AfasiaDoenças Neurológicas

Atualizado em: Terça, 03 de Janeiro de 2017 | 66 Visualizações

Fonte de imagem: Dicas de Saúde

A afasia é um distúrbio da comunicação adquirido que interfere na capacidade de processamento da linguagem, sem afetar a inteligência. A afasia prejudica a capacidade de falar e de compreender outras pessoas, e, em muitos casos, também compromete a leitura e a escrita.

A causa mais comum da afasia é um acidente vascular cerebral (cerca de 25-40% das pessoas com acidente vascular cerebral apresentam afasia). Outras causas comuns são os traumatismos crânio-encefálicos, tumores cerebrais ou outros problemas neurológicos. Portanto, na afasia, como resultado de uma lesão cerebral, uma ou mais partes do uso da linguagem deixam de funcionar apropriadamente.

A afasia é uma das sequelas mais incapacitantes de um acidente vascular sendo difícil para o doente e para a sua família a adaptação a esta situação. A afasia obriga a modificações dramáticas a nível profissional, social e económico, e gera dificuldades de comunicação e distúrbios emocionais por vezes graves. Por outro lado, a afasia tem um forte impacto na noção de identidade, na autoestima e nas relações interpessoais e sociais, gerando depressão, limitação física e isolamento.

A afasia pode associar-se a dificuldades em ações quotidianas, na observação dos arredores, na concentração, na iniciativa para falar, na memória e pode causar incapacidade para fazer duas coisas ao mesmo tempo.

Não existem duas pessoas que sofram de afasia do mesmo modo. A gravidade e a extensão da afasia dependem, entre outras coisas, da localização e da gravidade da lesão cerebral, da competência linguística anterior e da personalidade do indivíduo. Algumas pessoas com afasia podem entender a linguagem, mas têm problemas para achar as palavras certas ou para construir frases. Outras tendem a falar em demasia, mas o que dizem é difícil de se compreender.

A afasia afeta em torno de um milhão de norte-americanos e é mais comum que a doença de Parkinson, a paralisia cerebral ou a distrofia muscular. Mais de 100.000 norte-americanos adquirem este distúrbio anualmente. A afasia é um distúrbio muito comum em pessoas idosas mas pode ocorrer em qualquer idade, independentemente do género ou raça. A sua identificação é muito importante porque a afasia tende a ser um fator de isolamento social e familiar, dadas as dificuldades de comunicação que origina. Como muitas profissões requerem capacidades de linguagem e fala, a afasia pode prejudicar o exercício pleno do trabalho. As pessoas com afasia leve e moderada conseguem retornar ao trabalho, mas podem ter suas funções ou ocupações adaptadas. Em Portugal não existem dados sobre a incidência de afasia mas estima-se que cerca de 50% dos sobreviventes de um acidente vascular apresentem dificuldades de comunicação. 

Como foi referido, a afasia desenvolve-se como resultado de uma lesão cerebral, como um acidente vascular, um trauma ou um tumor cerebral. No cérebro existem várias áreas com diferentes funções. Para a maioria das pessoas, as áreas responsáveis pela linguagem estão localizadas no lado esquerdo do cérebro. Quando essas áreas são afetadas, surge a afasia.

Como se referiu, as afasias podem ser de vários tipos. Algumas pessoas têm dificuldade em falar, enquanto outras têm dificuldade em seguir uma conversa. Nalguns casos, a afasia é muito ligeira e não é percetível num primeiro contacto. Noutros casos, ela pode ser muito severa afetando a fala, a escrita, a leitura e a compreensão. Os sintomas específicos são muito variados, mas o que todas as pessoas com afasia têm em comum são as dificuldades de comunicação.

Uma pessoa com afasia pode ter dificuldade em recordar palavras e nomes, mas a sua inteligência está basicamente intacta. A afasia não é como a doença de Alzheimer porque, na afasia, a dificuldade está na capacidade em aceder às ideias e pensamentos e não na elaboração da ideia ou do pensamento em si. Contudo, como muitas pessoas com afasia têm dificuldade em comunicar, elas são frequentemente confundidas com pessoas com problema ou doença mental.

Muitas pessoas com afasia também apresentam paralisia ou fraqueza dos membros superior e inferior direitos porque a afasia resulta de uma lesão no lado esquerdo do cérebro e este lado controla os movimentos do lado direito do corpo. Pode ocorrer perda de campo visual; desconhecimento de como realizar sequências de ações simples como vestir-se, comer ou beber; dificuldades em comer, beber e deglutir; problemas de memória; dificuldade no controlo de emoções; epilepsia.

O diagnóstico do tipo de afasia é feito essencialmente por quatro provas: análise do discurso, nomeação de objetos por confrontação visual, repetição de palavras e compreensão de ordens simples.
Para lá do diagnóstico da afasia, é essencial a identificação da lesão cerebral, o que pode ser conseguido pela ressonância magnética.

O objetivo do tratamento é tornar a comunicação funcional. Muitas pessoas que sofrem de afasia estiveram hospitalizadas por algum tempo. Esta hospitalização frequentemente ocorre depois da lesão cerebral ter ocorrido. Depois de ter alta do hospital muitas pessoas com afasia ainda necessitarão de tratamento. 

Nem sempre é claro a quem se deve recorrer. O tratamento da afasia é quase sempre realizado por fonoaudiólogos (terapeutas da fala). Por princípio, qualquer pessoa sofrendo de afasia é elegível para terapia fonoaudiólogica. A duração do tratamento depende, entre outras coisas, do tempo de recuperação da afasia.

Devido à afasia, a maneira pela qual o afásico entende o mundo ou a maneira de se expressar sofre uma mudança. Através da melhor utilização possível das capacidades comunicativas remanescentes do afásico, ainda é possível se comunicar com ele. Uma pessoa com uma afasia severa frequentemente entende apenas as palavras mais importantes de uma frase. Muitas vezes as pessoas que rodeiam o afásico pensam que ambos se entenderam muito bem, mas uma reação negativa deste demonstra que este não era o caso. Para que a comunicação seja eficaz, é importante que exista tempo. Estar sentado confortavelmente e manter contacto visual é muito útil. Deve-se falar devagar e com frases curtas, reforçando as palavras mais importantes de cada frase. Deve-se ajudar a pessoa com afasia a expressar-se quando ela demonstra dificuldade. Isso pode ser feito apontando para um objeto), fazendo gestos ou desenhos ou escrevendo algo sobre o que está sendo dito.

Se os sintomas da afasia durarem mais de dois a três meses após a lesão cerebral, uma recuperação completa pode vir a ser menos provável. No entanto, é importante saber que muitas pessoas continuam a melhorar mesmo depois de anos ou décadas. A melhoria do problema faz parte de um processo lento que envolve tanto o sujeito como a família, sendo importante o desenvolvimento de estratégias compensatórias de comunicação.

Sendo a causa mais comum da afasia o acidente vascular cerebral, a prevenção passa por medidas que minimizem o risco da sua ocorrência: exercício físico regular; dieta equilibrada com pouco sal e gordura e rica em fruta e vegetais, evitar o tabaco; ingestão moderada de álcool; controlo do peso e da pressão arterial; tratamento de doenças associadas como a diabetes e o excesso de colesterol.
  • Associação Internacional de Afasia, 2013
  • National Aphasia Association, 2012
  • Gabriela Leal e col., Avaliação da afasia pelo Médico de Família, Rev Port Clin Geral 2005;21:359-64
  • American Speech-Language-Hearing Association, 2013
     
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Referência

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