Bexiga hiperativaSistema Urinário

Atualizado em: Sexta, 12 de Maio de 2017 | 72 Visualizações

Fonte de imagem: Canadian Pharmacy

A bexiga hiperativa não corresponde a uma doença mas a um conjunto de sintomas, como a necessidade urgente de urinar (urgência miccional), com ou sem incontinência, habitualmente acompanhada de frequência e de aumento no número de micções noturnas (noctúria), na ausência de infeção ou outra doença que possa explicar esses sintomas.
 
Este quadro afecta de modo significativo a qualidade de vida, aumenta o risco de depressão e reduz a qualidade do sono. São frequentes os efeitos psicológicos, com sentimentos de medo, vergonha e culpa. A preocupação em relação ao odor, a sensação de sujidade, a incontinência durante a actividade sexual podem comprometer a vida afectiva dos pacientes afectados e a frequência urinária e a necessidade de interromper tarefas interfere com a capacidade de trabalho e de viajar.
 
Nos Estados Unidos da América, estima-se cerca de 30% dos homens e 40% das mulheres apresentem sintomas de bexiga hiperativa.
 
Em Portugal, estima-se que a prevalência de sintomas indicativos de bexiga hiperativa é ligeiramente superior em homens do que em mulheres.
 
Estes números poderão ser maiores porque muitas pessoas com sintomas não recorrem ao médico por vergonha ou por desconhecerem que existe tratamento.
 
A prevalência da BHA aumenta com a idade (20% aos 70 anos e 30% aos 75 anos); contudo, não deve ser encarada como parte do envelhecimento, mas sim como uma perturbação que pode ser tratada.

A bexiga hiperativa é um distúrbio neuromuscular, no qual o músculo da parede da bexiga se contrai inapropriadamente durante o seu enchimento, comprometendo a fase de armazenamento.
 
Quando a bexiga não está cheia, o seu músculo está relaxado. Quando ela está mais preenchida, são enviados sinais para o sistema nervoso com essa informação e assim se desencadeia a vontade de urinar. A bexiga hiperativa ocorre quando esse sinal é enviado mesmo sem a bexiga estar cheia ou quando os músculos da bexiga são demasiado activos, forçando a bexiga a contrair-se mesmo sem estar cheia e, desse modo, causando uma vontade urgente de urinar.
 
As causas são diversas: traumatismo com lesão medular, AVC, esclerose múltipla, demência, Doença de Parkinson, Diabetes, insuficiência cardíaca, insuficiência venosa periférica, medicamentos (diuréticos, betanecol), mudanças posturais, o tossir e o andar.
 
As pessoas com depressão ou diabetes mellitus insulino-dependente têm um risco mais elevado de desenvolver bexiga hiperativa. A idade (superior a 75 anos), artrite, terapêutica hormonal de substituição oral, mulheres com índice de massa corporal aumentado, doença pulmonar obstrutiva crónica, obstipação, imobilidade, cirurgia vesical ou vaginal, histerectomia e alguns medicamentos (beta-bloqueantes, antidepressivos, antipsicóticos, alguns anti-hipertensores, diuréticos, sedativos) são igualmente factores de risco para esta condição.
 
As alterações fisiológicas associadas ao envelhecimento, tais como diminuição da capacidade vesical e alterações do tónus muscular, também favorecem o desenvolvimento da bexiga hiperativa.
 
Alguns alimentos são irritantes para a bexiga, como a cafeína, álcool e alimentos condimentados e, por isso, acentuam os sintomas da bexiga hiperativa.

O sintoma principal é a sensação de urgência miccional. Esta sensação é quase incontrolável e acompanha-se do receio de não se conseguir chegar a um quarto de banho a tempo. Pode ocorrer, ou não, perda de alguma urina.

Ocorre, ainda, um aumento no número de micções diárias e é comum o acordar durante a noite mais do que uma vez com vontade de urinar.
 
É importante sublinhar que os sintomas da bexiga hiperativa podem resultar de infecção urinária, lesões de nervos ou serem um efeito secundário de alguns medicamentos. Como tal, é essencial recorrer sempre ao médico quando surgem sintomas de bexiga hiperativa.

O diagnóstico passa pela história clínica, pelo exame médico e por alguns exames complementares, como análises de urina e avaliação do resíduo pós miccional.
 
O exame neurológico é importante em alguns casos.
 
Em alguns pode ser útil uma ecografia da bexiga.

O tratamento depende da gravidade dos sintomas e da sua interferência no estilo de vida do doente.
 
Esse tratamento pode ser farmacológico, comportamental ou cirúrgico. Uma combinação dos dois primeiros é eficaz na maioria dos doentes.
 
Existem medicamentos que relaxam o músculo da bexiga e que o impedem de contrair nos momentos errados.
As intervenções comportamentais consistem em limitar o consumo de irritantes vesicais (cafeína, álcool), treino vesical, técnicas de supressão da urgência e exercícios do pavimento pélvico.
 
Outras opções são tratamentos neuromoduladores, nos quais se utilizam estímulos eléctricos sobre os nervos para modificar o seu funcionamento e a toxina botulínica, administrada na bexiga de modo a reduzir a sua frequência de contracção.
A cirurgia está indicada nos casos em que as outras modalidades não são eficazes.
 
Caso sejam identificadas outras doenças como causa dos sintomas de bexiga hiperativa, elas devem ser tratadas em conformidade.

Existem algumas actividades que podem reduzir o risco de desenvolvimento de bexiga hiperativa: prática regular de exercício físico, redução do consumo de cafeína e álcool, não fumar, tratamento e controlo de doenças crónicas, como a diabetes, que podem contribuir para a bexiga hiperativa, realização de exercícios para fortalecimento os músculos pélvicos.

  • UCLA Health, 2013
  • Paulo Temido e col., Bexiga Hiperactiva, Associação Portuguesa de Urologia, Maio de 2012
  • Urology Care Foundation, Março 2013
  • Mayo Foundation for Medical Education and Research, Julho de 2013
  • The Royal Australian College of General Practitioners 2012
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Referência

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