AlcoolismoVida Saudável

Atualizado em: Terça, 03 de Janeiro de 2017 | 85 Visualizações

Fonte de imagem: SteadyHealth.co

O conceito de alcoolismo abrange a globalidade dos problemas motivados pelo álcool, no indivíduo, nos planos físico e psíquico, nas perturbações da vida familiar, profissional e social, e também nas suas implicações económicas, legais e morais.
 
Em Portugal, apesar dos últimos dados disponíveis indicarem um ligeiro decréscimo a nível nacional, o consumo de álcool per capita mantém-se bastante elevado. Por outro lado, tem-se verificado um consumo crescente de álcool entre jovens e mulheres e alterações significativas nos modos de ingestão que agravam as situações de risco. Este tópico tem sido tema recorrente nos meios de comunicação e tem determinado alterações na legislação de modo a tentar controlar este importante problema.
 
Portugal surge de forma sistemática entre os maiores consumidores de bebidas alcoólicas e de álcool a nível Europeu e Mundial. Num estudo recente, encontraram-se estimativas em maiores de 15 anos para o País, de 58.000 doentes alcoólicos (síndrome de dependência de álcool), isto é, cerca de 7% da população nacional, e 750.000 bebedores excessivos (síndrome de abuso de álcool), o que equivale a 9,4% da população nacional.
 
Na população escolar portuguesa, estima-se que a prevalência de problemas ligados ao álcool se situe entre os 10% e os 20%, em alunos universitários. No que se refere a alunos do ensino secundário, com idade média de 16 anos, entre 18% e 20% ter-se-ão embriagado pelo menos uma vez.
 
Estima-se que o consumo excessivo de álcool ocorra em cerca de 10% das mulheres e 20% dos
homens. Sabe-se também que o álcool está relacionado com 50% dos casos de morte em acidentes de automóvel, 50% dos homicídios e 25% dos suicídios.
 
O álcool é actualmente, em Portugal, uma droga legal e comercializada, fazendo parte dos hábitos alimentares de uma larga maioria da população. Para além disso o álcool aparece muitas vezes associado a inúmeras formas de relacionamento social, tanto privado como público, de natureza ritual, comemorativa, recreativa, para além de fazer parte do estilo de vida ou mesmo da identidade de muitos grupos sociais.

O alcoolismo é influenciado por factores genéticos, psicológicos, sociais e ambientais que afectam a resposta e o comportamento do organismo face ao álcool.

O processo de dependência em relação ao álcool ocorre de um modo gradual. O álcool, ao longo do tempo, vai alterando o normal equilíbrio entre as substâncias químicas que existem a nível do cérebro associadas com a sensação de prazer, capacidade de avaliação e controlo do corpo. Esse facto faz que se consuma álcool para recuperar as boas sensações ou para afastar as negativas.

Eis alguns factores de risco para o desenvolvimento do alcoolismo:

  • Consumo regular de álcool ao longo do tempo, que vai gerando uma dependência física.
  • Idade: quanto mais cedo se inicia o consumo de álcool, maior o risco de desenvolvimento de dependência.
  • História familiar: o risco é mais elevado quando existem familiares próximos com problemas relacionados com o álcool.
  • Depressão e outros problemas mentais, como a ansiedade ou doença bipolar.
  • Factores sociais e culturais: ter amigos ou pessoas próximas que bebem regularmente álcool aumenta o risco de consumo e de dependência. As mensagens que os media veiculam da associação entre o consumo de álcool e o status social podem ser um factor importante em alguns casos.
  • Mistura de medicamentos e álcool: alguns medicamentos interagem com o álcool, aumentando os seus efeitos tóxicos. Inversamente, o álcool pode aumentar ou diminuir o efeito de diversos medicamentos, o que se pode revelar perigoso.

Os sintomas do alcoolismo são muito diversos e passam pela incapacidade de reduzir o consume de álcool, pela sensação de uma enorme necessidade de consumir álcool, desenvolvimento de tolerância ao álcool, que obriga a um maior consumo para se obter o mesmo efeito, consumo de álcool em isolamento ou às escondidas, sensação física de abstinência (náuseas, suores, tremores) quando não se consome álcool, lapsos de memória, criação de rituais, consumindo álcool em horários definidos com sensação de frustração se tal não é possível, irritabilidade, consumo de álcool para se sentir bem ou para se sentir ”normal”, problemas legais, financeiros, pessoais e profissionais, perda de interesse noutras actividades que costumam ser agradáveis.
 
