AstigmatismoVisão

Atualizado em: Segunda, 01 de Maio de 2017 | 99 Visualizações

Fonte de imagem: Cuidado de la

O astigmatismo corresponde a um erro refractivo, ou seja, a uma alteração da configuração dos olhos que afeta a forma como as imagens são formadas e transmitidas ao cérebro.

É um erro refrativo muito comum, correspondendo a cerca de 13% de todos os erros refrativos. Os outros erros refrativos mais comuns são a miopia e a hipermetropia.

O astigmatismo resulta de uma irregularidade da curvatura da córnea, a camada mais anterior dos olhos, que, em vez de ser perfeitamente convexa, apresenta uma superfície irregular com zonas mais elevadas e outras mais planas.

Essa irregularidade determina que, quando as imagens são projetadas na retina, elas sofram uma distorção ao passarem pela córnea e, como tal, surgem desfocadas.

A sua incidência varia com a idade, sendo muito frequente nos primeiros meses de vida (cerca de 20%), reduzindo-se na idade escolar para uma frequência perto dos 5% e nos jovens adultos podendo atingir cerca de 60% das pessoas, sendo, de um modo geral, um astigmatismo muito ligeiro, inferior a 0,5 dioptrias.

Na prática, quase todas as pessoas apresentam um pequeno grau de astigmatismo, mas que não chega a afetar a qualidade da visão.

Em Portugal estima-se que cerca de 20% das crianças e metade da população adulta sofram de erros refrativos significativos, incluindo o astigmatismo.

A presença de astigmatismo traduz-se numa redução da qualidade da visão. Numa criança, essa redução pode passar despercebida, sobretudo se o astigmatismo afetar apenas um olho.

As crianças podem queixar-se de dores de cabeça, de cansaço, o seu rendimento escolar pode ser afetado, tendem a aproximar-se muito da televisão ou dos objetos mas, em muitos casos, nada disso acontece.

Por essa razão, é importante realizar um rastreio oftalmológico por volta dos três anos. Essa consulta permitirá detetara presença de astigmatismo,miopia ou hipermetropia e, se necessário, proceder à sua correção.

No adulto, as queixas são mais óbvias porque é mais fácil perceber e verbalizar a dificuldade visual.

No astigmatismo, tanto a visão de perto como a de longe estão comprometidas.

Não se conhece a causa exata do astigmatismo. Como regra, está presente desde o nascimento e quase sempre associado a miopia ou a hipermetropia.

A sua base é essencialmente genética mas pode surgir após um traumatismo ou uma cirurgia ocular.

Algumas doenças oculares, como o queratocone em que a córnea fica progressivamente mais fina, associam-se a graus elevados de astigmatismo.

O diagnóstico é realizado durante a consulta de Oftalmologia, existindo diversos equipamentos que permitem uma deteção e quantificação rápidas desta anomalia, tanto no adulto como na criança.

Mesmo em crianças que ainda não colaboram nos testes normais de visão, existem alternativas que permitem um diagnóstico preciso.

Nessa consulta, todo o globo ocular é avaliado no sentido de estudar as suas características e de excluir possíveis causas de astigmatismo bem como outras doenças oculares.

As formas ligeiras de astigmatismo, que não interferem de modo significativo com a visão, não requerem tratamento.

Quando o astigmatismo é elevado e/ou quando afeta a qualidade da visão, importa corrigi-lo recorrendo a óculos, lentes de contacto ou cirurgia refrativa.

  • Óculos: os óculos são a solução ideal em crianças até aos 15 anos de idade. No caso de pessoas com mais de 40 anos, poderá ser necessário um tipo de lente nos óculos que corrija tanto o astigmatismo como a chamada “vista cansada para o perto”. Essas lentes são progressivas, por conterem graduações diferentes ao longo da sua superfície.
  • Lentes de contacto: as lentes de contacto poderão ser utilizadas a partir daí desde que não existam contraindicações, como a presença de alergia, falta de lágrima, exposição intensa a fumos ou a ambientes muito secos. O uso de lentes de contacto requer rigor, higiene e disciplina, sendo importante um acompanhamento médico regular que garanta a pronta deteção e correção de quaisquer anomalias resultantes da sua utilização. Existem vários tipos de lentes de contacto e a seleção de qual a mais apropriada dependerá sempre de uma avaliação médica prévia. Tanto os óculos como as lentes de contacto compensam o erro refrativo causado pelo astigmatismo mas não o curam.
  • Cirurgia refrativa: a cirurgia refrativa está indicada em pessoas com astigmatismo, com mais de 18 anos e com uma graduação estabilizada há, pelo menos, 12 meses.Essa cirurgia, quando realizada por laser, permite moldar a superfície da córnea e corrigir os erros de superfície correspondentes ao astigmatismo. Trata-se de um procedimento muito simples, feito sob anestesia local, com uma duração de 15-20 minutos e que permite uma visão normal em menos de 24 horas. Mesmo na presença de um quadro combinado de astigmatismo e miopia ou astigmatismo e hipermetropia, esta cirurgia permite resultados fiáveis, seguros e muito rápidos.
  • Lente dentro do globo ocular: uma alternativa ao laser é a colocação de uma lente dentro do globo ocular que permite compensar o astigmatismo, à semelhança do que se consegue com a lente de contacto mas de uma forma permanente.

Embora o astigmatismo possa sofrer alterações ao longo do tempo, tornando necessárias atualizações da graduação dos óculos ou das lentes de contacto, ele corresponde a um processo benigno sem implicações permanentes na visão.

A exceção a esta afirmação corresponde às crianças com idade inferior a 5-6 anos. Se existir um astigmatismo significativo presente desde os primeiros anos de vida e que não foi corrigido até essa idade, pode ocorrer um quadro que se designa por ambliopia, o vulgar “olho preguiçoso”, que implica uma interrupção do normal desenvolvimento da visão. Essa interrupção, depois dos 5-6 anos, tende a tornar-se permanente e irreversível.

Daí todo o interesse na realização de uma primeira consulta de oftalmologia a todas as crianças por volta dos 3 anos, de modo a garantir que qualquer tipo de erro refractivo seja prontamente diagnosticado e corrigido antes da instalação da ambliopia.

  • PubMed Health, Set. 2012
  • American Optometric Association, 2013
  • BMJ Publishing Group, Evidence Centre, 2011
  • Programa Nacional para a Saúde da Visão, Direcção Geral da Saúde, 2004
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Referência