Angina de PeitoSangue e Sistema Cardiovascular

Atualizado em: Domingo, 23 de Abril de 2017 | 36 Visualizações

Fonte de imagem: Organic Facts

A angina de peito é a designação médica para o quadro de dor ou desconforto peitorais resultantes da doença coronária, na qual o músculo cardíaco não recebe o sangue de que necessita para a sua actividade. A causa para essa redução no fluxo sanguíneo é, quase sempre, um estreitamento ou bloqueio de uma ou mais das artérias coronárias.

Portanto, a angina de peito não corresponde a uma doença mas a um conjunto de sintomas resultantes da má irrigação do coração.

A angina de peito é, portanto, uma doença cardiovascular, mais frequente em pessoas idosas. Cerca de 20% dos homens e 12% das mulheres de idade superior a 65 anos revelam alguns sintomas de doença cardiovascular. Em 2009 ocorreram em Portugal 23 internamentos por angina de peito por cada 100.000 habitantes.

A angina de peito pode anteceder a ocorrência de um enfarte de miocárdio. De facto, cerca de 18% dos enfartes manifestam-se inicialmente desta forma.

A angina de peito, como manifestação de doença coronária, surge mais frequentemente nas mulheres do que nos homens.

aterosclerose é uma das causas mais comuns de estreitamento das artérias coronárias. Quando esse estreitamento é de, pelo menos, 50% a angina de peito ocorre sempre que um esforço aumenta as necessidades de oxigénio do músculo cardíaco. Se esse estreitamento for superior a 90% a angina pode ocorrer mesmo em repouso.

Como tal, todos os factores que agravam a aterosclerose aumentam o risco de ocorrência de angina de peito: tabaco, diabetes, hipertensão arterial, hipercolesterolémia, obesidade.

A angina de peito pode ocorrer mesmo sem estreitamento das artérias coronárias e resultar de um espasmo dessas artérias, causado por vários mecanismos, como a redução dos níveis de magnésio ou o consumo de tabaco.

Na presença de anemia grave, a capacidade do sangue transportar oxigénio fica afectada e pode ocorrer um quadro de angina de peito.

Doentes com problemas cardíacos congénitos, como esclerodermia, lúpus eritematoso sistémico, poliarterite nodosa, doença de Kawasaki, entre outras, apresentam risco mais elevado.

Podem ocorrer episódios de angina de peito silenciosos, ou seja, sem qualquer tipo de manifestação clínica e que apenas são detectados num electrocardiograma. Esse tipo de episódio é mais comum nas primeiras horas do dia e verifica-se, entre outros, em doentes diabéticos ou naqueles com uma resistência elevada à dor.

De um modo geral, a angina de peito origina sensações de pressão, desconforto, preenchimento, aperto ou mesmo dor na região central do peito, embora essas sensações possam ser referidas no pescoço, maxilar inferior, ombro, braço ou nas costas.

Esta variedade de localizações torna o diagnóstico mais difícil.

Uma vez que os sintomas resultam da menor irrigação do coração, eles tendem a ocorrer durante um esforço, como caminhar num terreno íngreme ou subir escadas. Em repouso essas queixas irão diminuindo gradualmente de intensidade.

O stress pode igualmente desencadear crises de angina de peito.

Outros factores desencadeantes conhecidos são uma refeição, a exposição ao frio e a febre.

As crises de angina de peito duram habitualmente entre 1 a 5 minutos, aliviando com o repouso ou a nitroglicerina colocada debaixo da língua. Crises de dor no peito que duram apenas alguns segundos não costumam corresponder a episódios de angina.

O diagnóstico baseia-se na história clínica do doente, na sua observação e na realização de um conjunto de exames, entre os quais se destacam: o electrocadiograma com prova de esforço, o registo contínuo do electrocardiograma, o ecocardiograma, a coronariografia, a angiografia, os estudos com isótopos.
 
Para cada caso, o médico cardiologista definirá quais os exames mais apropriados.

De um modo geral, uma crise de angina de peito alivia com o repouso. O uso de medicamentos à base de nitratos é importante porque permite relaxar as artérias coronárias e melhorar a irrigação do coração.

O tratamento deve englobar medidas que impeçam a progressão da doença das artérias coronárias ou que ajudem a revertê-la. Como tal, esse tratamento deve incidir sobre todos os factores de risco já referidos, como a pressão arterial, colesterol, tabaco, etc.

Nas formas mais ligeiras, o tratamento passa por esse controlo e pelo uso de alguns medicamentos. Nas formas mais graves, é importante o internamento hospitalar e o uso de medidas terapêuticas mais complexas.

Os medicamentos mais utilizados permitem reduzir a má irrigação e melhorar os sintomas e englobam-se nas seguintes categorias: betabloqueadores, nitratos, antagonistas do cálcio e fármacos antiplaquetários. As três primeiras actuam sobre o coração e as artérias; a última pretende reduzir o risco de formação de coágulos na parede das artérias.

Nas formas mais graves, a cirurgia de derivação (bypass) das coronárias permite melhorar a circulação e a irrigação do músculo cardíaco. Outra possibilidade é a angioplastia coronária, onde se procura reduzir o grau de obstrução das artérias coronárias afectadas.

Esta prevenção passa pelo controlo de todos os factores de risco já referidos.

Práticas de vida saudável, exercício físico, controlo do peso, evitar o consumo de tabaco e de álcool, controlo da tensão arterial e do colesterol, consulta médica regular, são alguns bons exemplos do que pode e deve ser feito para manter o coração saudável.

A toma diária de uma pequena dose de aspirina pode ajudar a evitar a formação de coágulos sanguíneos e pode ser recomendada a pessoas em risco de desenvolverem angina. No entanto, a sua utilização depende obrigatoriamente de uma recomendação médica, uma vez que, como qualquer tratamento, pode associar-se a complicações.

  • American Heart Association
  • Medscape Reference, Drugs, Diseases & Procedures
  • Como enfrentar as doenças cardiovasculares e pulmonares, Recomendado a o s Prestadores de Cuidados Informais, Direcção-Geral da Saúde, Lisboa 2001
  • Plano Nacional de Saúde, 2012-2016

 

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