Aneurisma da aortaSangue e Sistema Cardiovascular

Atualizado em: Domingo, 23 de Abril de 2017 | 43 Visualizações

Fonte de imagem: Medtronic

A aorta é a maior artéria do corpo, sendo responsável pelo transporte de oxigénio do coração para todo o organismo. A parte da aorta que passa pelo tórax é designada aorta torácica e a que passa pelo abdómen, aorta abdominal.

Um aneurisma da aorta corresponde a um alargamento anormal da parede da aorta e pode ocorrer em qualquer local ao longo do seu trajeto. Consoante a sua forma, os aneurismas podem ser fusiformes (mais alongados) ou saculares (em forma de saco, mais pequenos que os fusiformes). A aorta abdominal é o local mais frequente de aneurisma arterial. Define-se como aneurisma da aorta abdominal uma dilatação focal, envolvendo todas as camadas vasculares, com um diâmetro maior ou igual a 3cm. A maioria destes aneurismas ocorre no segmento da aorta situado abaixo dos rins.

São quatro a cinco vezes mais frequentes no género masculino e a sua incidência aumenta com a idade, sendo raros antes dos 60 anos. A mortalidade associada à rotura de um aneurisma da aorta abdominal é de cerca de 80%.

Quando os aneurismas são detetados antes desse evento catastrófico e revelem dimensões em que esteja indicada a correção cirúrgica, a mortalidade associada a esse procedimento ronda os 5%, e, como tal, importa ponderar o benefício da deteção precoce através da realização de ações de rastreio.

O tabagismo, a aterosclerose, a hipertensão arterial e a presença de história familiar de aneurisma abdominal destacam-se entre os principais fatores de risco para a formação de um aneurisma. Cerca de 95% dos aneurismas da aorta são causados pela aterosclerose, que provoca um estreitamento da parede da aorta.

Por outro lado, a camada muscular da parede da aorta pode apresentar uma fraqueza congénita, que facilita a formação de um aneurisma. A hipertensão arterial, ao aumentar a força exercida pelo sangue sobre a parede da aorta contribui para a Formação de aneurismas. Um traumatismo é outra causa possível.

A maioria dos aneurismas da aorta abdominal mantém-se assintomática até à sua rotura. Deste modo, ou são descobertos por acaso numa consulta médica ou em exames complementares de diagnóstico, ou nunca chegam a ser detetados e o doente acaba por falecer por qualquer outro motivo, antes da sua rotura.
 
Mais raramente, podem manifestar-se sob a forma de dor abdominal crónica, ou através de complicações trombo-embólicas, sendo que os aneurismas sintomáticos têm um maior risco de rotura. Quando ocorre rotura, ela manifesta-se frequentemente por dor lombar, com ou sem dor abdominal, hipotensão e presença de massa abdominal pulsátil. Pode ocorrer uma rápida evolução choque, associada a elevada mortalidade.
 
Os sintomas secundários à rotura podem simular um enfarte agudo do miocárdio, uma cólica renal, pancreatite, cólica biliar, entre outras situações.
 
No caso de um aneurisma da aorta torácica, os sintomas mais comuns são dor na região do maxilar, pescoço ou no peito, tosse e dificuldade em respirar.

É muito importante um diagnóstico precoce, de modo a se garantir um tratamento adequado.

Para tal, é necessário existir um elevado grau de suspeição, de modo a se selecionarem os exames complementares de diagnóstico adequados a cada situação.

Neste caso, como se viu, os sintomas podem simular diversos quadros clínicos muito distintos e, como tal, o diagnóstico apresenta-se mais complexo. O estudo radiográfico do tórax e a ecografia ajudam a confirmar a presença de um aneurisma.

O exame de eleição é a tomografia computorizada abdominal com contraste endovenoso.

 

O tratamento depende da dimensão do aneurisma. Para aneurismas pequenos e assintomáticos pode ser suficiente uma vigilância regular, para lá do tratamento de todos os fatores de risco presentes. Para aneurismas de maior dimensão, será importante avaliar qual o melhor tratamento. A cirurgia é uma possibilidade e pode recorrer a diferentes técnicas em função das características do aneurisma.

A prevenção passa pela adoção de uma dieta pobre em colesterol e gorduras saturadas, de modo a reduzir o risco de aterosclerose. É também importante prevenir, detetar e tratar a hipertensão arterial. Sempre que existe uma história familiar ou existem fatores de risco, pode ser importante realizar uma ecografia periódica.

Partilhar este artigo
Referência

Notícias Relacionadas