Será possível reverter e prevenir o autismo?Notícias de Saúde

Terça, 03 de Julho de 2018 | 876 Visualizações

Fonte de imagem: AsIAm.ie Autism.

Um novo estudo poderá ter descoberto um método de tratamento de uma forma genética de autismo através de um fármaco experimental para o cancro.
 
Calcula-se que cerca de 7% dos casos de perturbações do espetro do autismo (PEA) estejam ligados a defeitos nos cromossomas, especificamente à ausência de um segmento do cromossoma 16. 
 
Conhecido como síndrome da deleção 16p11.2, este defeito no cromossoma pode conduzir a incapacidades no desenvolvimento neurológico e nas competências da linguagem. Isto sugere que as manifestações da doença como a incapacidade na comunicação social, perceção sensorial, movimento e comportamento poderão ser devidas a questões genéticas.
 
Contudo, pouco se sabe sobre os mecanismos que ligam o defeito cromossomático às PEA. 
 
Para tentar perceber a fisiologia patológica da doença, uma equipa de investigadores liderados por Riccardo Brambilla da Universidade de Cardiff, Reino Unido desenvolveu um modelo daquele defeito cromossomático em ratinhos.
 
Foi observado que os ratinhos com a deleção 16p11.2 apresentavam várias anormalidades em termos comportamentais e moleculares, como hiperatividade, problemas com a perceção olfativa e no comportamento maternal e ainda níveis mais elevados de uma proteína conhecida como ERK2.
 
Os investigadores revelaram que a proteína ERK2 tem recentemente sido alvo de tratamentos para o cancro. A equipa especulou então que o uso daqueles fármacos experimentais poderia exercer um efeito sobre os ratinhos com a deleção 16p11.2 e conduziu ensaios sobre os roedores.
 
Como resultado, os fármacos impediram que a proteína ERK2 chegasse aos cérebros dos ratinhos, tendo revertido os sintomas comportamentais, neurológicos e sensoriais característicos das PEA nos animais.
 
“Ao limitarmos a função da proteína que parece causar os sintomas do autismo nas pessoas com o defeito no cromossoma 16”, esclareceu o investigador que liderou o estudo, “o fármaco experimental não só proporcionou alívio sintomático quando administrado a ratinhos adultos, mas também evitou que os ratinhos geneticamente predispostos nascessem com aquela forma de PEA”.
 
Em humanos não seria possível tratar grávidas com o fármaco; no entanto, este poderia potencialmente ser dado a recém-nascidos para reverter a doença permanentemente.

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Referência
Estudo publicado na revista “The Journal of Neuroscience”

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