Aneurisma cerebralSangue e Sistema Cardiovascular

Atualizado em: Segunda, 17 de Abril de 2017 | 54 Visualizações

Fonte de imagem: Medscape

Um aneurisma cerebral corresponde a uma zona de fraqueza da parede de um vaso sanguíneo intracraniano que tende a dilatar-se, ficando preenchido com sangue. De um modo geral, os aneurismas formam-se na zona da bifurcação das artérias, por ser a zona mais frágil da sua estrutura.

Essa dilatação pode exercer pressão sobre nervos ou outras estruturas cerebrais adjacentes. Por outro lado, pode romper causando uma hemorragia que vai comprimir as estruturas vizinhas.
Quando os aneurismas cerebrais são de dimensões reduzidas, raramente sangram ou causam outros problemas.

Os aneurismas cerebrais podem ocorrer em qualquer região do cérebro mas a maioria localiza-se na zona da base do crânio.

 

Estima-se que cerca de 5% da população seja portadora de um aneurisma cerebral, com uma taxa anual de rotura de cerca de 2%. A incidência de rotura de aneurismas é de cerca de 10 em cada 100.000 pessoas por ano.

Os aneurismas cerebrais podem ocorrer em qualquer idade, mas são mais comuns nos adultos (30-60 anos de idade) do que nas crianças e são também mais frequentes no género feminino.

Os aneurismas cerebrais podem ser congénitos, sendo resultado de uma fraqueza congénita da parede arterial.

Eles são mais comuns em pessoas portadoras de outras doenças genéticas, como as doenças do tecido conjuntivo ou a doença renal poliquística, ou portadores de doenças circulatórias como as malformações arteriovenosas.

Outras possíveis causas dos aneurismassão: um trauma, hipertensão arterial, infeções, tumores, aterosclerose, tabagismo e abuso de álcool e drogas, como a cocaína.

O papel dos contracetivos orais na formação de aneurismas não é consensual.

A maioria dos aneurismas cerebrais não se associa a sintomas até o momento em que aumentam de dimensões ou que rompem.

Os sintomas resultam da compressão das estruturas adjacentes e podem incluir dor por cima e em torno dos olhos, sensação de formigueiro, fraqueza ou paralisia num dos lados da face, pupilas dilatadas, alterações da visão, fotofobia.

Quando ocorre hemorragia, o principal sintoma é uma dor de cabeça de início súbito e extremamente forte, associada a visão dupla, náuseas, vómitos, rigidez da nuca e perda da consciência.

Por vezes ocorrem episódios de dor de cabeça mais ligeiros nos dias anteriores à rotura.

As principais complicações da rotura de um aneurisma cerebral são a ocorrência de um acidente vascular cerebral, lesões cerebrais permanentes ou morte. Pode ainda ocorrer hidrocefalia com compressão cerebral ou fenómenos de vasospasmo noutras áreas cerebrais com consequente redução do fluxo sanguíneo e possibilidade de acidente vascular ou lesão cerebral.

 

Como se referiu, a maioria dos aneurismas cerebrais passa despercebido pela ausência de sintomas. Muitas vezes, são detetados de um modo casual após um exame cerebral requisitado por outra razão.

A angiografia cerebral permite a visualização e localização dos aneurismas com elevada precisão.

A tomografia computorizada e a ressonância magnética são exames muito úteis na avaliação destes casos e podem ser combinados com a administração de um contraste para se obter informação mais detalhada.

No caso de aneurismas cerebrais de pequenas dimensões, a vigilância regular é suficiente.

O tratamento, quando necessário, deverá ser individualizado em função do tipo de aneurisma, da sua dimensão e localização e das características clínicas do paciente.

  • Cirurgia: de um modo geral, o tratamento é cirúrgico e pode consistir num processo de clipagem, que consiste na interrupção do fluxo sanguíneo no aneurisma mediante a colocação de um clip metálico. Este procedimento pode ser acompanhado ou não da realização de um bypass.
  • Embolização: uma alternativa à cirurgia é a embolização, na qual é inserido um cateter através da artéria femoral que é dirigido por angiografia até ao aneurisma, permitindo a colocação no aneurisma de um material de platina em forma de espiral que vai preenchê-lo, bloqueando a circulação e desencadeando a coagulação do sangue.
  • Medicação: os anticonvulsivantese os analgésicos podem ser úteis no alívio dos sintomas.

Para além do tratamento do aneurisma cerebral propriamente dito, éimportante tratar outras condições médicas subjacentes, como a hipertensão arterial.

Não se pode prevenir o desenvolvimento de um aneurisma cerebral mas, uma vez diagnosticado, é possível interferir na sua progressão, através de um bom controlo da pressão arterial, não fumando e não consumindo cocaína ou outros estimulantes.

O uso de aspirina ou outros medicamentos que fluidificam o sangue deve ser avaliado caso a caso, bem como o uso de contracetivos orais.

Resultado de imagem para Aneurisma cerebral

  • Sociedade Portuguesa de Neurocirurgia, janeiro 2012
  • U.S. National Library of Medicine, janeiro 2014
  • American Heart Association, outubro 2012

 

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Referência