AcufenosOuvidos, nariz e garganta

Atualizado em: Domingo, 18 de Dezembro de 2016 | 74 Visualizações

Fonte de imagem: Ear & Mind

Os acufenos, também designados por tinnitus ou zumbidos, correspondem à perceção de um som, no ouvido ou na cabeça, uni ou bilateralmente, sem a existência de um estímulo externo.

Estes acufenos podem ter origem em qualquer parte do sistema auditivo e são um sintoma muito comum que pode afetar pessoas de qualquer idade ou género. Contudo, ocorrem com mais frequência no género masculino.

É importante reforçar que os acufenos são um sintoma e não uma doença.

O tipo e intensidade de som varia de pessoa para pessoa. Este pode ser constante, intermitente ou pulsátil.

Estima-se que os acufenos afetem cerca de uma em cada 5 pessoas.

Embora sejam causa de incómodo, os acufenos raramente traduzem uma doença grave e, embora possam piorar com a idade, na maioria dos casos são tratáveis.

Os acufenos podem associar-se a diversas condições, como a diminuição da audição, vertigens, acumulação de cerúmen, alguns medicamentos (antibióticos, diuréticos, antidepressivos, aspirina), infeções, traumatismos do ouvido ou cranioencefálicos, doenças cardiovasculares, doenças dos ouvidos e exposição ao ruído.
 
Em muitos casos, não se consegue identificar a causa exata.
Uma das causas mais comuns é a lesão do ouvido interno.
A perda de audição associada à idade, sobretudo depois dos 60 anos, é também uma causa frequente de acufenos.
A exposição ao ruído é importante no contexto profissional e ocorre também associada ao uso de auscultadores para ouvir música. Nestes casos, os acufenos podem ser de curta duração, como acontece após um concerto, ou serem mais prolongados, traduzindo uma lesão mais grave.
Os acufenos podem ainda surgir associados à Doença de Ménière, alterações da articulação temporomaxilar, lesões tumorais ou alterações vasculares, como a aterosclerose ou a hipertensão arterial.
O tabaco é também um fator de risco para o desenvolvimento de acufenos

 

Os acufenos correspondem a uma sensação desagradável de som na ausência de um estímulo sonoro. Esses sons podem ser campainhas, buzinas, cliques, entre outros.

Estes sons-fantasma podem variar de intensidade e podem ocorrer num ou nos dois ouvidos. Em alguns casos, podem ser tão intensos que interferem com a capacidade de concentração ou na audição de sons reais.

Os acufenos podem estar sempre presentes ou serem intermitentes.

Os acufenos podem ser subjetivos, quando são ouvidos apenas pelo paciente, ou objetivos, quando o médico também os consegue ouvir. Este tipo é mais raro e pode resultar de anomalias vasculares, alterações nos ossos do ouvido ou contrações musculares.

É importante reforçar que os acufenos afetam de modo significativo a qualidade de vida dos pacientes, causando fadiga, stress, alterações no sono e na concentração, problemas de memória, depressão, ansiedade ou irritabilidade. O tratamento destas condições, mesmo sem reduzir os acufenos, ajudará o doente a sentir-se melhor.

O exame médico é muito importante e deve englobar os ouvidos, cabeça e pescoço, de modo a se tentar detetar a causa dos acufenos. Esse exame tipicamente engloba um audiograma, avaliação do movimento, estudos por imagem (tomografia ou ressonância).

Em muitos casos, a causa dos acufenos não é detetada e, nesses casos, importa definir a melhor estratégia para minimizar o seu impacto na vida dos pacientes.

O tratamento dos acufenos irá variar consoante a sua causa e, portanto, diferentes causas têm abordagens diferentes.

A maioria das abordagens utilizadas recorre a medicamentos ou à terapêutica designada por TRT (Tinnitus Retraining Therapy). Nesta técnica de tratamento, recorre-se a um dispositivo portátil programado para mascarar as frequências específicas dos acufenos de cada paciente. Ao longo do tempo, este método permite que o doente se acostume aos seus acufenos, passando a estar menos focado neles.

A remoção de cerúmen dos ouvidos pode ajudar a reduzir os sintomas.

Sempre que existirem alterações vasculares, elas deverão ser tratadas.

É importante rever toda a medicação em curso, porque, como se referiu, alguns medicamentos podem ser a causa de acufenos.

A supressão do ruído recorrendo ao chamado "ruído branco" pode ser muito útil. Existem dispositivos eletrónicos que emitem esse ruído e, em simultâneo, podem produzir sons relaxantes (chuva, mar) e que são bastante eficazes.

O recurso a uma ventoinha, desumidificador ou ar condicionado no quarto durante a noite gera também um ruído branco que pode ajudar a suprimir os acufenos, permitindo um sono mais reparador.

Os medicamentos não tratam os acufenos mas podem ajudar a reduzir a gravidade dos sintomas. Neste contexto, podem ser úteis os antidepressivos ou alguns sedativos.

A prevenção passa por evitar a frequência de locais ruidosos. Se tal não for possível, é fundamental recorrer a proteção auditiva adequada.

É também importante evitar a ingestão de café, chá preto, chocolate ou outras substâncias que contenham cafeína e reduzir o consumo de tabaco e bebidas alcoólicas.

O controlo da pressão arterial é igualmente importante.

Quando se utilizam auscultadores para ouvir música, deve-se manter o volume num nível não muito elevado.

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Referência
Associação Portuguesa de Audiologistas, 2014/ Mayo Foundation for Medical Education and Research,

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