca ou no nariz ao deitar, uma vez que podem ser aspirados para os pulmões. Pode efectuar-se uma broncoscopia para detectar e tratar uma obstrução brônquica antes que se verifiquem danos graves.

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