O álcool provoca uma depressão do sistema nervosa, embora, em algumas pessoas, a reacção inicial seja de estimulação. O álcool reduz as inibições, afecta os pensamentos, emoções e capacidade de julgar e decidir. Afecta ainda a fala, a coordenação muscular e, em doses excessivas, pode induzir coma ou causar a morte.
Por outro lado, a dependência do álcool associa-se, habitualmente, ao consumo excessivo e à dependência de outras substâncias.
 
Como consequência da perda de todas as capacidades referidas, o álcool aumenta o risco de acidentes de viação, acidentes domésticos, reduz o desempenho no trabalho e na escola e aumenta a probabilidade de se cometerem crimes violentos.
 
O álcool aumenta o risco de complicações médicas como, doença hepática (hepatite, cirrose, cancro), problemas digestivos (gastrite, úlcera); má-absorção, pancreatite; problemas cardíacos (hipertensão arterial, enfarte do miocárdio, AVC); complicações nos doentes diabéticos; alterações na função sexual; problemas oculares; osteoporose; complicações neurológicas; diminuição das defesas; anomalias congénitas no caso de consumo de álcool durante a gravidez; maior risco para várias formas de cancro;

É importante que a pessoa afectada adquira consciência de que consome álcool acima do normal e que, por isso, deve procurar ajuda.

O diagnóstico passa, portanto, por uma boa entrevista com o médico assistente, pela avaliação dos consumos diários e por um conjunto de exames para avaliação da extensão do problema.

Existem diversos exames que são importantes na identificação dos problemas associados ao álcool, como análises clínicas, ecografia abdominal, biópsia do fígado e outros, competindo ao médico selecionar os mais adequados a cada caso.

O tratamento é complexo e deve englobar os aspectos biológicos e psicossociais, bem como o meio familiar, profissional e social onde o paciente se insere.

No que se refere aos problemas orgânicos, na fase inicial as lesões causadas pelo consumo de álcool podem ser reversíveis. É uma fase que pode demorar algum tempo e passa, fundamentalmente, pela abstinência completa do consumo de bebidas alcoólicas.

Podem ser prescritos medicamentos para ajudar a combater os sintomas provocados pela dependência ou abstinência ao álcool.

Nas fases mais adiantadas as lesões podem ser irreversíveis (cirrose hepática). Apesar disso, o tratamento das complicações poderá contribuir para uma importante melhoria da qualidade de vida.

A única forma verdadeiramente infalível de prevenir o alcoolismo seria simplesmente não beber bebidas alcoólicas. Mas o que verdadeiramente interessa é saber beber com moderação.

Durante eventos sociais deve-se beber sempre menos do que considera razoável. Quando se bebe é importante não variar e beber sempre o mesmo tipo de bebida.

É importante avaliar o grupo de amigos e de pessoas próximas porque o excesso de consumo de álcool é frequentemente incentivado por terceiros.

Praticar desporto, ler, meditar, ir ao teatro e cinema, podem ser boas alternativas para ajudar a libertar do stress e prevenir a necessidade de fuga, em alternativa ao consumo de álcool.

Vale ainda a pena referir que os medicamentos “anti-ressaca” não protegem dos efeitos nocivos do álcool.

Fontes

  • Sociedade Portuguesa De Gastrenterologia
  • M ª Lucília Mercês de Mello e col., Álcool e problemas ligados ao álcool em Portugal, Saúde XXI, Programa Operacional Saúde Direcção-Geral de Saúde, 2001
  • Casimiro Balsa e col., O Consumo de Bebidas Alcoólicas em Portugal. Prevalências e padrões de Consumo, 2001-2007, CesNova – Centro de Estudos em Sociologia Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, Universidade Nova de Lisboa
  • Mayo Foundation for Medical Education and Research, Agosto de 2012
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