AnsiedadePerturbações Mentais

Atualizado em: Domingo, 23 de Abril de 2017 | 92 Visualizações

Fonte de imagem: Vida em Equilíbrio

A ansiedade é uma emoção caracterizada por sentimentos de tensão, preocupação, insegurança, normalmente acompanhados por alterações físicas como o aumento da pressão arterial e da frequência cardíaca, sudação, secura da boca, tremores e tonturas.
 
Em condições normais, a ansiedade pode ser útil, na medida em que ajuda a identificar situações de perigo e permite uma melhor preparação para as enfrentar. Quando bem controlada, a ansiedade atua sobretudo como estimulante. Em excesso, a ansiedade causa sofrimento desnecessário.
 
Existem diferentes formas de ansiedade, cada uma delas com sintomas diferentes, sendo as principais as seguintes:

  • Doença obsessiva compulsiva
  • Stress pós-traumático
  • Pânico
  • Agorafobia o ansiedade generalizada o ansiedade social o ansiedade da separação

A ansiedade faz parte do quadro clínico da depressão e está associada de forma variável às alterações de humor e aos estados depressivos. Pode-se, portanto, afirmar que os pacientes com depressão sofrem também de ansiedade, mais ou menos pronunciada. Da mesma forma, a maioria das pessoas em que a ansiedade se manifesta num grau elevado pode evoluir para um estado depressivo.
 
A presença em simultâneo de depressão e ansiedade é muito marcante, implicando maior gravidade de sintomas. Estudos desenvolvidos em Portugal registaram forte correlação entre depressão, ansiedade e stress.

Trata-se de um problema importante e comum. A nível da medicação, entre 2004 e 2009, observou-se um crescimento de 25,3% no consumo de ansiolíticos, hipnóticos, sedativos e antidepressivos. Estes dados são confirmados pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), onde Portugal se situa acima da média dos países desta organização no consumo de ansiolíticos.
 
São escassos, no entanto, os estudos que apresentam resultados relativos à realidade portuguesa. Alguns estudos apontam para taxas de cerca de 50% dos utilizadores de cuidados primários de saúde apresentando sintomas de depressão/ansiedade.
 
As evidências demonstram maior prevalência de perturbações depressivas e de ansiedade entre as mulheres. Em Portugal, existem poucas evidências dessa tendência, embora alguns estudos recentes sugiram que as mulheres são mais suscetíveis a esse tipo de perturbação.

Em alguns casos, a ansiedade poderá ter uma causa evidente. Por outro lado, existem outros casos em que a ansiedade parece não ter causa aparente. Quando isso sucede, o facto de o paciente não conseguir identificar a causa da sua ansiedade tende a aumentá-la ainda mais. Por esse motivo, um dos aspetos importante no tratamento da ansiedade é a identificação dos fatores que a desencadeiam.
 
Para além disso, pensa-se poder existir uma base genética para a ansiedade.
 
A ocorrência de experiências stressantes e a incapacidade de lidar com elas é outro aspeto importante.
O consumo de álcool, drogas, chá, café, tabaco e alguns medicamentos podem também associar-se a crises de ansiedade.
 
De um modo geral, as dificuldades da vida são habitualmente fatores que desencadeiam ansiedade, e nos casos agudos, angústia. Além disso, as dificuldades pessoais de inserção na sociedade, os conflitos interiores no domínio afetivo, emocional e sexual podem conduzir a uma sintomatologia ansiosa.

Os sintomas mais comuns da ansiedade são as sensações de apreensão ou preocupação, de impotência, de medo ou pânico. Estas sensações associam-se frequentemente a sintomas físicos como o aumento da frequência cardíaca e respiratória, suores, tremores, sensação de fadiga, entre outros.

Os diferentes tipos de ansiedade apresentam manifestações específicas:

  • Os ataques de pânico podem começar de forma súbita, causando sintomas físicos muito fortes, quase de asfixia. o Na agorafobia, a ansiedade ocorre em ambientes nos quais o paciente se sente encurralado.
  • As fobias sociais ocorrem em circunstâncias de exposição social ou pública.
  • Na doença obsessiva compulsiva ocorrem pensamentos persistentes e um desejo incontrolável de repetir, sem razão aparente e sem propósito, um determinado ato.
  • No stress pós-traumático, o paciente sente que está reviver uma experiência traumática, referindo reações emocionais e físicas muito intensas.

O diagnóstico da ansiedade pode ser bastante difícil.

O exame médico é essencial de modo a poder excluir-se a presença de doença física real que esteja na base das queixas referidas.

A confirmação do diagnóstico depende da confirmação da presença dos critérios de ansiedade definidos internacionalmente.

É necessário não esquecer que a ansiedade é um fenómeno universal, que faz parte da nossa vida. Frequentemente, pequenas alterações no quotidiano ou nos hábitos podem diminuir ou mesmo eliminar as reações ansiosas.
 
Pode ser útil adotar no dia-a-dia hábitos simples que permitam reduzir os estados de ansiedade. São exemplos disso as técnicas de relaxamento e meditação, uma boa gestão e organização do tempo, uma comunicação regular e eficaz com os outros (tanto no trabalho como em casa), entre outros.
 
Dormir bem é, também, muito importante.
 
Por vezes, pode ser necessário o recurso a medicamentos, que deverão ser sempre prescritos pelo médico. Este tipo de tratamento é, habitualmente, de longa duração e deve ser cuidadosamente acompanhado.
 
Em alguns casos o tratamento com medicamentos pode ser complementado com apoio psiquiátrico.
 
Deve ser sempre evitada a automedicação.

  • Fernandes, C. P., Lidar com a ansiedade, Gabinete de Apoio Psicopedagógico, Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa
  • Evidência científica sobre custo-efectividade de intervenções psicológicas em cuidados de saúde, Ordem dos Psicólogos Portugueses, Out. 2011
  • Apóstolo, J. L. Alves e col., Depressão, ansiedade e estresse em usuários de cuidados primários de saúde, Rev. Latino-Am. Enfermagem, 19(2), mar-abr 2011: 1-6,
  • American Psychological Association, 2013
  • Anxiety.org, 2013
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