ArritmiasSangue e Sistema Cardiovascular

Atualizado em: Domingo, 23 de Abril de 2017 | 63 Visualizações

Fonte de imagem: McGill University

Quando ocorrem as Arritmias Cardíacas?

As alterações do ritmo cardíaco (arritmias) ocorrem quando os impulsos elétricos do coração que coordenam os batimentos cardíacos não são emitidos de um modo adequado, fazendo com que o coração bata demasiado depressa, demasiado devagar ou de um modo irregular.

A maioria das arritmias afeta pessoas com mais de 60 anos de idade, dada a presença de doença cardíaca e de outros problemas de saúde que se podem associar às arritmias.

A fibrilhacão auricular é a arritmia mais frequente e afeta cerca de 1% das pessoas com menos de 55 anos. Este tipo de arritmia aumenta de frequência ao longo da vida, sobretudo entre os 65 e os 80 anos. 

Considerando-se a elevada taxa de mortalidade por acidente vascular cerebral (AVC) em Portugal e assumindo-se que a fibrilhação auricular está na base de 15% dos AVC isquémicos, entende-se que é importante controlar esta arritmiacomo forma de prevenir a ocorrência de AVC.

Uma arritmia é, portanto, um problema do ritmo dos batimentos cardíacos. Durante uma arritmia o coração bate mais depressa (taquicardia), mais devagar (bradicardia) ou irregularmente.

O coração é um órgão muscular com quatro cavidades concebidas para trabalharem de modo ininterrupto e eficaz durante toda a vida. As paredes musculares de cada cavidade contraem-se numa sequência precisa e, durante cada batimento, expulsam a maior quantidade de sangue com o menor esforço possível.

Essas contrações das fibras musculares do coração são controladas por descargas elétricas que percorrem o coração seguindo diferentes trajetórias e a uma velocidade determinada.

A frequência cardíaca em repouso é de 60 a 100 batimentos por minuto. Muitos adultos jovens apresentam frequências cardíacas mais baixas, sobretudo se estiverem em boas condições físicas.

As variações na frequência cardíaca são normais e podem resultar do exercício, da inatividade, da dor, ansiedade, etc. Só quando o ritmo é inadequadamente rápido ou lento, ou quando os impulsos elétricos seguem vias anómalas, se considera que o coração tem um ritmo anormal (arritmia).

Para além disso, é frequente as arritmias serem inofensivas, no sentido em que todas as pessoas podem apresentar batimentos irregulares ocasionalmente. No entanto, as arritmias podem ser desconfortáveis e podem, por vezes, colocar a vida em risco. Durante uma arritmia, o coração pode não ser capaz de bombear sangue suficiente para o corpo, o que pode causar danos no cérebro, coração e outros órgãos.

Uma arritmia pode ocorrer quando os sinais elétricos que controlam os batimentos cardíacos estão desfasados ou bloqueados ou se uma estrutura do coração deixa de produzir sinais elétricos.

Cada tipo de arritmia tem a sua própria causa. As arritmias ligeiras podem surgir pelo consumo excessivo de álcool ou de tabaco, por stress ou pelo exercício. A hiperatividade, doenças da tiroide e alguns fármacos, especialmente os utilizados para o tratamento das doenças pulmonares e da hipertensão, podem também alterar a frequência e o ritmo cardíacos. A cocaína e as anfetaminas, alguns medicamentos de venda livre e a cafeína também podem ser responsáveis por arritmias.

A causa mais frequente das arritmias é a doença cardíaca, em particular a doença das artérias coronárias, o enfarte do miocárdio, a hipertensão arterial, o mau funcionamento das válvulas e a insuficiência cardíaca. Algumas doenças cardíacas congénitas também causam arritmias.

A diabetes, a obesidade e a apneia do sono também podem estar envolvidas neste tipo de alterações. Um choque elétrico pode ser o fator desencadeante de uma arritmia.

Por vezes, as arritmias surgem sem uma causa detetável.

Alguns tipos de arritmias provocam poucos sintomas ou nenhuns, mas podem causar problemas. Outras nunca causam problemas importantes, mas, por outro lado, provocam sintomas.

Quando as arritmias afetam a capacidade do coração para bombear sangue, podem causar enjoos, vertigem e desmaio. As arritmias que provocam estes sintomas requerem atenção imediata.

Outros sintomas possíveis são palpitações, dor no peito, dificuldade na respiração.

É importante que procure o seu médico sempre que sentir estes sintomas de um modo súbito ou quando eles surgem frequentemente.

A descrição dos sintomas permite quase sempre fazer um diagnóstico provisório e determinar a gravidade da arritmia.

Geralmente, são necessários exames adicionais para determinar com exatidão a natureza da doença. Os mais importantes são: eletrocardiograma; um monitor portátil (Holter) que permite um registo durante 24 horas; ecocardiograma; estudos eletrofisiológicos invasivos, nos quais se introduz por via endovenosa um cateter até ao coração; angiografia coronária.
 

A administração de fármacos é muito útil no caso de sintomas intoleráveis ou quando eles representam um risco. Não existe um único fármaco que cure todas as arritmias em todas as pessoas. Por vezes é preciso experimentar vários tratamentos até encontrar um que seja satisfatório. Os fármacos antiarrítmicos podem, além disso, produzir efeitos secundários e piorar ou, inclusive, provocar arritmias.

Os pacemakers artificiais, dispositivos eletrónicos que atuam em vez do pacemaker natural, programam-se para imitar a sequência normal do coração. Geralmente, implantam-se sob a pele do peito e possuem cabos que chegam até ao coração. Estas unidades duram, atualmente, entre 8 a 10 anos.

Por vezes, a aplicação de uma descarga elétrica no coração pode deter um ritmo anormal e restaurar o normal. Este método denomina-se cardioversão, electroversão ou desfibrilhação.

Certos tipos de arritmias corrigem-se através de intervenções cirúrgicas e outros procedimentos invasivos. Por exemplo, as arritmias provocadas por uma doença coronária controlam-se através de uma angioplastia ou uma operação de derivação das artérias coronárias (bypass).

Após a avaliação inicial, o seu médico determinará qual o tratamento ideal para si. 

Uma vez que muitas arritmias estão associadas a doença cardíaca, é importante manter o coração saudável, através de uma dieta equilibrada, prática regular de exercício físico, controlo da pressão arterial e do colesterol, deixar de fumar e reduzir o consumo de álcool e de café.

O controlo da ansiedade e do stress é também muito importante.

  • Epidemiologia da fibrilhação auricular, Bonhorst D. e col., Rev Port Cardiol 2010; 29 (07-08): 1207-1217
  • Mayo Foundation for Medical Education and Research, Feb. 11, 2011
  • National Institutes of Health, Department of Health and Human Services
  • Manual Merck online, 2013

 

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