BlefariteVisão

Atualizado em: Sábado, 27 de Janeiro de 2018 | 265 Visualizações

Fonte de imagem: Opas

A blefarite corresponde a um processo inflamatório das pálpebras.

A blefarite pode surgir de forma isolada ou, mais frequentemente, associar-se a uma inflamação da superfície ocular, processo que se designa por conjuntivite.

As blefarites podem ter uma causa infecciosa, inflamatória, alérgica, dermatológica ou tóxica.
Não sendo doenças graves, geram incómodo significativo e, como tal, merecem um diagnóstico e um tratamento adequados.

De um modo geral, a blefarite resulta de uma disfunção das glândulas situadas junto da inserção das pestanas, causando inflamação, irritação e prurido.
As befarites tendem a ser doenças crónicas, com frequência de tratamento difícil.

A causa exacta nem sempre é fácil de identificar.

Existem diversos factores de risco associados ao desenvolvimento da blefarite, tais como a dermatite seborreica, as infecções bacterianas, a rosácea (doença da pele), as alergias a medicamentos, lentes de contacto ou maquilhagem, as infecções por parasitas como os piolhos, medicamentos como a isotretinoina, usada no tratamento da acne.

Frequentemente, a blefarite resulta da combinação de diversos factores e não de um factor isolado.

Os sintomas das blefarites incluem o lacrimejo, a vermelhidão ocular, a sensação de ardor, o aspecto gorduroso das pestanas, prurido, inchaço e vermelhidão das pálpebras, presença de descamação em torno das pestanas, por vezes com formação de crostas, dificuldade em abrir os olhos, pestanejo mais frequente, maior sensibilidade à luz, crescimento anómalo de pestanas ou, pelo contrário, perda excessiva de pestanas.

Estas alterações nas pestanas podem causar um crescimento em direcções anómalas, irritando a córnea e a conjuntiva e podendo causar dor adicional e infecções secundárias mais graves.

Se a blefarite não for devidamente tratada, a pele das pálpebras pode sofrer alterações mais permanentes, com processos de cicatrização e deformação.

As alterações nas glândulas da pálpebra que formam elementos essenciais da lágrima alteram as características destas, deixando os olhos mais secos, com uma lágrima mais espessa e com maior tendência a acumular-se sob a forma de crostas ou muco que interferem com a visão e que causam desconforto.

Por outro lado, uma lágrima com composição alterada é menos capaz de exercer a sua função protectora e, por isso, o risco de infecções oculares aumenta.

No caso de portadores de lentes de contacto, o seu uso torna-se mais difícil.

As alterações nas pálpebras podem aumentar o risco de formação de treçolhos ou de lesões quísticas palpebrais, como consequência da obstrução dos canais de saída das glândulas e consequente acumulação do seu conteúdo. Esses quistos podem infectar ou inflamar, causando dor intensa e deformação palpebral, obrigando a tratamento intensivo e, em alguns casos, a cirurgia.

Como resultado da inflamação crónica, os olhos podem apresentar-se constantemente avermelhados e as lesões na córnea, se não forem devidamente diagnosticadas e tratadas, podem afectar de modo grave a visão.

O diagnóstico da blefarite é clínico e é feito durante a consulta pelo médico oftalmologista.

Em alguns casos, pode ser útil a recolha de material acumulado nas pálpebras ou nas pestanas para realização de estudos laboratoriais.

O tratamento passa por uma adequada higiene dos olhos e pálpebras.

É útil limpar as pálpebras com água tépida, o que permite aliviar o desconforto e remover a descamação acumulada. Em muitos casos, este procedimento é suficiente.

Existem no mercado compressas embebidas em soluções com propriedades calmantes e desinfectantes que podem complementar essa higiene.

Em alguns casos, pode ser necessário recorrer a antibióticos em gotas e/ou pomada, soluções com corticóides ou anti-alérgicos.

O uso de lágrimas artificiais permite atenuar as alterações existentes na produção de lágrimas normais, mantendo uma normal lubrificação ocular, melhorando e visão e aliviando os sintomas.

Sempre que a blefarite se associe a outras doenças, essas deverão ser igualmente tratadas de modo a evitar novos episódios.

E importante perceber que a blefarite tende a ser crónica e a sofrer recaídas. Por isso, os sintomas podem ser frequentemente melhorados mas raramente eliminados.

Quando o tratamento com compressas mornas e higiene palpebral é frequente, os sintomas frequentemente reaparecem. Assim, o tratamento a longo prazo pode ser necessário.

A prevenção da blefarite passa por gestos como a remoção da maquilhagem ao deitar e por uma adequada higiene dos olhos e do rosto.

No local de trabalho, é importante um controlo da humidade, dos níveis de poeira e de poluição, garantir o uso de protecção ocular sempre que justificada e uma avaliação oftalmológica regular.

  • Mayo Foundation for Medical Education and Research, mar. 2013
  • American Academy of Ophthalmology, Out. 2010
  • WebMD Medical Reference, Nov. 2013
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