Artrite InflamatóriaOssos, Articulações e Músculos

Atualizado em: Segunda, 01 de Maio de 2017 | 81 Visualizações

Fonte de imagem: Senior City

A artrite corresponde a um processo inflamatório articular que se caracteriza pela presença de derrame articular e/ou dor à movimentação, calor, vermelhidão e limitação funcional.
 
De um modo geral, os sinais e sintomas das artrites duram até seis semanas. As artrites podem afectar apenas uma articulação (monoartrite), menos do que cinco articulações (oligoartrite) ou mais do que 5 articulações (poliartrite).
 
As artrites inflamatórias fazem parte de um conjunto de doenças que afectam o sistema imune e, por isso, os sistemas de defesa do corpo atacam os tecidos do próprio organismo em vez de atacarem microrganismos ou substâncias externas. Estas doenças são conhecidas como doenças auto-imunes.
 
Artrite inflamatória
As artrites inflamatórias mais comuns são a artrite reumatóide, a espondilite anquilosante e a artrite associada à psoríase.
 
Estas doenças podem ocorrer em qualquer idade e tendem a afectar outras partes do corpo. Podem afectar homens, mulheres e crianças em qualquer idade. Contudo, no caso da artrite reumatóide, 75% dos pacientes afectados são do género feminino e ocorre mais frequentemente entre ao 25 e os 50 anos. O lúpus eritematoso sistémico é igualmente mais comum no género feminino. Por outro lado, a artrite psoriásica e a espondilite anquilosante são mais frequentes em populações mais jovens.
 
As artrites inflamatórias não são curáveis mas o seu prognóstico tem vindo a melhorar nos últimos 20-30 anos. Existem novos tratamentos que são iniciados mais cedo, assim reduzindo a lesão articular, a necessidade de cirurgia e o número de complicações.
 
É importante não confundir as artrites inflamatórias com a osteoartrose, que corresponde a um processo degenerativo que ocorre quando se verifica desgaste das cartilagens e/ou ligamentos. Quando essas estruturas estão lesadas, os músculos que as rodeiam contraem-se para proteger a articulação. Quando esse mecanismo não é eficaz, o osso em torno da articulação cresce formando esporões que tentam estabilizar a articulação.
 
No caso das artrites inflamatórias, os desafios colocados aos doentes são de ordem física (dor, incapacidade, fadiga, lesão de articulações e órgãos) e emocional (depressão, frustração, ansiedade).

De um modo geral, a causa das artrites inflamatórias é desconhecida, pensando-se que na sua origem estão factores de ordem inflamatória ou auto-imune.
 
O papel da genética ainda não está bem esclarecido.
 
Quando ocorre o processo inflamatório, são libertadas substâncias químicas que vão afectar diversos tecidos. Essa libertação tende aumentar o fluxo sanguíneo na zona afectada, podendo causar calor e vermelhidão. O inchaço associado pode estimular alguns nervos causando dor.

Muitas pessoas com artrite inflamatória não apresentam quaisquer sinais de doença.

O aumento do fluxo sanguíneo e a libertação de substâncias químicas atraem glóbulos brancos para o local da inflamação. Estes fenómenos causam irritação, desgaste articular e inchaço.
 
Os sintomas mais comuns das artrites inflamatórias são vermelhidão, inchaço das articulações que ficam dolorosas e sensíveis ao toque, dor articular, rigidez articular e perda de função das articulações envolvidas.
Sendo uma doença geral, pode ocorrer febre, calafrios, fadiga e perda de energia, cefaleias, perda de apetite e rigidez muscular.
 
Se a inflamação afectar outros órgãos, os sintomas poderão variar. Se ocorrer inflamação do miocárdio, ocorrerá dor torácica ou retenção de líquidos, se a inflamação envolver a árvore brônquica ocorrerá dificuldade respiratória, se afectar os rins poderá surgir hipertensão ou insuficiência renal, no caso do sistema visual ocorrerá dor e diminuição da visão, se comprometer os músculos provoca dor e fraqueza muscular, se englobar os vasos sanguíneos poderão verificar-se vasculites, com manifestações na pele ou lesão de outros órgãos mais profundos.
 
A dor nem sempre está presente porque diversos órgãos não apresentam nervos sensíveis à dor.

O diagnóstico das artrites inflamatórias passa pelo exame médico, com destaque para a localização das articulações afectadas, pela presença de rigidez matinal e de queixas localizadas a outros órgãos, devendo estes elementos ser complementados pelos exames radiológicos e laboratoriais.

 

Existem diversas opções para o tratamento destas artrites, nas quais se inclui o repouso e a cirurgia.

O tipo de tratamento dependerá de diversos factores, tais como o tipo de doença, a idade do paciente, as medicações em curso, o estado geral de saúde e a gravidade dos sintomas.
 
Os objectivos centrais do tratamento são evitar ou modificar actividades que agravem a dor, recorrer a medicamentos anti-inflamatórios ou analgésicos para controlo da dor e da inflamação e diminuir a pressão exercida sobre as articulações afectadas mediante o recurso a sistemas de imobilização ou de suporte, sempre que necessário.
 
Os medicamentos mais utilizados no tratamento das artrites inflamatórias são aqueles que reduzem a inflamação e o inchaço e que previnem ou minimizam a progressão da própria doença. Os mais utilizados são a aspirina, ibuprofeno, corticóides e medicamentos como os usados em quimioterapia, terapêuticas biológicas ou medicamentos narcóticos para alívio da dor.
 
O papel da reabilitação precoce é essencial e pode incluir fisioterapia, protecção das articulações, exercícios para recuperação de força e flexibilidade.

Não existindo uma causa específica, a prevenção é mais difícil.

Contudo, o exercício físico regular e adaptado à idade e condições de cada pessoa, uma dieta equilibrada, um adequado controlo de peso, são bons exemplos de medidas que podem ajudar a prevenir as diversas formas de artrite.

  • Arthritis Research UK, 2013
  • WebMD, 2012
  • Lesko M. e col., Managing inflammatory arthritides: Role of the nurse practitioner and physician assistant. Journal of the American Academy of Nurse Practitioners, 382–392, July 2010
  • National Center for Biotechnology Information, U.S. National Library of Medicine, 2013
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Referência