Aneurisma da aorta abdominalSangue e Sistema Cardiovascular

Atualizado em: Domingo, 23 de Abril de 2017 | 52 Visualizações

Fonte de imagem: 3DPrint

O termo aneurisma provém do grego e significa dilatação, e aplica-se sempre que há um aumento irreversível do diâmetro normal das artérias. Caracteriza-se por tumefacção mais ou menos volumosa, pulsátil e com expansão, isto é, uma variação de diâmetro síncrona com a pulsação arterial.
 
A doença aneurismática resulta de uma fraqueza estrutural da parede arterial, nomeadamente da túnica média, e a sua causa mais frequente é a aterosclerose. Nestas situações tem em regra uma distribuição focal, com localizações preferenciais na aorta abdominal infra-renal e nas artérias poplítea e subclávia.
 
O aneurisma da aorta abdominal (AAA) infra-renal é uma doença relativamente frequente, denominando-se como tal sempre que a dilatação for superior a 3,0 cm.
 
É mais frequente a partir dos 65 anos, mais comum no sexo masculino e a sua prevalência é maior em doentes com doença coronária ou doença arterial oclusiva periférica e em portadores de aneurismas periféricos.
Se a prevalência na população portuguesa for semelhante à de outros países europeus, poder-se-á admitir que poderá haver cerca de 500 novos casos por ano, com tendência a aumentar, consequência do progressivo envelhecimento da população.
 
A sua importância clínica deriva essencialmente da irreversibilidade da dilatação arterial e do seu carácter progressivo, a qual pode conduzir à rotura, situação fatal se não tratada cirurgicamente, e associada a mortalidade elevada – 80% nas melhores séries publicadas, o que contrasta com um risco cirúrgico mínimo – menor que 4% - quando o aneurisma da aorta é tratado de forma programada.
 
O AAA infra-renal é na maioria dos casos assintomático; raramente causa dor abdominal e/ou lombar e, em um terço dos casos, a sua primeira manifestação clínica pode ser a rotura. Esta complicação parece associada com maior frequência a aneurismas da aorta com diâmetro superior a 5,0 cm, embora existam frequentes casos de doentes operados por rotura de aneurismas de menor dimensão. A presença de dor, espontânea ou à palpação é um sintoma desfavorável, que pode estar associado à expansão do aneurisma e/ou a fenómenos de fissuração parietal sem rotura franca.
 
Por vezes o aneurisma pode determinar fenómenos de embolização arterial com isquemia, aguda ou crónica, consequência da fragmentação do trombo intra-sacular.
O diagnóstico precoce por ecografia abdominal é essencial, de modo a possibilitar um tratamento eficaz, nas melhores condições clínicas possíveis, reduzindo o risco de rotura e, assim, contribuir para diminuir a mortalidade associada quer à patologia quer à sua correcção.
 
O tratamento habitual do AAA é cirúrgico e o seu objectivo é excluir o aneurisma da circulação, assegurando a continuidade desta pela interposição de enxerto arterial. Os resultados são bons, duradouros, com um risco cirúrgico cada vez menor, graças aos desenvolvimentos da anestesia e cuidados intensivos pós-operatórios.

O desenvolvimento das novas endopróteses – designação dos enxertos utilizados -, as quais são colocadas por cateterismo arterial retrógrado, sob controlo radiológico, e libertadas de modo a excluir o saco aneurismático da circulação através de duas pequenas incisões nas virilhas, tem sido espectacular e conduziu ao aparecimento de endoenxertos eficazes, com durabilidade a cinco anos comparável à da cirurgia convencional.
 
Quer a reparação cirúrgica convencional, como a reparação endovascular apresentam vantagens e desvantagens, pelo que a indicação terapêutica deve ser adaptada à situação clínica específica de cada doente.

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